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Presidente do Irã viaja para Assembleia Geral da ONU com Houthis e Ormuz como ferramentas de negociação

O presidente do Irã, Masoud Pezeshkian, embarcou nesta terça-feira para Nova York, onde discursará na Assembleia Geral da ONU na quarta-feira, com a promessa de “defender com firmeza” interesses i da nação persa no principal fórum multilateral do mundo, em um momento em que Teerã ocupa uma posição central na atual crise de preços do […]

Presidente do Irã viaja para Assembleia Geral da ONU com Houthis e Ormuz como ferramentas de negociação


O presidente do Irã, Masoud Pezeshkian, embarcou nesta terça-feira para Nova York, onde discursará na Assembleia Geral da ONU na quarta-feira, com a promessa de “defender com firmeza” interesses i da nação persa no principal fórum multilateral do mundo, em um momento em que Teerã ocupa uma posição central na atual crise de preços do petróleo no mercado internacional. Enquanto autoridades iranianas apontaram que o país poderia reabrir o Estreito de Ormuz em sete dias em caso de avanço de negociações, líderes do G7 exigiram uma ação do regime teocrático sobre seus aliados Houthis no Iêmen — cujos confrontos com a Arábia Saudita deixaram mais de 150 mortos nos últimos dois dias e elevaram as instabilidades relacionadas à navegação no Mar Vermelho.
— Saímos de cabeça erguida [da guerra], o que é motivo de dignidade e orgulho para todos nós. Por isso, vamos defender com firmeza nossas posições nos fóruns internacionais — disse Pezeshkian, que será a primeira autoridade iraniana a pisar em solo americano desde o início da guerra entre os dois países e Israel. — Aproveitaremos ao máximo esta oportunidade para expor a difícil situação do Irã à comunidade internacional. Diremos com firmeza aos nossos adversários que, apesar de todas as injustiças e desigualdades, o povo iraniano manteve-se firme.
Sob pressão militar dos EUA, que conduzem um bloqueio naval aos portos iranianos, e uma campanha de sanções econômicas que autoridades americanas prometeram atingir uma extensão inédita, Teerã tem usado o controle sobre Ormuz como principal forma de desgastar Washington — e o presidente Donald Trump, que com baixos níveis de popularidade a menos de um mês das eleições de nível de mandato, viu a desaprovação à sua condução de política externa bater 71%, segundo pesquisa da rede americana CNN divulgada nesta terça-feira.
Somando-se à pressão sobre Ormuz, os iranianos agora contam com uma ofensiva houthi no Estreito de Bab el-Mandeb, na outra ponta do sul da Península Arábica, prejudicando a principal rota alternativa para escoamento do petróleo saudita. Embora analistas tenham apontado que o movimento iemenita aumentou sua autonomia do Irã e persiga seus próprios objetivos estratégicos, o regime iraniano já havia ameaçado fechar Bab el-Mandeb com ajuda dos aliados durante a guerra, indicando um nível de coordenação no plano regional.
Enquanto Pezeshkian embarcava no Irã, uma autoridade do regime teocrático ouvida pela agência de notícias Reuters, sob condição de anonimato, afirmou que o país estava preparado para reabrir Ormuz em um prazo de sete dias, caso os EUA concordassem em aliviar as pressões militares e econômicas sobre o país. A fonte ainda acrescentou que a delegação iraniana que vai para Nova York terá “plena autonomia” para retomar a diplomacia com Washington.
As guerras em curso estão entre os temas mais aguardados para as tratativas da Assembleia Geral deste ano — e nas reuniões bilaterais que ocorrem em paralelo, sobretudo em um momento em que questionamentos sobre a capacidade do sistema ONU de solucionar conflitos vêm aumentando. Os conflitos no Oriente Médio e na Ucrânia foram um tema central em uma agenda pré-evento entre o presidente da França, Emmanuel Macron, e Trump. O líder francês deu indícios de que as posições sobre a normalização da navegação em Ormuz estavam avançando.
— [Há] uma vontade de reabrir Ormuz. Várias soluções foram discutidas… o que permitiria, mesmo sem um acordo abrangente, encontrar meios de possibilitar a passagem de mais navios porta-contêineres e petroleiros — disse Macron, sem detalhar os planos. — A outra questão que abordamos foi a situação no Mar Vermelho… Isso é importante para os preços globais.
Fator houthi
As instabilidades no Mar Vermelho se tornaram um tema de importância estratégica tão relevante quanto Ormuz, desde uma retomada da atividade militar houthi. O grupo, que é aliado do Irã como parte do “Eixo da Resistência”, fez conquistas territoriais importantes no oeste do país ao longo do último mês, incluindo da cidade portuária de Mokha e das ilhas Hanish, Zuqar e Perim — esta última, na passagem naval de Bab el-Mandeb, conquistando uma posição de forte controle na região. Os rebeldes também intensificaram ações contra os sauditas, uma das nações mais abertas ao Ocidente no Oriente Médio, que apoia o governo internacionalmente reconhecido do Iêmen.
Combates entre as forças do governo, apoiadas pelos sauditas, e houthis deixaram ao menos 154 mortos nos últimos dois dias nas províncias de Taiz, Al Jawf, Marib e Saada. A liderança houthi afirmou nesta terça-feira que um bombardeio lançado por Riad teria atingido uma prisão no noroeste do Iêmen, matando ao menos nove pessoas que estavam sob custódia. A defesa civil da Arábia Saudita, por sua vez, emitiu um alerta para províncias no sul do país, sobre um possível bombardeio rebelde contra as regiões.
Embora os EUA tenham se mostrado relutantes em se envolver diretamente com os embates entre sauditas e houthis, forças ocidentais tentam minimizar os impactos negativos sobre as exportações sauditas, que aumentaram o preço do petróleo e perturbam uma passagem naval fundamental para a Europa, que via Canal de Suez e Mar Vemelho consegue cortar caminho para a Ásia. O Reino Unido concordou nesta terça-feira em fornecer algum apoio militar a Riad em resposta aos ataques recentes.
Antes da Assembleia Geral da ONU, líderes do G7 emitiram um comunicado conjunto instando o Irã a encerrar o apoio ao grupo iemenita, e aos próprios Houthis que as ações militares fossem cessadas. Em um pedido específico direcionado a Teerã, o grupo de países industrialmente desenvolvidos diz que o país deve por fim “ao fornecimento de armas e ao apoio aos Houthis”. (Com AFP)

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BRCOM