Presidentes de partidos do chamado Centrão se reúnem na manhã desta quarta-feira com o presidente da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB), para discutir uma mudança ao sistema eleitoral ainda neste ano. Também deverão participar líderes dessas siglas.
A iniciativa é tratada como prioridade por lideranças dessas legendas diante do crescimento do PL no Congresso nas eleições e da diminuição do tamanho do Centrão.
Um aliado de primeira hora de Motta diz, sob reserva, que o Centrão trabalha para aprovar essa reforma ainda neste ano, antes dos novos deputados tomarem posse, e trata esse tema com “prioridade máxima”. A discussão, no entanto, ainda não é consensual entre as legendas e enfrenta resistências internamente e também no PT e no PL.
A ideia é tentar diminuir a influência dos parlamentares considerados “puxadores de votos”, como Nikolas Ferreira (PL-MG), e buscar fortalecer os partidos de centro. Segundo relatos, o presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União Brasil-AP), deu aval para que Motta articule um texto de consenso.
Neste ano, o PL conseguiu alcançar a marca de 121 deputados federais e será a maior bancada a partir de fevereiro. O União Brasil, o PP, o PSD, o MDB e o Republicanos, juntos, elegeram 207 parlamentares (19 a menos dos que têm hoje).
Há ainda dúvidas sobre qual seria o formato dessa mudança no sistema eleitoral discutida pelo Centrão. Hoje, a eleição para deputado federal segue o sistema proporcional, em que as cadeiras são distribuídas de acordo com a votação dos partidos e das federações.
Neste ano, 33 candidatos (dos 513) tiveram uma votação suficiente para, além de se eleger, contribuir para que os partidos conquistassem outras cadeiras. Os maiores puxador de votos foram Nikolas, que conseguiu eleger outros 13 nomes do PL de Minas Gerais; Lucas Pavanato (PL-SP), que puxou outros sete deputados do PL em São Paulo; e Erika Hilton (PSOL-SP), que ajudou o partido a conquistar mais três vagas no estado.
De acordo com integrantes do Centrão, há dois cenários discutidos pelos parlamentares. De um lado, alguns partidos defendem o modelo distrital misto, em que parte dos deputados é eleita pelo voto direto em candidatos de distritos eleitorais e a outra parte, por listas preordenadas pelas siglas. De outro, há defensores do distritão, sistema em que são eleitos os candidatos individualmente mais votados em cada estado, independentemente do desempenho eleitoral de suas legendas.
Nesta terça, os deputados Domingos Filho (PSD-CE) e Renata Abreu (Podemos-SP) se reuniram com bancadas partidárias para discutir os textos. Domingos defende o modelo “distrital misto”, que já valeria para as eleições municipais de 2028, enquanto Renata, o “distritão”. A opção do “distritão”, no entanto, tem maior dificuldade porque exige uma mudança na Constituição, e para aprovar uma Proposta de Emenda à Constituição (PEC) são necessários 308 votos.
Um integrante da cúpula do Centrão, no entanto, diz avaliar ser difícil que a reunião desta quarta chegue a um desfecho, diante da falta de consenso entre os partidos. Apesar disso, o grupo vai insistir para levar o tema a votação ainda neste ano.
Presidentes de partidos do Centrão se reúnem com Motta para discutir mudança no sistema eleitoral
