O primeiro dia de obrigatoriedade do uso do cartão Jaé — que substitui o Riocard nos transportes municipais do Rio — começou com sinais mistos neste sábado. Enquanto os validadores do Metrô Rio na estação Jardim Oceânico, na Barra da Tijuca, Xona Oeste, estavam funcionando normalmente e permitiram a integração com o BRT, cobrando a tarifa reduzida de R$ 9,70, usuários com direito à gratuidade Jaé enfrentaram dificuldades.
Na mesma estação, as maquininhas de validação não reconheceram os cartões Jaé de gratuidade — os modelos amarelos. Foi o caso da cozinheira Jussara Medeiros, de 66 anos, moradora de Magé, na Baixada Fluminense. Para embarcar, ela teve que apresentar o documento de identidade diretamente aos funcionários, que liberaram sua entrada manualmente.
— Estou andando com dois cartões, o Riocard e o Jaé. Achei que hoje a integração com o metrô já funcionaria para a gratuidade, mas a máquina não reconheceu o cartão amarelinho — contou ela, que trabalha na Zona Sul e faz o trajeto diariamente.
Funcionários da estação confirmaram que os validadores ainda não estão aptos a processar gratuidades, mesmo com o início oficial da nova fase do sistema.
Quem também se frustrou com o novo modelo foi a manicure Jocélia Soares, de 42 anos, moradora do Alto da Boa Vista. Ela utilizou o aplicativo do Jaé para embarcar num ônibus e depois pegar o metrô no Jardim Oceânico, acreditando que pagaria uma tarifa reduzida graças à integração. No entanto, foi tarifada duas vezes no valor cheio.
O motivo é que apenas algumas linhas específicas têm direito à integração tarifária entre ônibus municipal e metrô — são as linhas 309, 538, 539, 548, 583 e 584, que atendem bairros como Botafogo, Gávea e Praça Antero de Quental e substituíram o antigo metrô de superfície. Nesses casos, o passageiro paga apenas R$ 7,90. Fora dessas linhas, não há desconto.
— Eu acho isso um absurdo. Com o Riocard, eu pagava mais barato. Agora, com o Jaé, paguei duas passagens inteiras e meu saldo já foi embora — reclamou Jocélia.
O caso da manicure revela uma distorção no novo modelo: usuários intermunicipais que entram na cidade por meio da tarifa social continuam pagando menos do que moradores do próprio município que utilizam dois modais diferentes para se deslocar: cerca de R$ 8,55, pegando um ônibus intermunicipal e o metro no Rio. A diferença pode chegar a R$ 4,05 — quase o valor de uma nova passagem de ônibus, que custa R$ 4,70, ja que para quem usa o jae e precisa pegar uma das linhas que não estao na listagem da integração com o metrô pagariam o valor cheio R$ 12,06.
Por outro lado, houve relatos positivos. O aposentado Ivan Soraggi, de 77 anos, morador da Cidade Nova, foi até a Barra da Tijuca visitar o irmão. Utilizou o BRT e o metrô, ambos com a gratuidade do Jaé, sem enfrentar problemas.
— Por enquanto está tudo certo. A gente precisa se informar para não ficar perdido com esses cartões — disse. Segundo ele, seu neto usa o Jaé recarregável e também conseguiu fazer a integração com o BRT normalmente.
A integração entre o metrô e o BRT está garantida apenas em dois pontos: nas estações Vicente de Carvalho (Linha 2) e Jardim Oceânico (Linha 4). Nesses locais, os passageiros pagam R$ 9,70 no total, um valor mais baixo do que os R$ 12,60 cobrados se as passagens forem pagas separadamente, sem o benefício da integração.
Outros passageiros que utilizaram a gratuidade do Jaé sem dor de cabeça foram um casal vindo de Guaratiba, na Zona Oeste, em direção à Tijuca, na Zona Norte. Eles embarcaram no BRT e depois no metrô, também na estação Jardim Oceânico, e conseguiram passar normalmente pelos validadores, sem necessidade de apresentar documentos ou acionar funcionários.
Quem deve usar o Jaé no metrô? Os usuários de integrações com modais municipais. Veja o valor das integrações:
Metrô + BRT: passageiros que embarcarem ou desembarcarem no metrô nas estações de Vicente de Carvalho (Linha 2) ou Jardim Oceânico (Linha 4) pagam R$ 9,70 na integração com o BRT, independente da renda. Sem a integração, os passageiros pagariam R$ 12,60.
Metrô + ônibus municipal (antigo metrô de superfície): os passageiros das linhas 309, 538, 539, 548, 583 e 584, que passam por Botafogo, Praça Antero de Quental e Gávea, e que substituíram o metrô de superfície, pagam apenas a passagem do metrô, de R$ 7,90.
Metrô + van: os usuários das vans que atendem Rocinha e Vidigal, pagam R$ 8,80 na integração com o metrô.
Metrô + transportes intermunicipais: Há dois casos para os passageiros que fazem viagens intermunicipais: quem ganha menos de R$ 3.205,20, e possui o benefício do Bilhete Único Intermunicipal, que oferece desconto nas passagens; e quem ganha mais de R$ 3.205,20 e usa o RioCard Mais, pagando o valor cheio das passagens. Veja abaixo como vai funcionar a integração.
Com Bilhete Único Intermunicipal (BUI): Os benefícios estaduais, como o Bilhete Único Intermunicipal (BUI) e a Tarifa Social continuarão sendo oferecidos exclusivamente por meio do cartão RioCard. Com eles, os passageiros pagam valores reduzidos de R$ 5 no metrô e nos trens e R$ 4,70 nas barcas.
Ou seja, o usuário do Bilhete Único Intermunicipal pode continuar usando o cartão RioCard para os transportes intermunicipais e municipais, no validador do RioCard. Assim, a integração com o metrô segue o padrão atual:
* Metrô + trem: R$ 8,55.
* Metrô + ônibus intermunicipal: R$ 8,55.
* Metrô + barcas: R$ 8,55.
Sem Bilhete Único Intermunicipal (BUI):
Se a pessoa usar o RioCard Mais para o transporte intermunicipal, mas não for beneficiária do Bilhete Único (quem tem salário maior que R$ 3.205,20), deverá ter os dois cartões: o RioCard para o ônibus intermunicipal, e o Jaé para circular nos ônibus e demais modais municipais, pagando duas tarifas cheias