Em uma das maiores mobilizações eleitorais da História recente dos Estados Unidos, que mobilizou milhões de pessoas e bilhões de dólares, os americanos foram às urnas em eleições encaradas como um referendo sobre o impopular governo do presidente Donald Trump. Os primeiros resultados ainda não são suficientes para confirmar a “onda democrata” anunciada ao longo dos últimos meses, mas o elevado comparecimento às urnas, seja hoje, seja na votação antecipada, é encarado no entorno trumpista como um mau sinal, diante do descontentamento dos eleitores com um presidente impopular, pelos custos crescentes de energia e pelo conflito em curso com o Irã.
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Os dois primeiros estados a encerrarem a votação foram Indiana, onde só havia eleições para a Câmara e para cargos locais, e o Kentucky, onde havia um assento no Senado em disputa. Diante da provável retomada democrata da Câmara, o controle do Senado é encarado como o último bastião de defesa de Trump contra um Congresso de oposição, ou como a barreira final para que os oposicionistas tornem os dois últimos anos de mandato do presidente um exercício diário de frustrações, ameaças e, especialmente, investigações.
Uma marca do ciclo eleitoral foi a impopularidade de Trump, principal arma da oposição democrata para conseguir consolidar posições em áreas como a Califórnia e Nova York, e avançar em redutos republicanos, como o Alasca e o Texas, que podem ser decisivos na formação do Congresso. Hoje, a aprovação presidencial gira em torno de 36%, a mais baixa em décadas.
— A situação do país não é nada boa. A economia. Os preços de tudo — disse Gabrielle Schlueter, uma aposentada de 69 anos na Geórgia, à AFP. — Saúde. Eu não estou sofrendo com isso, mas outros não deveriam ter essa preocupação.
Os republicanos, por sua vez, tentaram desviar o foco da economia, apresentando a eleição como uma escolha entre seu partido e os oponentes democratas, que eles tentaram rotular como ativistas radicais de extrema esquerda, explorando os temores dos eleitores em relação à imigração e a questões como a participação de crianças transgênero em esportes escolares. Trump tentou defender o próprio legado, repetindo o discurso de que reconstruiu o país por meio de sua repressão à imigração, da guerra contra o Irã e das tarifas, mas alguns candidatos o esconderam durante a campanha, com medo de perder votos.
Eleitores votam no dia da eleição, durante as eleições de meio de mandato, na Universidade de Michigan, em Ann Arbor, Michigan, em 3 de novembro de 2026
JEFF KOWALSKY/AFP
Em sua última aparição pública de campanha na segunda-feira, Trump mal mencionou as eleições e fez um discurso desconexo sobre a problemática reforma do espelho d’água de Washington. Na ocasião, disse queo pleito seria “o mais importante em nossas vidas” e que o Partido Democrata havia “indicado a lista de candidatos mais extremista e perigosa da História americana”. Na noite desta terça-feira, o presidente acompanha a apuração na Casa Branca, ao lado de alguns membros de seu Gabinete, como o secretário de Estado, Marco Rubio, um dos nomes na lista de potenciais sucessores do republicano em 2028.
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Números preliminares apontam que o comparecimento — que só será conhecido em números totais ao final do processo de contagem — já superava as expectativas antes mesmo do fechamento das urnas. Segundo a rede NBC News, foram 60 milhões de pessoas até o fim de segunda-feira. Há quatro anos, quando ocorreram as últimas eleições de meio de mandato, 47 milhões de pessoas votaram de maneira antecipada. Em 2024, quando os americanos também escolheram o presidente, 88 milhões de eleitores depositaram seus votos antecipadamente.
Todas as 435 cadeiras da Câmara dos Representantes e 35 das 100 cadeiras do Senado estão em disputa, além dos governos estaduais em 36 estados. Os democratas precisam de apenas três cadeiras conquistadas na Câmara e quatro cadeiras no Senado para assumir o controle de ambas as casas, atualmente nas mãos dos republicanos.
Eleitores votam no dia da eleição, durante as eleições de meio de mandato, na Universidade de Michigan, em Ann Arbor, Michigan, em 3 de novembro de 2026
JEFF KOWALSKY/AFP
Algumas seções eleitorais em todo o país, incluindo no condado de Westchester, em Nova York, relataram problemas na votação nesta terça-feira, embora não houvesse evidências de problemas graves. Após uma campanha eleitoral tensa, o escritório da senadora Susan Collins, republicana do Maine, foi vandalizado com sangue falso durante a noite, segundo uma porta-voz da senadora.
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Além do fator Trump e do alto comparecimento antecipado, a eleição foi marcada pelo dinheiro despejado nas campanhas desde as primárias: segundo a organização independente de controle Open Secrets, foram gastos US$ 12 bilhões, com destaque para os investimentos do ex-trilionário Elon Musk. Ele gastou quase meio bilhão de dólares para grupos republicanos, candidatos e seus aliados, mais do que qualquer outro doador jamais gastou em um único ciclo eleitoral.
Com AFP e New York Times.
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