Primogênita do compositor Chico Buarque e da atriz Marieta Severo, Silvia Buarque revelou que pergunta não aguenta mais ouvir sobre sua família. Em entrevista ao videocast do GLOBO ‘Conversa vai, conversa vem’, no ar no Youtube e no Spotify, a atriz de 57 anos falou sobre como a maturidade trouxe a segurança de poder ser quem é. Leia trecho:
Que pergunta não aguenta mais ouvir sobre sua família?
A pergunta genérica que me fazem muito até hoje: “Como é seu filha do seu pai, da sua mãe?” A gente simplesmente é, né? Não sabe como é ser filha de outra pessoa. Sob que aspecto? Sob alguns é maravilhoso; Sobre outros, é péssimo. Por exemplo, ter que responder isso…
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Aos 57 anos, é menos pesado ser filha de Chico e Marieta? Só a maturidade para conseguir ser quem e e acomodar esse legado junto?
Sim. Leva um tempo. Porque tem um tamanho. Tem um peso o Buarque. A quantidade de recado, de livro, de pedido que recebo. Então, nunca vai ser 100% confortável. Análise, maturidade, autoestima… Minha autoestima como atriz nunca foi muito alta. Está aumentando, mas a duras penas…
Você teve um câncer de mama em 2014 e outro oito anos depois. Passou por uma mastectomia e reconstrução mamária. Como foi dar a notícia de um novo câncer à sua filha, Irene?
Primeiro, ela ficou meio puta porque eu tinha dito que era só uma operaçãozinha. Não lembro de dar a notícia para ela. Soube num dia e, duas semanas depois, estava operando. Mas teve uma coisa importante, e dali veio minha decisão. Falei: “Conhece aquele vídeo do Caetano dizendo: ‘Eu sou foda! Chico Buarque é foda, Gilberto Gil é foda, Milton Nascimento é foda. E eu sou foda!”?. Irene ama o Caetano e eu falei isso para a Irene: “Eu sou foda!”. E ela: “Que bom, mamãe!”. Ela não se relacionou muito, mas perguntava: “Tá tudo bem?”. Eu tinha que tomar banho envelopada, e ela às vezes, me ajudava no banho. O resto da família foi solidária, amorosa. Minha mãe ia para São Paulo, onde eu estava fazendo peça, para botar o plástico em volta do meu peito.
Acho bonito Coisa bonita é que você nunca se deslumbrou. Em que medida sua construção como artista e mulher é resultado da educação que recebeu e experiência própria, terapia e trabalho particular?
Isso é muito de casa mesmo. Vejo nas minhas irmãs: a gente é de três planetas diferentes, mas tem uma coisa parecida. Eu não entendo uma pessoa que se permite se deslumbrar. Minha mãe nunca furou uma fila ou falou “eu sou a Marieta”. Sou filha de atriz e de compositor, cantor, poeta, escritor. Não vi eles se deslumbrarem nunca.

