A prisão do presidente da Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro (Alerj), Rodrigo Bacellar (União Brasil), pela Polícia Federal, na manhã desta quarta-feira, provocou forte reação no meio político do Rio. Bacellar é suspeito de vazar informações sigilosas da Operação Zargun — investigação que levou à prisão do deputado estadual Thiego Raimundo dos Santos Silva, o TH Joias, acusado de atuar como braço político do Comando Vermelho dentro da Alerj. O vazamento, segundo a PF, teria causado obstrução direta no andamento da investigação.
A operação desta quarta cumpre um mandado de prisão preventiva contra Bacellar, além de oito mandados de busca e apreensão expedidos pelo Supremo Tribunal Federal (STF). A suspeita de que informações haviam sido antecipadas surgiu ainda em setembro, quando TH Joias deixou sua residência horas antes da ação da PF, sendo encontrado posteriormente em outro endereço.
A repercussão entre políticos foi imediata. O ex-governador Wilson Witzel publicou em sua conta pessoal no Instagram uma mensagem atribuindo significado político à prisão de Bacellar. Ele compartilhou uma foto com a legenda:
“70 deputados elegeram Bacellar presidente da Alerj, 70 deputados votaram a favor do relatório feito pelo Bacellar pelo meu afastamento. Reflitam”, disse Witzel, sugerindo que a mesma bancada da Alerj que elegeu Rodrigo Bacellar presidente seria a que, em 2020, votou pelo relatório do impeachment dele.
Witzel foi afastado do cargo em 2020. O pedido de impeachment contra o então governador havia sido apresentado em maio daquele ano pelos deputados Luiz Paulo (à época PSDB, hoje Cidadania) e Lucinha (PSDB), com base em informações da Operação Placebo — ação da Polícia Federal que investigava irregularidades na saúde do Rio durante a pandemia.
Também ex-governador do Rio, Anthony Garotinho usou suas redes sociais para comentar o caso. Em vídeo publicado na manhã desta terça-feira, afirmou que vem “avisando faz tempo” sobre a prisão.
“Urgente, como eu havia previsto há alguns dias, Rodrigo Bacellar acaba de ser preso…Vocês sabem que eu venho avisando faz tempo. Em breve teremos novos capítulos. Aguardem. A história dessa quadrilha está só começando, mas não se iludam, a assembleia vai se reunir rapidamente para decretar sua soltura. Como fez com Pisciane e outros deputados. Esperem”, disse em posts na rede social.
Na imagem que o ex-governador publicou, Bacellar aparece ao lado de Luiz Fernando Pezão, ex-governador do Rio, envolvido em diversos escândalos de corrupçã, e de André Ceciliano, ex-presidente da Alerj.

