O Ministério Público Eleitoral paulista decidiu extinguir o procedimento que mirava o governador e candidado à reeleição Tarcísio de Freitas (Republicanos), por não constatar suposto desvio na conduta de viaturas policiais em relação ao automóvel que servia à equipe de Fernando Haddad (PT). A chapa do petista havia acionado a Justiça buscando apurar se a movimentação da tropa configurava uso indevido da máquina pública e excesso funcional.
Reação: Renan Santos afirma que entrará com mandado de segurança para reverter decisão de Toffoli que suspende campanha
Estratégias: Lula foca em legado e Flávio em segurança para atrair eleitor nos quatro estados com mais indecisos
Apesar de livrar Tarcísio de sanções eleitorais, o parecer assinado pelo procurador regional eleitoral Paulo Taubemblatt indica ser “inverossímil” a tese de “mera coincidência no patrulhamento ordinário”. Segundo a manifestação do órgão, não é possível supor que duas equipes de Força Tática tenham realizado seguidos contatos e aproximações atípicas com o mesmo Ford Fusion em apenas 44 minutos e num perímetro restrito, o que enfraquece a justificativa de rotina operacional do policiamento.
“O caráter excepcional desse duplo engajamento tático, em tão curto espaço de tempo e com guarnições que não realizam radiopatrulha comum de 190, fragiliza sobremaneira a tese de regularidade e casualidade administrativa levantada pela corporação”, escreveu o procurador regional eleitoral Paulo Taubemblatt no documento.
Palanques de Lula: Haddad e Patrus lideram os repasses feitos pelo PT a candidatos ao governo e refletem prioridade dada ao Sudeste
O teor do despacho embasou as declarações concedidas por Haddad nesta segunda-feira (31). Em pronunciamento a jornalistas, o petista rebateu a tese das autoridades estaduais de que nenhuma abordagem havia ocorrido contra seu condutor, Alessandro Caseri, e divulgou um levantamento técnico formulado por seus assessores para instruir o inquérito policial em curso no 96º Distrito Policial.
Imagem analisada pela perícia mostra policial próximo a local onde motorista de Haddad estava estacionado em frente a hotel na Vila Mariana
Reprodução
Para Haddad, as conclusões periciais e o posicionamento do MPF desmentem a narrativa dos órgãos estaduais. O candidato sustentou que o material anexado aos autos comprova a permanência de um veículo da corporação por 20 minutos diante do hotel onde o motorista aguardava, na Zona Sul da capital.
— Estou falando de um episódio que o procurador eleitoral disse ser inverossímil a narrativa oficial. As 50 câmeras que foram vistas pelo governador, pelo visto não eram as câmeras que importavam, porque o que importa, que está no inquérito, demonstra de maneira taxativa que não foi isso que aconteceu. A viatura parou e ficou 20 minutos estacionada lá — disse.
O advogado Thiago Rocha detalhou que os incidentes começaram quando o ex-ministro chegava à sua moradia, momento em que uma primeira guarnição cruzou pelo automóvel. Em seguida, Caseri teria sido emparelhado ao longo da Avenida 23 de Maio por outra patrulha. Mais tarde, nas cercanias do Hotel Pullman, três agentes teriam desembarcado de uma viatura, posicionado-se junto à porta traseira do veículo e ordenado que o profissional abandonasse o local imediatamente.
Haddad também apontou lentidão na oitiva formal de Caseri e relatou o encerramento do diálogo com a cúpula da Segurança Pública. Segundo o político, os contatos mantidos com o delegado Osvaldo Nico cessaram logo após o motorista alertar que os vídeos divulgados pelos investigadores não correspondiam aos ângulos reais do incidente, o que forçou a defesa a requerer novas gravações.
Procurada para comentar as manifestações e o parecer do Ministério Público, a Secretaria de Segurança Pública informou que prepara uma resposta formal.

