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Produtora de Dark Horse, alvo de operação da PF, diz ser pressionada a delatar: 'Não serei novo Mauro Cid'

A produtora do filme “Dark Horse”, sobre a trajetória do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), afirma se sentir pressionada a fazer uma delação premiada, mas não ter quaisquer informações para incriminar alguém. Karina Gama foi um dos alvos nesta semana da Operação Make Up, da Polícia Federal, autorizada pelo ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Flávio […]

Proximidade com Mario Frias, 'estreante' no cinema: quem é Karina Gama, alvo de operação da PF que mira filme de Bolsonaro


A produtora do filme “Dark Horse”, sobre a trajetória do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), afirma se sentir pressionada a fazer uma delação premiada, mas não ter quaisquer informações para incriminar alguém. Karina Gama foi um dos alvos nesta semana da Operação Make Up, da Polícia Federal, autorizada pelo ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Flávio Dino, que apura o desvio de emendas parlamentares para a obra. Em entrevista à CNN Brasil, ela negou irregularidades e disse que os contratos fechados pela produtora são protegidos por cláusulas de sigilo e confidencialidade.
Na entrevista, Karina relatou ter sido procurada por um advogado e um pastor que ofereciam auxílio caso quisesse delatar. Ela destacou que pretende colaborar com as investigações, desde que as autoridades sigam os procedimentos legais. A produtora relatou ameaças — que teriam partido de pessoas com quem teve relações pessoais e profissionais — e confirmou ter a sensação de que poderia se tornar uma espécie de “novo Mauro Cid”, em referência ao ex-ajudante de ordens de Jair Bolsonaro cuja delação contribuiu para a condenação do ex-chefe na trama golpista.
— Quando você me pergunta a minha sensação da operação e da condução das investigações, eu entendo que é como se eu fosse o próximo Mauro Cid. Que eu preciso incriminar pessoas — afirmou ela, segundo quem sua participação no caso se limitou à produção de “Dark Horse” e projetos sociais. — Não vou [ser o próximo Mauro Cid] […] porque eu não tenho como incriminar ninguém. Eu não tenho, eu não vi, eu não participei de nada que incrimine pessoas. Tudo que a gente fez foi um filme.
A produtora atribuiu o que vem enfrentando a preconceito, ganância e perseguição política.
— Eu fico numa situação que me deixa com medo. Porque eu não estou falando do projeto, eu tenho que falar o que querem ouvir, senão vão fazer da minha vida um inferno. Senão vão misturar tudo da minha vida e vão falar que é a mesma coisa — disse. — Eu não fui contratada para captar recursos. Eu fui contratada para produzir.
Além da investigação sob relatoria de Dino, outra apuração no STF, sob condução do ministro André Mendonça, apura os repasses de Daniel Vorcaro feitos a pedido do senador Flávio Bolsonaro (PL). À CNN Brasil, Karina negou que a produção tenha envolvido recursos de emendas parlamentares e que tivesse relação direta com o ex-banqueiro, hoje preso por fraude à frente dos negócios do Banco Master. A produtora disse que o investidor inicial do projeto foi o fundo Havengate e reconheceu que o orçamento foi refeito após a decupagem do roteiro.
Segundo ela, o orçamento foi reduzido, o projeto foi adaptado, e o fundo realizou uma “due diligence” sobre a produtora e seus responsáveis. Karina ponderou que, entre suas atribuições, não estava investigar a origem dos recursos do Havengate.
— Eu não participei do fundo. Eu nunca participei do fundo e não era o meu papel. O meu papel ali era contratada do fundo — destacou ela, que citou ter focado na execução da obra após as etapas iniciais. — O fundo me validou, aprovou meu projeto, aprovou o orçamento, agora eu vou produzir.
Karina Gama nunca havia trabalhado com cinema antes de “Dark Horse”. Antes da “estreia” no ramo, a experiência principal de Karina era no terceiro setor, mas nos últimos anos ela passou a firmar contratos de cifras altas com a prefeitura de São Paulo, diversificou os negócios e abriu uma holding em Aracaju. Tudo isso coincide com uma aproximação com o deputado federal Mário Frias (PL-SP), roteirista do filme sobre Bolsonaro e outro alvo da operação da PF desta quinta.
Na entrevista, Karina disse que os problemas financeiros para custear o filme começaram no fim de 2025, quando a produção estava em andamento e já tinha grande estrutura envolvida. Ela disse que, ao todo, foram gastos US$ 13,3 milhões.
— Tudo dinheiro privado — afirmou.
Em delação premiada homologada esta semana por André Mendonça, o doleiro Antônio Carlos Freixo Júnior contou ter feito sete transferências, no total de US$ 12,3 milhões, ao fundo Havengate, sob ordens de Vorcaro e após os pedidos do filho do ex-presidente. Ela negou relação com o ex-banqueiro.
— O Vorcaro não deu nenhum centavo para a produtora. Não existiu nenhuma relação da produtora com o Vorcaro. Não existiu nenhuma relação da produtora com as empresas do Vorcaro — disse Karina, que relatou ter descoberto o nome da empresa investidora do fundo pela imprensa.

Produtora de Dark Horse, alvo de operação da PF, diz ser pressionada a delatar: 'Não serei novo Mauro Cid'

Autor

BRCOM