Aos 15 anos, Lorena Nemezio de Lima veste a camisa do São Paulo Futebol Clube como atleta de handebol. O primeiro contato com a modalidade, porém, aconteceu na Rede Olímpica da Prefeitura de São Paulo, no Centro Esportivo Pirituba. Ela chegou para treinar vôlei, mas acabou experimentando o handebol e encontrou o caminho para o alto rendimento.
— O programa foi o início de tudo, porque sem ele eu nunca teria chegado onde estou hoje —conta.
A trajetória de Lorena ilustra o objetivo da iniciativa da prefeitura de transformar os centros esportivos municipais em portas de entrada para atletas com potencial esportivo.
– Nosso diferencial é oferecer treinamento gratuito com professores qualificados em toda a cidade – afirma a Secretária Municipal de Esportes e Lazer, Érika Coimbra.
Criada em 2021 pela Secretaria Municipal de Esportes em parceria com o Instituto Movimento, a Rede Olímpica ampliou em 125% o número de participantes entre 2023 e 2025 e hoje atende 1.428 crianças e adolescentes de 5 a 18 anos em diferentes regiões da cidade.
Desde 2023, 107 alunos foram encaminhados ao Centro Olímpico de Treinamento e Pesquisa (COTP), referência na formação de atletas de ponta, ou a outras equipes esportivas e clubes de alto rendimento. Cerca de 200 jovens vinculados ao projeto também já disputaram competições estaduais, nacionais e internacionais.
A Rede Olímpica utiliza estrutura dos mais de 40 centros esportivos municipais que reúnem aproximadamente 1 milhão de usuários cadastrados. O projeto está presente em polos como Cambuci, Pirituba, Guarapiranga, José Bonifácio, Vila Curuçá, o programa também está nos dois dos maiores complexos esportivos e de lazer da capital, o Centro Esportivo, Recreativo e Educativo do Trabalhador (CERET) e o Centro de Práticas Esportivas da Universidade de São Paulo (Cepeusp).
Ao longo do ano, também são realizados encontros de integração entre os polos, além de competições que envolvem o Centro Olímpico.
A meta é implantar mais seis polos até 2028. Para a prefeitura, a estrutura amplia o acesso ao esporte de rendimento na cidade e contribui para equalizar oportunidades entre jovens de diferentes regiões.
– Mais do que formar atletas, a Rede Olímpia incentiva a inclusão, disciplina, saúde e desenvolvimento pessoal, transformando vidas e fortalecendo o esporte na cidade de São Paulo – diz Érika.
/i.s3.glbimg.com/v1/AUTH_da025474c0c44edd99332dddb09cabe8/internal_photos/bs/2026/X/g/JBHGJzSByE2GAiVlxbjg/foto-2.jpeg)
Hoje, a Rede Olímpica oferece modalidades como basquete, boxe, canoagem, futebol, ginástica artística, handebol, judô, luta olímpica, tênis de mesa, vela e vôlei. A proposta é incentiva a vivência em diferentes esportes para que crianças e adolescentes possam descubro habilidades e interesses antes de seguir um esporte específico.
O desenvolvimento dos alunos é acompanhado por técnicos e coordenadores especializados, que identificam potenciais talentos para o esporte competitivo. Atualmente, 32 profissionais atuam no programa, que combina formação esportiva com desenvolvimento de valores como disciplina, responsabilidade, convivência e trabalho em equipe.
Segundo a prefeitura, cada polo tem autonomia para adaptar as atividades às características locais e dos participantes.
O treinador de handebol Rodrigo Kenji explica que a formação vai além do desempenho técnico e inclui aspectos coletivos e individuais.
– Nas questões técnicas, ensinamos desde os conceitos básicos, como finta, passe, recepção e jogo de desmarque, até aspectos mais complexos da parte tática. Já no aspecto coletivo e psicológico, buscamos fazer com que ele entenda que o handebol é um esporte em equipe e que depende dos colegas para jogar – diz.
/i.s3.glbimg.com/v1/AUTH_da025474c0c44edd99332dddb09cabe8/internal_photos/bs/2026/P/C/IcBsduQ3qil9XVUw9RLA/whatsapp-image-2026-06-26-at-14.23.24.jpeg)
Em modalidades menos populares no país, a iniciativa tem papel ainda mais relevante. Para Gil Leon Lima Diniz da Silva, treinador de luta olímpica, a Rede ampliou as possibilidades de formação para jovens que dificilmente teriam acesso a esse tipo de estrutura.
– O programa tem grande valor porque oferece não apenas o esporte como recreação, mas também com foco competitivo e na formação de atletas – defende.

