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setembro 30, 2026
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Protestos de estudantes se espalham pela França e deixam mais de 400 detidos em confrontos com a polícia

Por · setembro 30, 2026
Protestos de estudantes se espalham pela França e deixam mais de 400 detidos em confrontos com a polícia


A mobilização de estudantes do ensino médio contra as condições das escolas se espalhou pela França e terminou em confrontos com a polícia nesta terça-feira. Ao menos 440 pessoas foram detidas, a maioria menores de idade, segundo o ministro do Interior, Laurent Nuñez. O governo contabilizou 416 estabelecimentos afetados por bloqueios ou interrupções das atividades ao longo do dia. Houve confrontos em cidades como Paris, Lille, Lyon, Bordeaux, Rennes, Nantes e Marselha.
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O movimento começou na região de Paris na semana passada e ganhou força nos últimos dias, com estudantes reclamando da falta de professores e funcionários, do tamanho das turmas e de jornadas consideradas excessivas. Em um dos cartazes exibidos por alunos de uma escola no norte de Paris, a rotina das aulas era resumida assim: “8h-18h. Mais horas de aula do que de sono”.
Em Lille, no norte do país, estudantes incendiaram lixeiras e lançaram garrafas, pedras e outros objetos contra policiais. As forças de segurança usaram gás lacrimogêneo depois que manifestantes também danificaram abrigos de ônibus e painéis publicitários. No Rhône, região onde fica Lyon, bloqueios e tentativas de bloqueio atingiram escolas de diferentes cidades.
Segundo Nuñez, 48 policiais ficaram feridos durante os confrontos em todo o país. O ministro afirmou ainda que houve sete episódios em que ácido clorídrico foi lançado contra agentes. Dos 440 detidos, cerca de dois terços haviam sido colocados sob custódia policial até o momento do anúncio.
Confrontos ampliam pressão sobre o governo
A atuação das forças de segurança também passou a ser alvo de críticas. Em Seine-Saint-Denis, na periferia de Paris, o prefeito Bally Bagayoko participou de um protesto com centenas de estudantes em frente ao Lycée Paul-Eluard. Ele classificou as reivindicações como legítimas e afirmou que regiões de menor renda recebem menos recursos do que áreas mais ricas.
Em outro episódio, um estudante de 14 anos ficou ferido no rosto durante uma intervenção policial nos arredores de uma escola na região parisiense. O caso levou à abertura de uma investigação pela Inspeção-Geral da Polícia Nacional (IGPN), responsável por apurar a atuação dos agentes.
O primeiro-ministro Sébastien Lecornu condenou os episódios de violência e afirmou que incêndios e confrontos próximos às escolas colocam estudantes, funcionários e policiais em risco. “Nada justifica colocar em perigo estudantes, funcionários ou policiais”, escreveu nas redes sociais.
A resposta provocou reação de Jean-Luc Mélenchon, líder do partido de esquerda França Insubmissa (LFI), que acusou o governo de promover uma repressão aos estudantes e afirmou haver um “claro tom racista” na atuação policial. Lecornu respondeu que a intervenção de Mélenchon era uma “escalada irresponsável” e afirmou que representantes eleitos deveriam proteger os jovens e pedir calma.
Os protestos ocorrem paralelamente a uma mobilização nacional de servidores públicos contra o projeto de orçamento para 2027. Professores estão entre as categorias que aderiram à greve, ampliando a pressão sobre o governo francês. Organizações estudantis anunciaram novos bloqueios para os próximos dias e prometem manter a mobilização em defesa de mudanças nas condições das escolas.

Protestos de estudantes se espalham pela França e deixam mais de 400 detidos em confrontos com a polícia