O Partido dos Trabalhadores (PT) protocolou, nesta terça-feira, ações judiciais contra o senador e pré-candidato à Presidência Flávio Bolsonaro e o PL. Nos documentos endereçados à Procuradoria-Geral da República (PGR) e ao Ministério Público Federal (MPF), a sigla sustenta que o filho do ex-presidente Jair Bolsonaro e a legenda dele teriam beneficiado o governo dos Estados Unidos e desrespeitado a soberania nacional brasileira em carta enviada ao secretário de Estado americano, Marco Rubio, neste mês.
Aliado de Jaques Wagner: Governador descarta afastar enteado de senador de cargo no estado após PF apontar elo com Master
De Silvia Abravanel a Datena: Apresentadores precisam deixar TV até esta terça-feira para disputar as eleições
De acordo com a coluna da jornalista Malu Gaspar, a correspondência foi enviada no dia 23 de junho em resposta à carta do início de junho em que Flávio fez um apelo para os Estados Unidos não adotarem um novo tarifaço contra o país.
Na mensagem, segundo o blog, o senador alegou que a imposição de novas sanções à economia brasileira pelo governo Trump traria “sérios danos” à população e disse estar confiante na sua vitória na eleição presidencial de outubro, o que poderia redefinir as relações entre Brasília e Washington.
Em seguida, Rubio reforçou, em uma carta enviada a Flávio, a posição do governo Donald Trump de defender a imposição de tarifas ao Brasil.
Para o PT, o “conteúdo expõe, com clareza, que houve tratativa direta entre um parlamentar brasileiro e potência estrangeira, na qual o agente público nacional parece ter oferecido, como contrapartida ou gesto de aproximação e auxílio em campanha eleitoral por Estado estrangeiro, dados e informações tratadas como sigilosas pelo Estado brasileiro”.
“A oferta de uma ‘equipe de transição’ a governo estrangeiro, partindo de quem ocupa cadeira no Senado Federal e pode deter, em razão do infra exposto, acesso a informações sensíveis do Estado brasileiro, exige que se investiguem, ao menos, a prática dos crimes a seguir apontados”, afirma o PT.
Segundo a sigla, os fatos narrados “não podem ser tratados como mero episódio de retórica eleitoral ou de diplomacia paralela”. O PT entende que Flávio utilizou sua condição de senador e de pré-candidato para negociar diretamente com o governo americano.
“São esses os fatos que, pela gravidade e pela repercussão sobre bens jurídicos da mais alta envergadura — a soberania nacional e a probidade no exercício de função pública —, reclamam apuração imediata”, diz o PT.

