Após a prisão do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), circulam em grupos de WhatsApp ligados ao PT orientações que pedem para que o assunto seja abordado nas redes sociais “sem tirar sarro demais” e de maneira a não relacionar o caso ao presidente Lula. As diretrizes, passadas para militantes e influenciadores que produzem conteúdo em defesa do governo, também pedem para que os posts destaquem “todos os crimes” do ex-mandatário e relembram posicionamentos dele durante a pandemia e o tarifaço anunciado pelos EUA.
Entre os conteúdos sugeridos, há, por exemplo, vídeos que explicam o motivo da prisão, retomam trechos do julgamento da trama golpista e mostram imagens da tornozeleira eletrônica usada por Bolsonaro violada com “o ferro quente”. Além disso, são sugeridos posts que afirmam que o ex-presidente “não é alvo de perseguição”, rebatendo falas repetidas por apoiadores e aliados após a prisão, mas sim “a Justiça sendo feita”. “Bandido bom é bandido preso” e “remédio para golpista é cadeia”, dizem as publicações.
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Também foram sugeridos vídeos que destacam a atuação do ex-presidente durante a pandemia e em apoio ao tarifaço anunciado pelos EUA sobre os produtos americanos, além de conteúdos que sugerem que ele manteria “relações com milicianos” no Rio de Janeiro. A estratégia de retomar esses temas foi publicizada a partir de uma mensagem divulgada por uma das administradoras de um canal de mensagens no WhatsApp ligado ao partido.
“Temos que aproveitar o momento e lembrar que Bolsonaro não é vítima, ele é culpado por muitos crimes que marcaram a história recente do Brasil (mais de 700 mil mortos na pandemia; casos de corrupção; rachadinha; plano para matar o presidente Lula, o vice Alckmin e o ministro Alexandre de Moraes)”, diz o texto. A mensagem também orienta os integrantes do grupo “a não cair na tentação de tirar sarro demais para não contribuir com a vitimização de Bolsonaro” e “a não postar memes com o presidente Lula na mesma cena”. “Essa é uma decisão das autoridades e órgãos da justiça brasileira”, acrescenta.
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Como mostrou o GLOBO, o grupo foi criado como parte de uma iniciativa lançada pelo PT em julho para divulgar a campanha pela taxação dos super-ricos, diante da articulação para o avanço no Congresso da proposta de isenção do Imposto de Renda para quem recebe até R$ 5 mil. Desde então, o canal tem sido usado para organizar e orientar a resposta da militância a favor do governo, reativado em momentos como a campanha em prol da soberania nacional, criada em resposta ao presidente americano Donald Trump, e durante a discussão no Congresso do PL Antifacção, aprovado na semana passada.
A prisão também provocou reações de parlamentares de esquerda, como o líder do PT na Câmara, Lindbergh Farias (RJ). Em um post no X, ele escreveu que a data seria um “grande dia”, em referência à frase usada por Bolsonaro em 2019, após a renúncia do ex-deputado federal Jean Wyllys (PSOL).
A mesma expressão foi usada pela líder do PSOL na Câmara, Talíria Petrone (RJ), que acrescentou que “hoje o alarme tocou diferente”. “Era a notícia de Bolsonaro preso iluminando a manhã”, afirmou. A notícia também chegou a ser compartilhada pelo perfil oficial do PT.
Além deles, a deputada federal Jandira Feghali (PCdoB) disse que a prisão “reafirma que ninguém está acima da lei” e que “a democracia exige responsabilidade, respeito às instituições e consequência para quem atentou contra elas”. O deputado federal Glauber Braga (PSOL-RJ), por sua vez, disse que “ainda existem duras batalhas pela frente”, incluindo a responsabilização “dos financiadores golpistas e oficiais cúmplices da tentativa de fechamento de regime”.

