Em uma eleição marcada pela estratégia de ampliar alianças para fortalecer os palanques de Lula nos estados, o PT terá o menor número de candidaturas de sua série histórica em 2026. A legenda registrou 1.097 candidatos, segundo dados do TSE, 32,7% abaixo do pico alcançado em 2002, quando Lula foi eleito pela primeira vez.
O partido saiu de 1.254 candidaturas em 1994 e chegou ao pico em 2002, com 1.630 candidatos, quando Luiz Inácio Lula da Silva foi eleito pela primeira vez.
Na reeleição de Lula, em 2006, esse número recuou para 1.200, e voltou a crescer para 1.402 em 2010. Desde então, o PT tem enfrentado uma trajetória de redução no número de candidaturas: foram 1.366 em 2014, 1.313 em 2018, 1.119 em 2022 e 1.097 em 2026. Antes disso, o menor número de candidaturas havia sido em 1998, com 1.109.
Com os 1.097 candidatos deste ano, a sigla do presidente Lula é apenas o oitavo partido com mais candidatos. O PL de Flávio Bolsonaro lidera a lista, seguido por MDB e Novo.
O contraste com 2002, quando Lula disputou sua quarta eleição presidencial e o PT alcançou o recorde de 1.630 candidaturas, ajuda a dimensionar a mudança na estratégia eleitoral da legenda. Em 2026, enquanto Lula busca o quarto mandato presidencial, o partido terá 533 candidatos a menos do que naquele pleito e disputará os governos estaduais com menos da metade das candidaturas próprias de 2002.
Este ano terá o menor número de cabeças de chapa do PT nas disputas aos governos estaduais desde 1994.
A legenda terá 12 candidatos próprios aos governos estaduais em 2026, o menor número registrado nos ciclos eleitorais em que Lula disputou. O pico foi com 25 candidaturas em 2002, quando Lula foi eleito pela primeira vez: eram 18 em 2006 e 13 em 2022.
A estratégia é usar os palanques estaduais para atrair apoio de políticos de centro em partidos que têm divisões internas, como MDB e PSD. As eleições de Alagoas são um exemplo, onde Lula apoia seu ex-ministro dos Transportes Renan Filho (MDB) na disputa pelo governo estadual. O partido também fechou aliança com o MDB para candidatura da sigla ao governo do Pará.
O mesmo ocorreu no Rio de Janeiro, onde Lula apoia a candidatura de Eduardo Paes (PSD), e no Amazonas, onde Omar Aziz também mantém aliança com o governo.
A legenda de Lula também tem apelado para alianças estaduais com outros partidos de esquerda para não perder espaço para a direita. Além da disputa presidencial, PT e PSB estarão juntos em chapas estaduais em 21 dos 27 estados (em 2022 foram 17; em 2018, 9).
A sigla ainda ampliou a presença conjunta com PSOL e Rede. Os dois partidos estarão em chapas com o PT em oito estados neste ano, contra cinco em 2022 e quatro em 2018.
A diminuição das candidaturas do PT neste ano segue uma tendência geral, O número de candidaturas nas eleições caiu pela primeira vez desde 2006. Segundo o TSE, houve uma redução de 29,7% no número de candidatos a cargos públicos na comparação com o último pleito federal, em 2022. Os postulantes caíram de 29.262, em 2022, para 20.530, na disputa deste ano.

