Pular para o conteúdo
setembro 28, 2026
BRcom
Dólar PTAXR$ 5,1985
News

Quais estados têm mais motoristas com restrição na CNH? Veja o ranking nacional

Por · setembro 28, 2026
CNH automática para 'bom condutor' vira lei: saiba como obter o benefício


Um levantamento da Associação Brasileira de Medicina de Tráfego (Abramet), divulgado nesta segunda-feira (28), mostra que São Paulo concentra o maior número de Carteiras Nacionais de Habilitação (CNHs) com anotações no Brasil. Entre 2015 e 2024, foram identificados 36.482 documentos no estado, o equivalente a 12,6% do total. Quando os dados são considerados em relação à população, no entanto, Rondônia aparece na liderança, com 658 CNHs anotadas a cada 100 mil habitantes.
Na lista em números absolutos, Paraná aparece em segundo lugar, com 19.429 CNHs (6,71%), seguido por Minas Gerais, com 18.920 (6,54%). Juntos, os três estados concentram 25,8% das 289.503 carteiras com algum tipo de anotação identificadas pelo levantamento.
Quando o número de CNHs anotadas é comparado à população de cada estado, o cenário muda. Depois de Rondônia, aparecem Tocantins, com 526 carteiras a cada 100 mil habitantes; Mato Grosso do Sul, com 471; Acre, com 469; e Amapá, com 417.

Os dados mostram também uma mudança no perfil das anotações ao longo da década. Em 2015, a exigência de lentes corretivas era a mais frequente nas regiões Norte, Nordeste e Sudeste. Em 2024, a exigência de veículo com transmissão automática passou a ocupar a primeira posição nas cinco regiões do país.
As variações entre 2015 e 2024 foram mais acentuadas em algumas regiões e tipos de adaptação. No Norte, por exemplo, a anotação de veículo com empunhadura, manopla ou pomo no volante aumentou 209,4%, enquanto a relacionada ao prolongamento da alavanca de câmbio e almofadas de compensação cresceu 230%. No Centro-Oeste, a anotação de motocicleta com automação da troca de marchas teve alta de 245,4%. No Nordeste, o crescimento nessa categoria foi de 212%.
— Essas diferenças regionais ocorrem por causa do poder aquisitivo. Não há outra explicação a não ser por fatores econômicos, da disponibilidade de aquisição desses veículos —
Também houve reduções em determinadas anotações. A de capacete com viseira protetora sem limitação do campo visual caiu 95,1% no Sul e 43,2% no Nordeste. Na categoria “outras”, a redução foi de 99,5% no Sul e de 43,6% no Nordeste.
Tipos de anotação
Uma mesma CNH pode reunir mais de uma restrição ou exigência. Por isso, embora o levantamento tenha identificado 289.503 documentos com anotações entre 2015 e 2024, foram registrados 861.504 apontamentos, uma média de 3,0 anotações por carteira.
As exigências relacionadas à adaptação dos veículos são maioria e representam 68,1% das anotações. Entre as mais frequentes está a obrigatoriedade de veículo com transmissão automática, que troca as marchas sozinho sem que o motorista precise usar um pedal de embreagem, com 131.674 registros (15,3%). Segundo o diretor científico da Abramet, Flávio Adura, a frequência está relacionada ao fato de que diferentes tipos de deficiência podem exigir essa adaptação.
— Se você tem uma amputação da perna direita, o acelerador vai ter que estar à esquerda, mas tem que ter um carro automático. Todas as deficiências envolvem-na, por isso que é tão frequente a transmissão automática, porque, qualquer que seja a deficiência, ela é incorporada, às vezes, isoladamente e, na maioria das vezes, com outras adaptações — explica.
Ele explica que pessoas com deficiência são obrigadas a dirigirem veículos adaptados e, por isso, adquirem o direito às isenções de impostos, tanto na compra quanto na manutenção, como o IPVA.
Logo atrás, vem a necessidade de adaptação da direção hidráulica, com 101.859 (11,8%), e da embreagem manual ou transmissão automática, com 57.286 (6,6%). Também aparecem exigências como empunhadura, manopla ou pomo no volante, com 51.254 registros (5,9%), e acelerador e freio manuais, com 46.179 (5,4%).

Adura aponta três fatores para o aumento das adaptações veiculares: o avanço da tecnologia, o maior acesso da população a carros adaptados e a obrigatoriedade de que os exames sejam realizados por especialistas em medicina do tráfego.
— Houve uma maior facilidade no acesso ao carro adaptado, algo que, até alguns anos atrás, era muito difícil para parte da população. Também tivemos um avanço tecnológico, com veículos que passaram a permitir que pessoas com deficiências moderadas e graves possam dirigir. Esses profissionais especializados têm mais informações sobre medicina do tráfego e conseguem aplicar as restrições adequadas, permitindo que pessoas possam dirigir, apesar das condições de saúde, com segurança — observa.
As anotações relacionadas a condições clínicas e ambientais correspondem a 30,6% do total. A mais frequente é a exigência de lentes corretivas, com 124.840 registros (14,5%). Em seguida aparecem visão monocular, com 45.685 (5,3%), surdez, com 25.056 (2,9%), e prótese auditiva, com 20.657 (2,4%).
Também há restrições relacionadas às condições de condução. Entre elas estão a proibição de dirigir em rodovias e vias de trânsito rápido, com 21.448 registros (2,5%), e a vedação de dirigir após o pôr do sol, com 17.074 (2,0%).
No caso das motocicletas, o levantamento registra exigências como carro lateral ou triciclo, com 30.356 anotações (3,5%), automação da troca de marchas, com 28.308 (3,3%), e adaptação do pedal do freio traseiro, com 16.737 (1,9%).
De acordo com Meira, o aumento no número reflete a efetividade dos exames. O presidente da Abramet destaca que a identificação das necessidadades feita pelos profissionais impede que condutores dirijam sem as devidas condições.
— Essas pessoas estão conseguindo mecanismos que as permitem continuar dirigindo com segurança. O aumento pode significar que mais necessidades sendo identificadas e mais pessoas habilitadas em condições compatíveis com a saúde. Se não tivéssemos esses exames, muitos estariam se habilitando sem as obrigatoriedades — pontua.
Anotações se concentram entre condutores mais velhos
A distribuição das CNHs com anotações varia de acordo com a idade. Mais da metade dos documentos com algum tipo de restrição ou exigência (53,7%) pertence a condutores com 45 anos ou mais. Foram 83.742 na faixa de 45 a 59 anos (28,9%) e 71.933 entre pessoas com 60 anos ou mais (24,8%).

Entre os registros de anotações, algumas restrições se tornam proporcionalmente mais frequentes nas faixas etárias mais avançadas. É o caso da exigência de lentes corretivas, que representa 17,6% das anotações entre condutores com 60 anos ou mais, contra 12,1% entre aqueles de 35 a 44 anos. A prótese auditiva também aparece mais entre os mais velhos: corresponde a 3,9% dos registros entre pessoas com 60 anos ou mais, ante 1,7% entre 35 e 44 anos.
As restrições relacionadas às condições de condução apresentam diferença ainda mais acentuada. Entre os condutores com 60 anos ou mais, a proibição de dirigir em rodovias e vias de trânsito rápido representa 5,1% das anotações, contra 1,4% entre aqueles de 35 a 44 anos. A vedação para dirigir após o pôr do sol corresponde a 4,1% dos registros entre os mais velhos, ante 1,1%.
— Nós sabemos que a população brasileira está envelhecendo e temos hoje um número considerável de condutores idosos. Temos motoristas dirigindo aos 80 e até aos 90 anos, com condições de saúde que permitem que continuem ao volante. Muitos deles, porém, precisam ser considerados aptos com restrições. O uso de óculos, por exemplo, é necessário para grande parte deles, assim como, em muitos casos, aparelhos auditivos. Essas restrições estão relacionadas, em grande medida, ao avanço da idade — explica Adura.
Homens são maioria entre condutores com anotações
Os homens representam a maior parte dos condutores com CNHs anotadas no período, com 65,2%, contra 34,8% de mulheres. Entre as anotações, também há diferenças de acordo com o sexo. A exigência de lentes corretivas, por exemplo, corresponde a 16,5% dos registros entre elas, ante 13,4% entre eles. A exigência de veículo com transmissão automática também aparece mais entre elas, com 16,2% das anotações, contra 14,8% entre eles

As adaptações para motocicletas, por outro lado, são mais frequentes entre os homens. A exigência de motocicleta com carro lateral ou triciclo representa 4,5% dos registros, ante 1,6% entre as mulheres. Já a automação da troca de marchas corresponde a 3,8% das anotações masculinas e 2,3% das femininas.
Segundo Adura, a maior presença masculina entre os condutores com limitações funcionais pode estar relacionada à maior exposição dos homens a situações de risco. Ele afirma que, entre as deficiências adquiridas, estão casos decorrentes de ferimentos por armas de fogo ou armas brancas e de sinistros de trânsito.
— A deficiência física é mais frequente no sexo masculino. O homem tem mais deficiência pela exposição ao risco, pelo exercício de determinadas profissões. As mais frequentes no Brasil são as deficiências adquiridas — afirma.

Quais estados têm mais motoristas com restrição na CNH? Veja o ranking nacional