O carioca já se acostumou a levantar os olhos em direção ao Cristo Redentor e vê-lo brilhar em cores. Ao longo do ano, ações de iluminação e projeções no monumento servem como alerta para causas relevantes à sociedade, como prevenção de doenças e conscientização sobre direitos e proteção social. Outras buscam a atenção para algum evento, lançamento de produto ou data comemorativa.
A primeira campanha do tipo aconteceu em 2008, por ocasião do Outubro Rosa — mobilização para prevenção e diagnóstico precoce do câncer de mama. Por sugestão da socialite carioca Gisella Amaral, o Santuário decidiu apoiar a causa e apontou para a estátua os antigos refletores cobertos por películas de gelatina cor de rosa, para acender o alerta sobre a doença.
— Eu e Gisella fomos ao Saara para comprar o material que cobriria os refletores. O evento não podia passar de 20 minutos, porque aquele negócio que a gente colocava em cima, que dava a cor, derretia — conta o padre Omar Raposo, reitor do Santuário Cristo Redentor. Segundo ele, o monumento já tinha sido iluminado anteriormente, mas sem ligação com alguma causa.
Desde então, o Cristo anualmente ganha as cores de campanhas como Setembro Amarelo (saúde mental e prevenção ao suicídio), Novembro Azul (câncer de próstata) e o Dia Mundial de Luta contra a Aids, em dezembro. Há também iluminações relacionadas à conscientização sobre violência doméstica e estímulo à informação e denúncia (Agosto Lilás).
Embora a iluminação seja a principal forma de chamar a atenção para as causas, o movimento contrário também serve para mobilizar. Em maio de 2023, o monumento teve suas luzes apagadas por uma hora, em solidariedade ao jogador Vinicius Jr., vítima de racismo durante uma partida do Real Madrid. Em suas redes sociais, o atleta comentou: “Preto e imponente. O Cristo Redentor ficou assim há pouco. Uma ação de solidariedade que me emociona”. A mesma ação já foi utilizada para alertar sobre o retinoblastoma, câncer infantil que pode levar à cegueira e à morte se não tratado.
Cristo Redentor se apagou em repúdio aos ataques racistas sofridos pelo jogador brasileiro Vinícius Júnior, em 2023
Divulgação
Além das iniciativas de conscientização, há também ações propostas por empresas privadas, instituições públicas e do terceiro setor. Foram mais de 40 parcerias em 2025, relacionadas a eventos, lançamentos de produtos e alusões a datas comemorativas. Uma projeção marcou os cem dias que faltavam para a COP-30, por exemplo, exibindo as cores da bandeira brasileira e imagens estilizadas da fauna amazônica. Também no ano passado, a Bienal do Livro lançou sua programação aos pés do Cristo, que “vestiu” a camisa da feira.
Os eventos e ativações realizados no Cristo são sempre vinculados a contrapartidas sociais, que acontecem por meio de doações financeiras, de bens ou de alimentos, oferta de cursos e oficinas, atendimentos e serviços oferecidos à comunidade. Tudo isso se reverte para as obras desenvolvidas ou apoiadas pelo consórcio, que tem como braço social a Obra Social Leste Um — O Sol. Somente em 2025, foram mais de 45 mil atendimentos.
No caso da Bienal do Livro, a contrapartida se traduziu em doação de ingressos e credenciais para a feira. A parceria viabilizou a visita de crianças e adolescentes da Pastoral do Menor e do projeto Educagente, da Associação Beneficente São Martinho, que tiveram acesso a livros e atividades voltadas ao incentivo à leitura e ao apoio à formação educacional. Também por meio de contrapartida, foi possível promover a revitalização do Centro de Acolhimento à Mulher Nossa Senhora do Parto, projeto ligado ao Santuário Cristo Redentor, voltado a mulheres gestantes e puérperas em situação de vulnerabilidade social.
Quando o Cristo se ilumina para criar consciência
