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Queda livre, operação de 50h e troca de tiros: Piloto dos EUA que teve avião abatido no Irã fala pela primeira vez desde resgate

Um militar da Força Aérea dos Estados Unidos que teve sua aeronave abatida sobre o Irã em abril relatou pela primeira vez os momentos em que caiu em direção ao solo com o paraquedas danificado e as cerca de 50 horas que passou escondido até ser resgatado por forças especiais americanas. Identificado apenas como “Bravo”, […]

Queda livre, operação de 50h e troca de tiros: Piloto dos EUA que teve avião abatido no Irã fala pela primeira vez desde resgate


Um militar da Força Aérea dos Estados Unidos que teve sua aeronave abatida sobre o Irã em abril relatou pela primeira vez os momentos em que caiu em direção ao solo com o paraquedas danificado e as cerca de 50 horas que passou escondido até ser resgatado por forças especiais americanas. Identificado apenas como “Bravo”, ele classificou sua sobrevivência como “um milagre” em entrevista ao programa “60 Minutes”, da CBS News, exibida no domingo.
— Quando olhei para cima e não vi nenhum paraquedas, foi a coisa mais aterrorizante que já vi — disse, destacando que o equipamento foi danificado depois que a aeronave foi atingida. — “Queda livre” é uma boa maneira de descrever. Eu não estava concentrado na velocidade com que estava caindo. Estava focado em tentar corrigir os problemas que estavam diante de mim e em fazer qualquer coisa que pudesse para abrir ou soltar partes do paraquedas.
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Bravo afirmou que atingiu o solo a uma velocidade estimada entre 113 km/h e 161 km/h. O forte impacto provocou fraturas nas costas, em um braço e em um ombro, além de uma torção no tornozelo e escoriações com sangramento na cabeça e no rosto. Ainda assim, ele conseguiu caminhar e subir até uma elevação de cerca de 2,1 mil metros, enquanto tentava evitar ser localizado pelas forças iranianas, que haviam oferecido uma recompensa por sua captura.
— Nunca deixe a falta de motivação fazer você aparecer na TV iraniana — disse ele.
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Dois dias escondido
O militar era o oficial de sistemas de armas de um caça F-15E de dois lugares, avaliado em US$ 30 milhões (R$ 154 milhões), abatido por um míssil disparado do ombro que custa cerca de US$ 100 mil (R$ 516 mil), segundo a CBS. Os dois tripulantes ejetaram da aeronave, mas acabaram separados. O piloto, identificado pelo nome “Alpha”, foi resgatado poucas horas depois, enquanto Bravo permaneceu atrás das linhas iranianas por cerca de dois dias.
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Bravo contou que levava pouco mais do que uma pistola, um dispositivo de comunicação e um sinalizador de localização enquanto procurava um local onde pudesse permanecer escondido. Em determinado momento, disse, ele encontrou uma fenda na montanha e ficou sozinho no local por horas, enquanto militares americanos tentavam chegar até ele.
— Assim que encontrei um lugar que considerei capaz de oferecer alguma proteção, comecei a tentar estabelecer comunicação — contou a Norah O’Donnell, da CBS, descrevendo a primeira mensagem que conseguiu transmitir. — Quando chegou o momento em que pude avaliar e pensar em tudo pelo que havia passado, enviei “Deus é bom”.
Resgate complicado
O resgate mobilizou centenas de integrantes das Forças Armadas e dos serviços de inteligência dos Estados Unidos, incluindo membros de unidades de operações especiais como a Delta Force, do Exército, e o SEAL Team Six, da Marinha. Agentes da CIA também realizaram previamente uma operação de despistamento para confundir as forças iranianas.
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A CBS exibiu imagens tornadas públicas pelo Pentágono que mostram operadores da Força Aérea avançando em direção ao local onde Bravo estava escondido. Aeronaves americanas lançaram bombas na região enquanto os militares tentavam chegar até ele. Bravo não revelou o que os integrantes da equipe disseram quando finalmente o encontraram. O resgate de Alpha, o outro tripulante do F-15E, ocorreu em menos de seis horas e também envolveu intensos combates, segundo o secretário de Defesa dos EUA, Pete Hegseth.
— Foi uma troca de tiros durante todo o caminho de entrada e todo o caminho de saída — disse. — Mas eles trouxeram Alpha de volta.
A operação para retirar Bravo, por outro lado, enfrentou novos problemas depois que as forças americanas chegaram até ele. Duas aeronaves MC-130J de operações especiais que deveriam transportar os comandos e o militar para fora do Irã foram danificadas e ficaram presas na areia do deserto. Mais de 90 integrantes das forças especiais ficaram temporariamente isolados em território iraniano. Segundo Brad Cooper, do Comando Central dos EUA, foi a primeira vez em 46 anos que forças dos Estados Unidos operaram dentro do Irã.
Tecnologia destruída
Depois que os militares foram retirados, os Estados Unidos decidiram destruir as aeronaves avariadas para impedir que caíssem nas mãos do Irã e enviaram outros aviões para concluir a operação. Segundo a CBS, duas das aeronaves destruídas valiam cerca de US$ 100 milhões (R$ 516 milhões) cada. Vários helicópteros “Little Bird” também precisaram ser destruídos para evitar que sua tecnologia fosse obtida pelas forças iranianas. Bravo foi finalmente retirado do país cerca de 50 horas depois de sua aeronave ser abatida.
— Foi um dos melhores momentos da minha vida, e não sei como dizer isso de forma mais clara do que “obrigado” por tudo o que eles fizeram — afirmou.
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O Pentágono não divulgou publicamente a identidade dos dois tripulantes, alegando preocupações com a segurança deles e com a proteção de informações sensíveis. Alpha recusou-se a participar da entrevista concedida à CBS.
Segundo a CNN americana, que ouviu fontes familiarizadas com o assunto, Hegseth e indicados políticos do Departamento de Defesa pressionaram para que os dois militares participassem da entrevista exclusiva e amplamente divulgada. Segundo três fontes ouvidas pela emissora, ambos manifestaram reservas, enquanto integrantes das Forças Armadas demonstraram preocupação com a possível divulgação de detalhes sigilosos da operação.
A CNN também informou que indicados políticos do gabinete de Hegseth insistiram na realização da entrevista apesar das ressalvas apresentadas pela cadeia de comando militar. O principal porta-voz do Pentágono, Sean Parnell, no entanto, negou a informação.
“Toda essa história é uma completa mentira”, afirmou Parnell em comunicado. “A decisão de participar da entrevista coube exclusivamente a cada piloto. Como a CNN observa, um piloto decidiu participar e o outro não. Além disso, o Departamento tomou todos os cuidados para garantir que a segurança operacional, as fontes e os métodos fossem protegidos”.
A operação ocorreu cerca de cinco semanas depois do início da guerra contra o Irã, lançada pelos EUA e por Israel em 28 de fevereiro. Agora em seu sétimo mês, o conflito tornou-se cada vez mais impopular entre a população americana às vésperas do período de campanha para as eleições legislativas de meio de mandato. Na semana passada, o presidente americano, Donald Trump, previu que a guerra continuará pelo menos até o dia das eleições, em 3 de novembro.

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BRCOM