A deputada federal Camila Jara (PT-MS) foi acusada pelo deputado Nikolas Ferreira (PL-MG) de agressão durante um empurra-empurra na Câmara, na noite desta quarta-feira, em Brasília. O mineiro foi ao chão após um esbarrão na parlamentar do PT. Jara nega a agressão, alega que tem 1,60 metro de altura, pesa 49 quilos e está em tratamento contra um câncer, além de explicar reagir ao aperto da multidão.
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A parlamentar tem 30 anos e cumpre seu primeiro mandato como deputada federal. Ligada ao MST, ela foi eleita em 2022 com 56.552 votos, aos 27 anos, e é a única mulher da bancada do estado, além de mais jovem eleita. Atualmente, é vice-líder do PT na Câmara.
Antes, Jara foi vereadora em Campo Grande entre 2020 e 2022. Na última eleição, em 2024, foi candidata a prefeita na capital sul-mato-grossense, e terminou em quarto lugar, com 9,43% dos votos.
Formada em Ciências Sociais pela Universidade Federal do Mato Grosso do Sul (UFMS), Jara é ativista pelos direitos humanos, e tem perfis nas redes que, somados, chegam a 300 mil seguidores.
Em maio deste ano, a parlamentar anunciou o diagnóstico de um câncer na tireoide e precisou passar por duas cirurgias para a retirada total do tumor. Ela está em tratamento até o final deste ano.
Ontem, com a chegada do presidente da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB), seguranças e parlamentares iniciaram o processo de retirada dos manifestantes que ocupavam a mesa da presidência. Foi nesse contexto de empurra-empurra que aconteceu a queda de Nikolas Ferreira.
Nas redes sociais, o deputado afirmou ter sido agredido por Camila Jara. Em uma publicação, escreveu que “a esquerda age assim: te agride quando ninguém está vendo” e sugeriu que foi alvo de um golpe intencional. Vídeos do momento mostram, no entanto, um ambiente tumultuado, com grande movimentação de pessoas ao redor da cadeira da presidência.
Em nota oficial, Camila Jara negou qualquer tipo de agressão. A deputada, que tem 1,60 metro de altura, pesa 49 quilos e está em tratamento contra um câncer, afirmou que apenas reagiu ao aperto da multidão — segundo ela, como qualquer mulher reagiria ao ser pressionada por um homem num ambiente de confusão. Ela repudiou o que classificou como uma “campanha de perseguição” nas redes sociais.
A parlamentar também declarou que não se deixará intimidar pelo “ódio dos que desrespeitam a democracia” e que seguirá atuando com base no diálogo.
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A confusão entre Nikolas e Camila ocorreu após mais de 30 horas de obstrução por parte da oposição. Ao longo do dia, parlamentares bolsonaristas ocuparam a mesa da presidência da Câmara para pressionar pela inclusão imediata do projeto que amplia a anistia a manifestantes envolvidos nos atos golpistas de 8 de janeiro. O grupo se recusava a liberar os trabalhos até que a proposta fosse pautada.
A ocupação impediu a votação de outras matérias, como o projeto que amplia a faixa de isenção do Imposto de Renda para quem ganha até dois salários mínimos, considerado prioritário por deputados.