Por trás do reality show, há sempre um espelho social. E no centro do mais recente episódio do “Big Brother Verão”, em Portugal, estava uma mulher brasileira com sotaque firme, ideias afiadas e uma história que vai além das câmeras. Aos 34 anos, Ana Catharina foi eliminada pelo voto do público após um conflito com uma colega de confinamento que satirizou sua maneira de falar e sua saída desencadeou um debate urgente sobre xenofobia, identidade e pertencimento.
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Volta para tua terra”, foi a frase que se repetiu não só nas redes sociais, mas também nas ruas portuguesas que Ana percorre desde que escolheu viver fora do Brasil. A expressão, relatada por ela após a expulsão do programa, escancara o tipo de violência silenciosa e, por vezes, institucional que estrangeiros enfrentam, mesmo em países que compartilham a mesma língua.
A provocação veio da concorrente portuguesa Catarina Miranda, que ironizou o sotaque de Ana durante uma conversa. A reação da brasileira foi imediata: subiu na cadeira, colocou o pé na mesa e exigiu que a provocadora repetisse o que havia dito. O vídeo viralizou.
A tensão foi interpretada por parte do público como agressividade, e a brasileira acabou eliminada. Mas, para Ana, o episódio teve um peso bem mais profundo: “A minha reação é genuína. É uma reação de dor, porque só eu sei o que é ser constantemente atacada pelo meu modo de falar”, disse ela, visivelmente emocionada.
Ana Catharina não é exatamente uma novata na televisão portuguesa. Em 2020, ela participou da edição tradicional do “Big Brother”, onde ficou em quinto lugar. Durante aquele confinamento, mostrou firmeza nas pautas feministas, senso de humor e ganhou a empatia do público ao lidar, ainda dentro da casa, com a morte do pai, uma notícia recebida em rede nacional que comoveu espectadores de todo o país.
Atriz, produtora de eventos, professora de yoga, massoterapeuta, influencer e modelo, Ana se define como “uma mulher de mil ofícios”. Essa multiplicidade aparece também em sua vida online. No Instagram, onde soma mais de 100 mil seguidores, compartilha o cotidiano entre Portugal e o Brasil, reflexões políticas, looks provocadores, como os registros em que aparece com adesivos no lugar de biquíni, Le uma rotina que combina espiritualidade e provocação estética.
O Rio de Janeiro, sua cidade natal, continua sendo parada obrigatória em seu calendário afetivo. O carnaval carioca e o calor de Salvador, onde também costuma passar temporadas, são temas recorrentes nas postagens. Entre uma praia e outra, Ana segue construindo uma identidade própria, que não cabe nos moldes lusitanos nem nas expectativas da televisão tradicional.
“É muito fácil relativizar a gozação do sotaque quando não se vive essa dor. A discriminação aparece de forma sutil, e foi isso que me machucou”, comentou Ana após a eliminação. Ainda assim, ela não demonstrou arrependimento. “Eu não deveria ter colocado um pé na mesa, mas os dois”, afirmou.