Aos 39 anos, Sérgio Fialho divide a rotina entre o fisiculturismo e um novo projeto profissional. Bicampeão do Mister Universo, com títulos conquistados em 2019 e 2025, o atleta paranaense pretende levar para o debate público uma questão que acompanha sua trajetória no esporte: o uso de substâncias proibidas em competições de fisiculturismo e os critérios adotados para fiscalizá-lo.
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A posição de Sérgio é baseada em sua experiência no esporte. Na avaliação do fisiculturista, a modalidade terá dificuldade para avançar no debate olímpico enquanto atletas que não usam substâncias proibidas e competidores que recorrem a elas continuarem disputando sob regras que, segundo ele, não estabelecem uma distinção clara entre as duas práticas.
Entre as medidas que defende estão testes antidoping mais frequentes, maior transparência na fiscalização e responsabilização de profissionais que orientem ou incentivem o uso dessas substâncias.
“Depois de conquistar dois títulos brasileiros e dois mundiais, posso dizer que o fisiculturismo não precisa escolher entre desempenho e saúde. Sei que esse posicionamento pode fazer muita gente do meio ficar contra mim, mas prefiro defender atletas saudáveis a ganhar aplausos”, afirma.
Após conquistar dois títulos mundiais, fisiculturista defende competições sem uso de anabolizante
Divulgação CO Assessoria
A discussão também ultrapassa os palcos das competições. Na avaliação de Sérgio, o uso de hormônios e anabolizantes passou a fazer parte do cotidiano de academias e redes sociais, onde protocolos são apresentados como formas de acelerar mudanças físicas. Ele chama atenção especialmente para a exposição de jovens a essas substâncias e para a possibilidade de uso sem acompanhamento médico.
O tema já foi discutido em audiência pública no Senado sob a perspectiva dos impactos do uso de anabolizantes na saúde. Para o fisiculturista, a popularização desse tipo de conteúdo contribui para a ideia de que transformações físicas expressivas dependem necessariamente do uso de substâncias. “Isso não fortalece o esporte. Isso coloca vidas em risco”, diz.
Sérgio Fialho venceu o Mister Universo duas vezes e defende atletas naturais
Divulgação CO Assessoria
Sérgio explica que sua intenção não é criminalizar o fisiculturismo nem colocar todos os competidores sob suspeita. O que defende é uma separação mais clara entre as diferentes formas de competição e uma fiscalização capaz de identificar o uso de substâncias proibidas. Ele ainda cita campanhas educativas em academias, ações de prevenção e maior espaço para competições voltadas a atletas que não recorrem a essas substâncias.
Para ele, a questão também interfere na discussão sobre o futuro da modalidade. A ausência de regras unificadas e de mecanismos de controle que considera confiáveis, destaca, dificulta o reconhecimento do fisiculturismo no cenário esportivo internacional e seu avanço no debate olímpico.
Sérgio Fialho acumula títulos no fisiculturismo e defende regras antidoping mais rígidas para a modalidade
Divulgação | CO – Assessoria
Depois de construir a carreira nos palcos, Sérgio agora pretende usar a experiência acumulada no esporte para defender mudanças na forma como o fisiculturismo lida com o doping.
“Quero levar o fisiculturismo às Olimpíadas sem normalizar o uso de anabolizantes. A modalidade precisa ser reconhecida pela técnica, pela disciplina e pela preparação, não por uma corrida química em que vence quem aceita correr o maior risco”, conclui.

