O vereador Senival Pereira de Moura (PT) foi preso na Operação Última Parada, deflagrada na manhã desta quinta-feira (25) pela Polícia Civil e Ministério Público de São Paulo. Ele é apontado como uma das figuras centrais de um possível esquema de lavagem de dinheiro do Primeiro Comando da Capital (PCC) em uma empresa de ônibus.
Em seu sexto mandato, Moura ocupa cargos estratégicos na Câmara Municipal de São Paulo, como o de 1º Secretário da Mesa Diretora e presidente da Comissão de Trânsito e Transporte. A posição, na avaliação dos investigadores, possibilitaria a ele exercer influência indireta sobre agentes do setor regulado, alinhar versões e interferir na produção de provas.
Segundo as investigações, Moura comandava uma estrutura financeira paralela da Transunião Transportes, mesmo não sendo parte dos quadros da empresa de ônibus. Sem o aval dele, nenhum repasse de valores era liberado.
A investigação da Polícia Civil teve início a partir do homicídio de Adauto Soares Jorge, então diretor-presidente da empresa Transunião Transportes, em março de 2020, no estacionamento de uma padaria no bairro do Lajeado, na Zona Leste de São Paulo. As evidências coletadas revelaram que o crime estava ligado a disputas pelo controle financeiro e operacional da empresa, que estaria sendo usada para escoar recursos ilícitos.
A Polícia Civil identificou que a Transunião operava sob uma estrutura paralela de comando. Indivíduos que não figuravam oficialmente no quadro societário exerciam controle sobre a frota, a circulação de recursos e a redistribuição de receitas.
A análise das planilhas identificou que o vereador seria o beneficiário real de, ao menos, 13 ônibus, enquanto a titularidade formal era distribuída entre laranjas ou empresas interpostas. Familiares de Moura, como sua esposa e filhos, além de seu assessor de apoio parlamentar, figuravam formalmente como proprietários ou subscritores de capital, ocultando o controle material do vereador.
Segundo a Polícia Civil, Moura movimentou R$ 4,39 milhões entre 2019 e 2022. Deste total, R$ 2,47 milhões não possuem origem declarada, o que indica uma dissociação entre sua renda formal como agente político e a circulação efetiva de valores. Foram identificados imóveis de alto padrão em seu nome ou vinculados a ele em Juquehy, no litoral de São Paulo, e na capital, além de uma propriedade rural em Extrema, Minas Gerais.
Uma carta manuscrita do PCC encontrada pelos investigadores sugere que o homicídio de Adauto Soares Jorge ocorreu porque ele estaria desviando valores para Moura, sem dar respaldo ao comando da facção.
O GLOBO não localizou a defesa de Moura. O espaço permanece aberto para manifestação.

