Na última quinta-feira (8), após a eleição do Papa Leão XIV, foi seguido o tradicional ritual do conclave. O cardeal decano perguntou em latim: “Quo nomine vis vocari?”, ou seja, “Com que nome queres ser chamado?”. Nesse momento, o novo Papa escolhe o nome que usará durante seu pontificado. A escolha pode ser feita por admiração a um Papa anterior ou para mostrar que deseja seguir um novo caminho. Assim que é eleito, o novo Pontífice deve decidir seu nome antes mesmo de aparecer para os fiéis.
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Até a eleição de Jorge Bergoglio, em 2013, seus predecessores nos últimos tempos se inspiraram em outros Papas. No entanto, o jesuíta argentino decidiu inovar e escolheu Francisco. Dias depois, o recém-eleito Pontífice explicou, em um encontro com jornalistas, que seu nome evocava Francisco de Assis, um santo italiano dos séculos XII e XIII, e que desejava “uma Igreja para os pobres”.
A ideia surgiu após um comentário do cardeal brasileiro Cláudio Hummes, falecido em 2022, quando Bergoglio obteve os votos necessários para ser Papa.
— Ele me disse: “Não se esqueça dos pobres” — contou Francisco aos jornalistas.
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Embora, em teoria, os papas possam adotar seu nome de batismo, as mudanças começaram no ano 533 com João II, que não quis manter o seu, Mercúrio, por ser o de um deus romano e pagão. O último a manter seu próprio nome foi o Papa Adriano VI, no século XVI.
Nos últimos tempos, a principal motivação para a escolha do nome papal tem sido a admiração por pontífices anteriores. Em 2005, o alemão Joseph Ratzinger adotou o nome Bento XVI em homenagem a Bento XV, conhecido como o “Papa da Paz” durante a Primeira Guerra Mundial. Vinte e sete anos antes, o polonês Karol Wojtyła tornou-se João Paulo II como tributo direto a João Paulo I, seu antecessor, que faleceu apenas 33 dias após assumir o pontificado.
João Paulo I, por sua vez, foi o primeiro a adotar um nome duplo, para homenagear dois Papas marcantes: João XXIII e Paulo VI. Com o tempo, alguns nomes passaram a ser evitados por sua carga histórica negativa. É o caso de Pio, devido à controvérsia em torno de Pio XII, acusado por alguns historiadores de ter mantido um silêncio cúmplice diante do Holocausto promovido pela Alemanha nazista.
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No entanto, Pio é o sétimo nome mais utilizado por Papas na história da Igreja, atrás apenas de João (21), Gregório (16), Bento (15), Clemente (14), Leão e Inocêncio (13), segundo a lista oficial da Santa Sé. Mas há outros nomes menos habituais como Simplício, Zacarias ou Teodorico.
De Bento XV a Francisco, relembre os Papas mais marcantes desde o início do século XX:
Giacomo della Chiesa: Este Papa, oriundo de uma família aristocrática genovesa, dedicou-se a apaziguar a intensa “crise modernista” que agitava a Igreja. Durante a Primeira Guerra Mundial, desagradou tanto a franceses quanto a alemães ao atuar incansavelmente pela paz: propôs um sistema inovador de arbitragem internacional e se opôs firmemente ao modelo de reparações que penalizava os países derrotados.
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Eugenio Pacelli: Em meio a uma das épocas mais sombrias da história, foi acusado de omissão diante do Holocausto, por receio de que uma posição mais firme provocasse represálias nazistas contra católicos na Alemanha e na Polônia. Seus defensores, no entanto, afirmam que sua atuação silenciosa permitiu salvar milhares de judeus italianos, acolhidos em conventos. Pacelli também deu início à internacionalização da Cúria Romana, modernizando o funcionamento do governo da Santa Sé.
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Angelo Giuseppe Roncalli: De origem humilde, foi delegado apostólico na Turquia e núncio na França antes de ser eleito Papa. Ganhou o apelido de il Papa buono (“o Papa bom”) por sua simpatia e carisma. Iniciou o Concílio Vaticano II em 1962, que surpreendeu a Cúria conservadora ao promover a abertura da Igreja ao mundo moderno. Sua popularidade foi tamanha que, em 2014, foi canonizado.
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Giovanni Battista Montini: Com vasta experiência diplomática, foi eleito Papa durante o Concílio Vaticano II, que ele concluiu. Considerado por muitos como ansioso e hesitante, demonstrou grande sensibilidade às mudanças da sociedade e impulsionou a atuação internacional da Santa Sé em defesa da justiça e da paz. Apesar das críticas por sua posição contrária aos métodos contraceptivos, foi reconhecido por sua visão e canonizado em 2018.
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João Paulo II (1978-2005)
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Karol Wojtyła: Primeiro Papa não italiano em mais de 450 anos e o primeiro polonês da história. Combateu o comunismo em sua terra natal e em todo o Leste Europeu, mas também criticou o capitalismo. Teve enorme impacto mundial ao realizar mais de 100 viagens internacionais e criar a Jornada Mundial da Juventude. Sobreviveu a um atentado em 1981. Apesar da popularidade, foi alvo de críticas por sua postura diante dos escândalos de abusos sexuais, especialmente no caso de Marcial Maciel. Foi canonizado em 2014.
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Joseph Ratzinger: Teólogo alemão e profundo conhecedor da doutrina, participou do Concílio Vaticano II como reformista, mas se tornou guardião da ortodoxia durante o pontificado de João Paulo II. Aos 78 anos, assumiu o papado e enfrentou crises como o escândalo de pedofilia e o caso Vatileaks. Em um gesto histórico, renunciou ao cargo em 2013 — algo inédito desde a Idade Média — e viveu mais dez anos no Vaticano ao lado de Francisco. Morreu em 2022, aos 95 anos.
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Jorge Mario Bergoglio: Primeiro Papa jesuíta e também o primeiro latino-americano a assumir o cargo. Ex-arcebispo de Buenos Aires, escolheu o nome Francisco em homenagem a São Francisco de Assis, símbolo da humildade e da defesa dos pobres. Envolveu-se ativamente em questões sociais e ambientais, sendo autor da encíclica Laudato Si’ (2015), sobre a “ecologia integral”. Reformou a Cúria Romana, abriu espaço para mulheres em cargos estratégicos e enfrentou com firmeza a crise dos abusos sexuais. Mesmo enfrentando resistência interna, tornou-se uma das figuras mais influentes de seu tempo.

