Rainha de bateria, Savia David chamou atenção ao surgir com um figurino inusitado, feito completamente de ferro e pesando 27 kg, durante sua recente apresentação na Estrela do Terceiro Milênio, na Fábrica do Samba, em São Paulo. O visual, criado para representar uma pessoa escravizada, cobre seu corpo com correntes e traz uma forte carga simbólica, inspirada na ancestralidade que norteia sua trajetória no carnaval.
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“Meu figurino não tem pedras ou brilho. Estou representando os escravizados, figuras frequentemente mencionadas nas composições de Paulo César Pinheiro, homenageado deste ano. A produção é rica em simbolismo e detalhes, como as tranças nagô, que, no passado, eram usadas como mapa de fuga ou até para esconder sementes. A intenção é reconhecer a dor, mas também celebrar a resistência e a força dos que vieram antes de nós. O carnaval é, acima de tudo, uma expressão de identidade, luta e resistência”, explica Savia.
A empresária e influenciadora destaca a complexidade do conceito e os desafios físicos envolvidos em sua performance. “Sambar usando salto de 12 cm e com o corpo coberto por correntes de ferro tem sido um grande desafio. Mas busco sempre incorporar materiais alternativos, trazendo história, representatividade e acessibilidade para pessoas que não têm tantos recursos para investir em fantasias”, diz.
Preparação e foco no corpo natural
Ex-fisiculturista, Savia mantém uma rotina rigorosa de treinos e alimentação equilibrada. “Minha preparação é o ano todo (risos). Tenho uma agenda muito cheia, então foco na musculação e nas aulas particulares de samba, que ajudam a melhorar a resistência”, conta. A influenciadora afirma que, neste ano, está se permitindo um pouco mais de liberdade com a alimentação: “Estou tranquila, sem restrições. Claro, talvez eu intensifique a dieta nas últimas semanas, mas por enquanto, vou me permitindo umas pizzas.”
Apesar de já ter desfilado com um percentual de gordura muito baixo, Savia explica que, hoje, seu foco é a naturalidade. “Acredito que estou com uns 18%. Já desfilei com 9%, mas era uma fase diferente. Agora, meu objetivo não é estar seca, mas mostrar um corpo mais natural, com mais curvas. Se aparecerem celulites ou uma gordurinha localizada, tudo bem para mim”, diz.
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Empoderamento e quebra de padrões
Savia também compartilha sua visão sobre os padrões de beleza impostos pela sociedade. “Sou uma mulher empoderada e não sigo o que os outros dizem. Eu decido se quero desfilar mais magra, mais sarada ou mais natural. Para mim, isso é inteligência emocional”, avalia ressaltando a importância da autoaceitação e da liberdade para escolher o próprio corpo.
Outro ponto que a influenciadora defende é a valorização dos cabelos crespos. “Meu cabelo black é a minha marca registrada, minha coroa e um ato de resistência. A sociedade, muitas vezes racista, tenta impor um padrão de beleza que nos deprecia. Eu mostro, na prática, que o cabelo crespo é elegante, lindo e representa força, servindo como referência para as meninas da comunidade”, conclui Savia.
Homenagem a Paulo César Pinheiro
No carnaval de 2026, a Estrela do Terceiro Milênio prestará uma homenagem ao compositor Paulo César Pinheiro com o enredo “Hoje a poesia vem ao nosso encontro: Paulo César Pinheiro, uma viagem pela vida e obra do poeta das canções”. O enredo abordará a escravidão, presente em várias de suas composições, como em “Galanga, Chico-Rei”, que narra a história do rei africano escravizado que se torna um símbolo de resistência, e em canções como “Toque de São Bento Grande de Angola”.

