Quem procura acha — mas nós damos a dica. Raphael Montes, autor de “Dias perfeitos”, faz uma pequena participação logo no primeiro episódio de “Dias perfeitos”, série do Globoplay que adapta seu livro homônimo e estreia nesta quinta-feira no Globoplay. Entram no ar os primeiros quatro episódios; mais dois chegam em 21 de agosto, e os finais, no dia 28. A adaptação foi de Claudia Jouvin e a direção, de Joana Jabace.
— Sempre brinco com elementos que meus leitores gostam nas histórias, por isso, nas séries e filmes que faço, gosto de aparecer. É uma aparição à la Hitchcock — diz o carioca, de 34 anos, fazendo referência a Alfred Hitchcock, diretor, que, usualmente, surgia rapidamente em filmes.
Autor de oito livros publicados pela Companhia das letras, que totalizam 1 milhão de exemplares vendidos, Raphael viu “Dias perfeitos” ser o segundo mais vendido do estande da editora durante a Bienal do Rio, que aconteceu no último mês de junho. A série traz algumas diferenças em relação livro, a começar pelo final. Também mistura acontecimentos sob o ponto de vista de Téo, o sequestrador interpretado por Jaffar Bambirra, e Clarice, a obsessão do stalker, vivida por Julia Dalavia. No livro, Raphael optou por narrar a ação a partir do olhar do personagem masculino; na série, há perspectivas dos dois.
— A meu ver, o Téo do livro é, de algum modo, um pouco mais controlado, mais cerebral e menos físico. Na série, o Jaffar fez um Téo mais físico, mais violento, até mais assustador, que talvez ultrapasse limites. Acho isso bom para gerar o suspense e a tensão de que a série precisa — diz o autor. — E por ter o ponto de vista da Clarice, conseguimos ver como ele se enxerga e como ela o enxerga. Ele se vê como um bom menino, ainda que um pouquinho solitário, diferente. E ela o vê como um montro ou alguém perigoso.
Não achou Raphael Montes no primeiro episódio? A gente indica, mas pare por aqui se não quer spoilers. O autor aparece na cena do churrasco, sob a perspectiva de Téo, pouco antes de ele conhecer Clarice. Segundo o carioca, esta é um dos momentos mais marcantes do livro.
—Era o dia do churrasco, e eu queria ver a filmagem. Falei com a Joana (Jabace, a diretora): “Hoje é o dia da minha aparição”. Ela respondeu: “Pega aqui essa tábua de carne, que você vai servir o Téo e pergunta se ele quer linguicinha, coração…”. E isso é até uma brincadeira porque num dos meus livros os personagens servem carne de gaivota — diz ele, fazendo referência à obra “Jantar secreto”. — Foi divertido poder ver os personagens que idealizei há mais de 10 anos ganhando vida e força nas telas.