O governador do Paraná, Ratinho Júnior (PSD), e o senador Sergio Moro (PL) passaram a trocar farpas pelas redes sociais, em uma prévia da eleição no estado e a poucos dias do início oficial da campanha nas ruas. Na disputa, o chefe do Executivo apoiará o ex-secretário estadual de Infraestrutura Sandro Alex (PSD), enquanto o parlamentar sairá candidato pelo PL e encabeçará o palanque do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) no PR.
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Até o momento, Ratinho restringia a sua participação na campanha ao cumprimento de agendas com o ex-secretário pelos municípios do interior do estado e em aparições em insertes publicitários do PSD na TV. No início da semana, no entanto, o governador subiu o tom contra Moro após ele faltar ao debate da Band, o primeiro realizado entre candidatos ao governo.
Por meio de uma nota divulgada por sua assessoria, o senador justificou a decisão de não comparecer ao evento ao dizer que existiria um “jogo combinado” entre “adversários mais preocupados em concentrar ataques contra sua candidatura do que em discutir propostas para o Paraná”. No dia seguinte, Ratinho disse que considerava a ausência do senador “natural” e afirmou que o adversário não teria propostas para o estado que poderiam ser discutidas.
— É natural [a ausência de Moro]. Ele conhece muito pouco o Paraná e não tem plano de governo. Se você pegar, não é uma crítica pessoal, mas se você pegar o histórico das entrevistas dele, o plano de governo é destruir o PT. Isso o Paraná já fez — disse o governador em conversa com jornalistas na segunda-feira. — E o combate de discussão ideológica, se é direita ou esquerda, é em Brasília. Lá é o grande centro para poder discutir esses temas.
Ratinho voltou a criticar o senador na tarde desta quarta-feira em um vídeo publicado nas redes sociais, descrevendo-o como “o candidato da mentira”. Na gravação, o governador ironiza a promessa de campanha feita por Moro de construção de um presídio estadual de segurança máxima nos moldes de prisões federais, onde ficam custodiados líderes de facções criminosas.
— Tem candidato prometendo penitenciária de segurança máxima sem saber que já tem 14 unidades no Paraná, quatro delas construídas na nossa gestão. Quem conhece o Estado sabe o que já foi feito. Quem não conhece, promete o que já existe — diz Ratinho na gravação.
Em resposta, Moro disse, em um post feito no X, que “o único presídio de segurança máxima no Paraná de verdade é a Penitenciária Federal de Catanduvas, com cela individual, sem fugas, sem visita íntima, contatos do preso com visitantes só no parlatório e monitorados”. Na publicação, ele também afirma que atuou no passado como juiz corregedor da unidade prisional e evocou sua atuação no comando do Ministério da Justiça e Segurança Pública durante o governo do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL). “É assombroso que alguns candidatos e governantes desconheçam o básico em segurança pública”, acrescentou o senador na publicação.
Agora delegados a Ratinho Júnior, os embates com o senador ao longo da campanha buscarão colar no adversário a imagem de que ele “desconhece” o Paraná e não escolheu o estado como sua primeira opção em 2022, quando tentou se candidatar ao Senado por São Paulo, mas foi impedido pela Justiça Eleitoral. Outro episódio que tende a ser explorado será a gafe cometida por Moro em junho, quando ele confundiu o termo “parnanguaras”, alcunha usada para descrever os moradores do município de Paranaguá (PR), com o nome de uma população indígena.
Pouco conhecido no estado, como mostraram dados da pesquisa Genial/Quaest divulgados no mês passado, Sandro Alex também investirá no rótulo de “homem das obras” de Ratinho Júnior e na defesa da gestão do antecessor. O ex-secretário também apostará na popularidade em Curitiba de Rafael Greca (MDB), ex-prefeito da capital paranaense e escolhido como vice na chapa. Já Moro tem investido no discurso voltado para a segurança pública e na proposição de uma agência estadual anticorrupção.

