Observar o comportamento do dólar e acompanhar as idas e vindas das tarifas de Donald Trump já não são mais os únicos problemas para quem planeja uma viagem aos EUA. Com o anúncio de uma nova taxa de US$ 250 para tirar o visto, o custo total do documento pode chegar a R$ 2.500. Para driblar a alta nas despesas, já há uma corrida para antecipar o processo de documentação. Agências que assessoram a emissão do visto dizem que a fila nos consulados brasileiros está aumentando, com prazos que podem chegar a 90 dias.
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O aumento no custo do documento foi previsto num projeto de lei aprovado na semana passada no Congresso dos EUA. A despesa total, hoje de US$ 185 (cerca de R$ 1 mil, pelo câmbio de ontem), vai passar a ser de US$ 459 (R$ 2,5 mil). O texto não deixa claro o início da cobrança extra, mas o próximo ano fiscal americano começa em outubro.
À frente da 365 Vistos, Jorge Leite calcula que, desde o anúncio do aumento da tarifa, o prazo de processamento dos pedidos de vistos saltou de 60 para 90 dias no Centro de Atendimento ao Solicitante de Visto (Casv) de São Paulo. No Rio, a espera saiu de 30 para 60 dias, enquanto em Porto Alegre, Recife e no Distrito Federal, subiu de 15 para 45 dias.
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Se programando para um mestrado nos EUA, a estudante Eduarda Febrone, de 22 anos, decidiu antecipar o processo para evitar a taxa extra.
— Era algo que estava me preparando para fazer mais para frente, mas, se esperar mais, corro risco de ter um gasto que pode comprometer coisas como o lugar em que vou me hospedar e até o tempo que vou passar lá — diz.
A Visamundo, assessoria especializada no processo, nota um aumento na demanda desde o anúncio da taxa mais cara.
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— Os analistas estão orientando os clientes a agilizar a solicitação para garantir o pagamento da taxa e o agendamento da entrevista antes da alta — conta a gerente-geral da empresa, Luciana Comonian.
No ano passado, os Estados Unidos foram o principal destino internacional de viajantes brasileiros, segundo a Associação Brasileira das Operadoras de Turismo (Braztoa). São, em sua maioria, famílias de classe média, com crianças, que querem ir fazer compras em Miami, passar as férias nos parques da Disney e conhecer Nova York ou Los Angeles.
Para operadores do setor, o preço mais alto do visto pode impactar algumas famílias, mas não deve frear a demanda. Ana Carolina Medeiros, presidente da Associação Brasileira de Agências de Viagens (Abav), argumenta que a taxa extra deve ser vista pelos turistas como “mais um custo”.
Luciana, da Visamundo, lembra que o texto aprovado pela Câmara dos EUA prevê que o visitante peça reembolso dos US$ 250 extras se cumprir as regras. E há o planejamento das viagens, observa Leite, da 365 Vistos:
— Tenho clientes que conversam conosco por um ano e meio, ficam acompanhando o dólar. No primeiro momento, pode haver retração, a viagem pode ser adiada, mas ninguém deixa de ir por causa da taxa.
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Já Aldo Leone Filho, presidente da Agaxtur, diz que o aumento do custo do visto não irá ter grandes efeitos para agências de viagens porque há um mercado consumidor “garantido” entre os que já têm visto.
— As pessoas se programam com muita antecedência. Não é porque vai custar mil reais a mais que vão desistir de viajar. Se tiver um limite de gasto, pode gastar um pouco menos no hotel, ou nos parques — diz.
Na visão de Fabiano Camargo, presidente do Conselho da Braztoa, a cobrança pode fazer visitantes mudarem destinos:
— Se houver perda de demanda para os EUA, outros países vão ganhar. A perda não será para as empresas brasileiras, e sim para os EUA, que vão perder turistas que têm um gasto elevado no seu país.
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Especializada em roteiros para a Disney, a ForFun Tours afirmou em nota que a taxa pode “representar um desafio”, mas que destinos como Londres e Paris devem se tornar uma opção para famílias.
Ex-presidente da Embratur, Jeanine Pires considera que, para famílias de três ou quatro pessoas, o impacto será grande, ainda mais considerando o câmbio. Ela menciona o atual cenário de insegurança em viajar para os EUA:
— Tem pessoas que relatam que mesmo estando lá legalmente, podem ser mandados de volta na chegada. E existe uma diminuição muito grande de viagens aos Estados Unidos depois que o Trump assumiu, com a perda de visitantes de vários países. Então, nesse contexto, a taxa impõe uma barreira a mais.
*Estagiário sob supervisão de Janaina Lage