O balanço financeiro da Apple no terceiro trimestre fiscal, encerrado em 30 de junho, deu sinais mistos ao mercado. A gigante da tecnologia registrou uma receita maior que o esperado, mas as vendas cresceram num ritmo mais lento que o previsto pelos analistas. A frustração veio tanto com a venda de itens na China, um mercado importante, quanto no segmento de serviços, gerando preocupações sobre dois negócios-chave.
As vendas na China somaram US$ 18,8 bilhões no terceiro trimestre fiscal, bem abaixo dos US$ 19,6 bilhões projetados. Já a receita com serviços foi de US$ 30,7 bilhões, frente a uma projeção de US$ 31,4 bilhões.
A empresa de Cupertino também tem enfrentado escassez de chips de memória e processadores de computador, situação que a forçou a aumentar os preços de Macs e iPads no mês passado. A restrição na oferta também resultou em prazos de espera mais longos para computadores importantes, como o Mac mini e o Mac Studio.
As ações da Apple caíram 3% nas negociações após o anúncio. Ainda assim, os papéis acumulam alta de 23% neste ano.
Troca de comando
O trimestre marca também uma despedida para o CEO Tim Cook, que passará o comando para o chefe da divisão de hardware, John Ternus, em 1º de setembro. Cook, líder da Apple desde 2011, diversificou o portfólio de produtos e elevou as vendas anuais para quase meio trilhão de dólares.
À medida que os investidores se mostram descontentes com as empresas que gastam centenas de bilhões de dólares em IA e com os beneficiários dessa generosidade, as ações dos chamados “hyperscalers”, que constroem enormes centros de dados para computação em nuvem, e das fabricantes de chips e de memória que fornecem os equipamentos para operá-los, estão em baixa.
A marca ‘estrela’ entre as Big Techs
Apesar dos resultados mais modestos, a repentina aversão de Wall Street aos gastos com inteligência artificial transformou a Apple na estrela do mercado de ações das grandes empresas de tecnologia deste ano. As ações da Apple estão em alta, com um aumento de 15% em julho e de 22% em 2026, de longe o melhor desempenho anual entre as sete gigantes da tecnologia.
A empresa também recuperou o título de maior companhia do mundo, com uma capitalização de mercado que ultrapassou os US$ 5 trilhões diversas vezes nos últimos dias, juntando-se à Nvidia como as únicas empresas a atingir essa marca.

