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outubro 7, 2026
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Recuperação em agosto não basta e economia argentina caminha para recessão técnica

Por · outubro 7, 2026
Recuperação em agosto não basta e economia argentina caminha para recessão técnica


A economia argentina caminha para uma recessão técnica depois que uma recuperação tímida em agosto não conseguiu compensar as fortes quedas de julho, acrescentando um desafio para o presidente Javier Milei às vésperas das eleições do próximo ano.
A construção civil avançou 0,4% em agosto em relação ao mês anterior, apenas uma fração da queda de 4,4% registrada em julho. A atividade manufatureira subiu 1,9% no mês, depois de recuar 5,1% em julho, segundo dados oficiais divulgados nesta quarta-feira. Os dois setores concentram a maior parcela dos trabalhadores formais da Argentina, o que os torna indicadores importantes da economia real.
A Argentina teria entrado em uma recessão técnica no terceiro trimestre, segundo a pesquisa de expectativas de mercado do banco central divulgada na terça-feira. Os analistas estimaram que o Produto Interno Bruto (PIB) encolheu 1% entre julho e setembro em relação aos três meses anteriores, o que representaria o segundo trimestre consecutivo de contração. Os dados oficiais do PIB do terceiro trimestre serão divulgados em dezembro.
Os analistas consultados pelo banco central também reduziram sua projeção de crescimento para 2026 para 1,5%, ante 3,5% no fim do ano passado.
— Houve alguma recuperação tanto na indústria manufatureira quanto na construção, mas ela ficou muito longe de ser suficiente para sustentar a esperança de evitar uma recessão técnica— afirmou Jimena Zúñiga, economista da Bloomberg Economics.
— Eu não levaria ao pé da letra a fraqueza do segundo e do terceiro trimestres, dada a elevada volatilidade dos dados de alta frequência, mas, olhando além dessa volatilidade, o processo de crescimento parece, de fato, muito mais fraco do que parecia alguns meses atrás.
Milei minimizou, no mês passado, em uma entrevista à Bloomberg, as preocupações com a estagnação da economia argentina e destacou o crescimento sustentado na comparação anual, o que o deixa “muito tranquilo” quanto às suas chances de ser reeleito em 2027.
Os investidores estão cada vez mais preocupados com a campanha do próximo ano, enquanto Milei não consegue gerar o crescimento que prometeu quando foi eleito, no fim de 2023, apesar de ter conseguido reduzir a inflação a partir de níveis de crise.
A aprovação de Milei ficou em 38% em agosto, próxima dos níveis mais baixos de sua presidência, segundo uma pesquisa da AtlasIntel para a Bloomberg News, enquanto cerca de 70% dos argentinos classificaram o mercado de trabalho como ruim. Milei rejeitou as pesquisas, considerando-as pouco confiáveis na Argentina.

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