BRcom - Agregador de Notícias
No Result
View All Result
No Result
View All Result
BRcom - Agregador de Notícias
No Result
View All Result

rede de esgoto começa a chegar ao Complexo da Maré, na Zona Norte do Rio

BRCOM by BRCOM
março 9, 2026
in News
0
“Tatuzinho” :equipamento que perfura o solo será usado em obras de saneamento da Maré — Foto: Divulgação/Águas do Rio

O cenário do Complexo da Maré — formado por 16 favelas — está em transformação, com um vaivém de operários e máquinas. Manilhas de até 1,50 metro de diâmetro aguardam a instalação e poços são escavados para obras de saneamento iniciadas pela Águas do Rio com objetivo de beneficiar, segundo a concessionária, 200 mil pessoas. A expectativa é mudar uma realidade de décadas de descaso com a ajuda de uma tecnologia que deve ser um dos destaques do projeto: são seis “tatuzinhos”, equipamentos que em breve chegarão às comunidades para perfurar, a seis metros de profundidade, o túnel de um tronco coletor de esgoto — de tempo seco — de 4,5 quilômetros de extensão.

  • Caso Henry: defesa de Jairinho tenta anular laudos de necrópsia e denuncia médico legista à Corregedoria e CRM
  • Crescimento desordenado: crime explora ocupação irregular de áreas de risco no estado do Rio

Orçada em R$ 120 milhões, a instalação da rede de saneamento tem previsão de ficar pronta no fim de 2027. A maioria dos recursos (85%) será destinada aos serviços de esgoto, maior carência das comunidades da Maré.

— Hoje, nenhum litro do esgoto gerado na região vai para tratamento. O esgoto do complexo é depositado em córregos, rios e canais e tem como destino a Baía de Guanabara. No passado, até foram feitas redes de drenagem e de esgoto, mas elas não estão interligadas. O pouco que foi realizado acabou deteriorado ao longo do tempo, e nada é levado para tratamento — explica o diretor de Operações da Águas do Rio, Diego Dal Magro.

De acordo com o projeto, com a conclusão das obras, 1,3 bilhão de litros de esgoto por mês (500 litros por segundo) deixará de ser lançado in natura na Baía, um volume mensal equivalente a 577 piscinas olímpicas. Todos esses dejetos serão levados pelo tronco coletor para a Estação de Tratamento de Esgoto (ETE) de Alegria, no Caju. Esse tubulação principal se estenderá do Parque União até o Conjunto Esperança, indo até a unidade de tratamento.

As obras contemplam ainda a instalação de 18 quilômetros de redes de esgoto — 1,7 quilômetro em becos —, que vão conectar casas e comércios ao coletor principal. A nova infraestrutura vai reduzir problemas recorrentes como valões a céu aberto, proliferação de vetores de doenças e mau cheiro.

— Essas tubulações já afastam o esgoto do convívio direto com as famílias, retirando-o da frente das residências e transformando de imediato a realidade de quem mora ali. Já temos dois quilômetros de tubos implantados, e vamos chegar a 18 quilômetros de uma rede totalmente nova, que será integrada ao grande coletor que começa a ser construído agora — promete Dal Magro.

Também faz parte do pacote a recuperação do Rio Ramos — curso canalizado de 1,4 quilômetro de extensão —, que hoje recebe milhões de litros de esgoto por dia das casas em suas margens. Uma nova tubulação vai interligar essas residências ao coletor principal.

Nesse processo, os “tatuzinhos” devem chegar à Maré no mês que vem. Esse equipamento escava o subsolo ao mesmo tempo em que instala a tubulação. Assim, não será preciso abrir grandes valas nem bloquear ruas inteiras, o que torna a obra mais rápida e com menos transtornos para os moradores. No pico das intervenções, as seis máquinas vão trabalhar juntas. Elas podem colocar tubulações que vão de 300 a 1.500 milímetros de diâmetro. O maior tatuzinho pesa 19 toneladas.

“Tatuzinho” :equipamento que perfura o solo será usado em obras de saneamento da Maré — Foto: Divulgação/Águas do Rio

— Estamos abrindo 46 poços circulares para implantar o coletor. O “tatuzinho” será colocado nesses poços. No futuro, esses poços vão servir para que possa ser feita a manutenção da tubulação — explica Dal Magro.

Do total previsto, seis poços já foram escavados no Conjunto Esperança, no Parque Maré, no Morro do Timbau e na Vila do João.

Para facilitar o trabalho e oferecer emprego a quem vive no local, as obras estão sendo executadas por moradores da Maré. Segundo o diretor de Operações, há 200 operários na obra atualmente, número que subirá para 350 no momento de pico das intervenções. Um deles é João Afonso do Nascimento, de 28 anos. Nascido e criado na Nova Holanda, ele integra a equipe de Melhorias Operacionais, responsável pela adequação do sistema de esgotamento sanitário.

Por onde vai passar o tronco coletor da Maré — Foto: Editoria de Arte
Por onde vai passar o tronco coletor da Maré — Foto: Editoria de Arte

A equipe dele tem feito um trabalho de formiguinha, indo de beco em beco, de casa em casa, conectando os canos ao novo sistema de esgotamento.

— Quando nossa equipe chega, a vizinhança fica feliz, porque sabe que estamos levando melhorias. Isso é muito gratificante para mim, porque eu entendo perfeitamente a dor desses moradores. No momento, estamos terminando o serviço num beco onde o sistema de esgoto era entupido do início ao fim, e a sujeira invadia as casas quando chovia — conta o profissional.

João Afonso mora no Beco da Alegria, com a mulher e o filho de 4 anos. A convivência com esgoto a céu aberto é algo que ele espera que, um dia, se torne apenas uma lembrança distante.

— Muitas vezes, temos que desviar de ruas e fazer um trajeto mais longo para evitar contato com o esgoto, sem contar que o local vira um criadouro de ratos e baratas, que podem transmitir doenças para nossas crianças — relata o operário.

Além de estar nas vias públicas, o esgoto, quando carregado pela água das chuvas, chega dentro das casas. Num esforço para se proteger, a pedagoga Jorgelita Pereira da Silva Souza, que vive na Maré desde que nasceu, há 66 anos, criou uma barreira de tijolos na entrada de sua residência, solução que não tem sido suficiente.

— Desde o ano passado, eu estava com a minha porta empoçada e tendo que colocar madeira no chão para conseguir entrar em casa. Nas últimas chuvas, a rua alagou, e, como minha casa está num patamar mais baixo, o esgoto chegou até o meu corredor. Por conta da umidade, minha casa está com muito cheiro de mofo. Então, eu e meu marido estamos fazendo uma reforma para colocar um novo emboço — conta.

Com as obras, chegam as contas. Os moradores vão receber o boleto com a tarifa social — com o desconto fica em R$ 5 — conforme forem beneficiados.

Conteúdo:

Toggle
  • Água para 70 mil imóveis
      • rede de esgoto começa a chegar ao Complexo da Maré, na Zona Norte do Rio

Água para 70 mil imóveis

Em paralelo às ações de esgotamento sanitário, o sistema de abastecimento da Maré está sendo modernizado para garantir mais eficiência no fornecimento de água. Por meio do programa Vem Com a Gente, serão implantadas redes de água, regularizando o fornecimento para 70 mil casas e comércios locais, trabalho que passa ainda por vistorias em busca de vazamentos a serem reparados.

Em pontos estratégicos das tubulações, serão instalados 40 novos registro e sete macromedidores, para medir o volume de água que entra no complexo. Na prática, segundo a concessionária, isso significa que, em casos de manutenção, seus técnicos poderão isolar trechos específicos da rede, reduzindo o número de pessoas impactadas em casos de suspensão temporária do fornecimento de água.

rede de esgoto começa a chegar ao Complexo da Maré, na Zona Norte do Rio

Previous Post

Qual participante do programa ganhou mais seguidores no Instagram?

Next Post

Quem vai levar o Oscar 2026? Faça suas apostas e compare com a opinião do Bonequinho do GLOBO

Next Post
Emma Stone em "Bugonia" — Foto: Divulgação

Quem vai levar o Oscar 2026? Faça suas apostas e compare com a opinião do Bonequinho do GLOBO

  • #55 (sem título)
  • New Links
  • newlinks

© 2026 JNews - Premium WordPress news & magazine theme by Jegtheme.

No Result
View All Result
  • #55 (sem título)
  • New Links
  • newlinks

© 2026 JNews - Premium WordPress news & magazine theme by Jegtheme.