Amigos de longa data, o restaurateur Marcelo Torres e o produtor de vinhos espanhol Miguel Torres firmaram uma parceria que resultou em uma linha exclusiva, com dois rótulos produzidos no Chile. São o Giuseppe Sauvignon Blanc Torres e Torres 2024 e o Giuseppe Torres e Torres Cabernet Sauvignon 2023. Os dois já podem ser encontrados nas casas da rede, como o Giuseppe Grill, no Leblon, a R$ 156 a garrafa e R$ 39 a taça:
— Tomamos a decisão de colocar duas uvas de muita aceitação, a Sauvignon Blanc e o Cabernet Sauvignon. A gente quer fazer desse vinho, assim, um rótulo fácil de beber. A gente espremeu demais as margens de lucro assim, para ele ter um preço bom de compra para o cliente. É engraçado, vou vender o meu vinho com a pior margem. Mas eu quero oferecer ao cliente o melhor para ele ter essa experiência nos nossos restaurantes.
Para Marcelo, o vinho branco vai bem com os peixes e também pode ser um ótimo aperitivo:
— Ele vai bem também sozinho. E eu estou investindo nisso, com força para que esses vinhos sejam nossos campeões de venda. Já o tinto combina bem com as carnes que servimos — explicou.
Ele contou que optou por produzir com a Miguel Torres em razão da longa amizade com a família espanhola:
— A gente tem essa brincadeira de que somos primos. Isso começou há muitos anos. Já o recebi em casa. Digo que sou primo do ramo brasileiro da família. Sempre tivemos um relacionamento muito estreito. Trabalho há muitos anos com ele. Num almoço, batendo papo, perguntamos? “Vamos fazer um vinho de nós dois? Giuseppe Torres e Torres”. Aí tem duas torrezinhas de xadrez que a gente botou no rótulo. Como se fossem as torres que protegem a família Torres.
Marcelo Torres diz que alinha foi criada especialmente para a rede de restaurantes.
— A Miguel Torres fez uma linha para mim, que terá sempre novas safras. E tenho informação de que a safra do Sauvignon Blanc que lançaremos ano que vem está um espetáculo. Queremos que ela seja nosso carro-chefe. Venderemos tanto garrafa quanto em taça.
Marcelo destaca que o vinho faz parte da experiência gastronômica:
— Você ter uma refeição com vinho, quer dizer, na minha opinião, é totalmente diferente de você ter uma refeição sem vinho. Quando você pensa numa gastronomia completa, pensa numa refeição com vinho. Pode ser um vinho só, pode percorrer com dois vinhos, um branco e depois um tinto. O vinho sempre muda a experiência de uma refeição.
Torres conta que os vinhos marcarão presença em todos os restaurantes da rede, como o Nolita e o Xian:
— Eles já podem ser encontrados em todos com o mesmo rótulo. E ainda nós vamos botar em outros restaurantes que não são nossos. Nós vamos começar a trabalhar para isso. Possivelmente começar pelos amigos. Como eu tenho bastante amigos com restaurantes, acho que isso vai ocorrer logo.
Carlos Martignago, gerente de exportações da Miguel Tores para a América Latina, conta que os dois vinhos são feitos em Curicó, no Vale do Maule, mas os vinhedos ficam em áreas diferentes.
— O Sauvignon Blanc é um vinhedo nosso de mais de 40 anos, a cerca de 450, 500 metros de altitude, na Cordilheira dos Andes. Esse Sauvignon Blanc é muito interessante, amadurece de forma mais lenta, o que preserva muito mais acidez. Tem uma fruta mais elegante do que um Sauvignon Blanc de regiões mais quentes. Ele tem um excelente equilíbrio entre acidez e fruta. O vinhedo não tem o selo orgânico, mas as práticas usadas são orgânicas. A safra do Sauvignon Blanc é 2024, que foi excepcional.
Já o Cabernet Sauvignon é de um vinhedo em Secano Central, entre a Cordilheira dos Andes e a Cordilheira da Costa, em uma região de menor altitude:
— Nesse vinhedo, praticamos agricultura regenerativa, que é um passo acima do orgânico. O vinho passa oito meses em carvalho francês, de segundo e terceiro usos. A gente utiliza a madeira para que ele fique pronto mais rapidamente. A safra desse Cabernet Sauvignon é 2023, que foi um difícil, quente, com muita seca. Tivemos que estudar a época de fazer a colheita. Se deixamos para colher um pouquinho depois, seria perigoso para a uva ficar com muito açúcar, e acabar muito alcoólico e sem acidez. A gente cobriu bem os cachos com a própria folhagem para que amadurecessem mais lentamente, e o vinho tivesse aromas mais complexos. Ele ficou bem equilibrado.
