O telefone toca. O coração dispara. Será agora? Para milhares de brasileiros com doença renal crônica (DRC), essa é a rotina: viver à espera de uma ligação que pode significar vida e que, muitas vezes, nunca chega. A cada minuto que passa, o corpo se desgasta, a esperança diminui e a vida se resume às longas sessões de diálise, três vezes por semana, quatro horas por dia.
O que muitos desconhecem é que a diálise é uma ponte, não o destino. O transplante renal é o tratamento que mais prolonga e devolve qualidade de vida a esses pacientes. Mas, no Brasil, o tempo de espera e o baixo número de pessoas inscritas na lista têm custado vidas.
Segundo a Associação Brasileira de Transplante de Órgãos (ABTO), mais de 38 mil pessoas aguardam por um rim no país, e 1.303 morreram apenas entre janeiro e junho de 2025, antes de receber a tão esperada ligação. Apesar disso, apenas 20% dos pacientes em diálise estão inscritos na lista de transplante. É importante destacar que, atualmente, o transplante renal é um procedimento seguro, com taxa de sobrevida superior a 98%.
— Muitos pacientes passam anos, até uma década, em diálise sem sequer serem incluídos na lista, por falta de orientação ou pela morosidade do processo de encaminhamento — explica o urologista Ricardo Ribas, responsável técnico pelo Programa de Transplante Renal da Rede D’Or no Rio de Janeiro.
Ribas reforça a importância do cadastro:
— Deveríamos ter 80 mil pessoas cadastradas. É fundamental ampliar o acesso e preparar adequadamente os pacientes para chegarem ao transplante.
A nefrologista Cláudia Fagundes traz ainda a questão da DRC:
— Todo paciente com doença renal crônica deve ser avaliado para o transplante, inclusive antes da necessidade de diálise. Quanto mais cedo o direcionamento, menores os riscos e melhor o prognóstico.
A DRC é uma condição progressiva, que destrói silenciosamente a capacidade dos rins de filtrar o sangue. Quando o órgão para de funcionar, o corpo inteiro sente: o acúmulo de toxinas leva a fadiga, anemia, hipertensão e risco cardiovascular. A diálise prolonga a vida, mas o transplante é o tratamento de escolha para restaurar autonomia, energia e futuro.
Para enfrentar o desafio, a Rede D’Or estruturou um dos maiores programas de transplante renal do país, com polos em São Paulo, Rio de Janeiro, Bahia, Pernambuco e Paraíba.
/i.s3.glbimg.com/v1/AUTH_da025474c0c44edd99332dddb09cabe8/internal_photos/bs/2025/8/h/ntBs2FQKKWujTAaMhIYA/claudia-fagundes-coordenadora-do-programa-de-transplante-renal-da-rede-dor-no-rio-e-janeiro-.jpg)
Nos hospitais Copa D’Or, Copa Star, Quinta D’Or, Norte D’Or e Glória D’Or, pacientes são acompanhados desde o diagnóstico até o pós-transplante por equipes multidisciplinares formadas por urologistas, nefrologistas, cirurgiões, psicólogos e nutricionistas.
Nos casos de doadores vivos, a cirurgia robótica tem permitido recuperação mais rápida e alta precoce, ampliando o número de doações e reduzindo o tempo de internação.
—Estamos investindo em protocolos de excelência para reduzir a mortalidade na fila e melhorar o acesso. Cada paciente incluído na lista é uma chance a mais de salvar uma vida.
O tempo é o inimigo e o aliado. Cada minuto de espera representa uma vida em risco, mas também uma oportunidade de agir. Orientar, encaminhar e ampliar o acesso à lista são passos que podem virar o jogo. A boa notícia é que a estrutura, a tecnologia e a equipe para isso já existem e estão mais próximas do que muitos imaginam.
/i.s3.glbimg.com/v1/AUTH_da025474c0c44edd99332dddb09cabe8/internal_photos/bs/2025/R/S/dk0j9rSiu7WRFdiZ7Wcw/glab-rededor-transplanterenal-globo-novembro-2025-digital.jpg)
/i.s3.glbimg.com/v1/AUTH_da025474c0c44edd99332dddb09cabe8/internal_photos/bs/2025/A/d/qjKZrxTbKvct3ftg1NDQ/glab-rededor-transplanterenal-globo-novembro-2025-digital2.jpg)
