Tintos elegantes, potentes e gastronômicos. Esse é o perfil da grande maioria dos vinhos de Ribera del Duero, na Espanha. Apesar de ser demarcada apenas em 1982, a região tem registros históricos do consumo de vinho do século V antes de Cristo. No ano passado, teve crescimento de 28% de vendas em volume e 23% em valor. Em visita ao Rio, Pablo Baquera Peironcely, diretor de marketing do Conselho Regulador da região, revelou que busca ser mais conhecida pelos consumidores no Brasil, além de aumentar a distribuição e venda seus rótulos. “O Brasil destaca-se como um verdadeiro oásis para o consumo de vinhos”, destacou.
Pablo Baquera Peironcely: “Ribera del Duero busca que seus vinhos sejam mais consumidos no Brasil”
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Confira abaixo os principais pontos da entrevista exclusiva:
‘Brasil é um oásis’
O Conselho Regulador apoia as vinícolas da Denominação de Origem — que somam 317 — em seu desenvolvimento internacional. Atualmente, temos uma campanha promocional em 12 mercados internacionais, sendo o Brasil um deles. Em um cenário global, o Brasil destaca-se como um verdadeiro oásis para o consumo de vinhos. Há novos consumidores ingressando no mundo do vinho e um consumo expressivo de rótulos de alta qualidade; por isso, identificamos uma excelente oportunidade para as vinícolas. Prova disso é que já contamos com 52 vinícolas da região vendendo no Brasil. É importante notar que novas vinícolas de Ribera del Duero, que ainda não possuem representatividade ou reconhecimento no mercado brasileiro, têm buscado conquistar seu espaço por aqui.
Acreditamos que este é o momento ideal para todos. Podemos observar exemplos de outros mercados, como o de Porto Rico, onde o cenário evoluiu ao longo dos últimos quatro ou cinco anos. Porto Rico, que funciona como um mercado independente, serve como um ótimo exemplo. Há cinco anos, contava com 45 vinícolas presentes; hoje, esse número chega a quase 100. O desenvolvimento de Ribera del Duero naquele mercado foi espetacular, e minha expectativa é que o mesmo ocorra no Brasil. Estamos oferecendo vinhos de altíssima qualidade.
Eu me alegrei muito no evento que realizamos em São Paulo, em que oferecemos uma masterclass, mas também participamos de uma mini feira com 10 vinícolas e visitas profissionais, com compradores de varejistas, bares de vinho, sommeliers. Vários deles me falaram sobre a grande qualidade do que já haviam provado e muitos vinhos que não conheciam. Foi uma grande satisfação. Sem dúvida que todas as nossas campanhas promocionais de beneficiam por termos um produto de grande dimensão. Temos uma enorme esperança de que o Brasil seja um exemplo parecido com o que vivemos em Porto Rico.
Vinhos tintos são os astros de Ribera del Duero
Divulgação / CRDO Ribera del Duero
O Acordo Mercosul-União Europeia
O Acordo Mercosul-União Europeia sem dúvida nos ajuda. Onde quer que o produto esteja, ele se destaca — é algo que se percebe de longe —, mas, sem dúvida, ajuda. Acreditamos também que há uma redução na variedade de produtos no mercado brasileiro porque o preço do vinho acaba sendo afetado por essas taxas alfandegárias.
Em muitos lugares do mundo — na Europa, por exemplo —, as vinícolas vendem seus produtos sem essas barreiras tarifárias; já no caso de outros países, elas existem. A região de Ribera del Duero, por exemplo, é uma área de produção premium. Qualquer impacto tarifário — ou seja, impostos cobrados na alfândega — acaba pesando. Se houver uma redução desses tributos na entrada do produto no Brasil, isso pode resultar em um benefício para o consumidor final: em vez de pagar, digamos, R$ 400 por uma garrafa, ele poderia pagar um pouco menos.
Vendas de vinhos espanhóis
Nós, da Ribera del Duero, crescemos mais que a média espanhola em exportações de vinhos. Na comparação de 2025 com 2024, o crescimento em volume de vendas foi de 28% e 20% de aumento em valor. Já a Espanha como um todo ficou estável em volume e cresceu 10% em valor. Mas o dado mais importante de todos é que o preço médio das exportações globais espanholas está em 3 euros por litro. No caso de Ribera del Duero, custa 12 euros o litro.
Temos uma posição privilegiada. É claro que nem todas as vinícolas de Ribera del Duero vendem aos preços de Vega Sicilia, Pintia ou Dominio del Águila, por exemplo. No entanto, essa média revela muito sobre o posicionamento dos vinhos de Ribera del Duero — e isso não vale apenas para o Brasil. O mesmo cenário é observado nos Estados Unidos, na Suíça (que hoje é nosso principal mercado), no México, no Canadá, entre outros.
Nesses mercados — incluindo aqueles onde a venda é controlada por monopólios estatais, como no Canadá —, o preço médio situa-se entre 12 e 14 euros por litro. O aspecto mais positivo é que esses patamares de preço se sustentam não por um aumento nos custos de produção, mas porque o mercado e os consumidores reconhecem que se trata de um vinho com características únicas e qualidade extraordinariamente elevada, justificando, portanto, o investimento. É possível oferecer vinhos a R$ 500, mas, se o público não estiver disposto a pagar, a negociação não se concretiza. E isso acontece, de fato, em todos os mercados. Em suma, tanto em número de vinícolas quanto em volume, a realidade é que os vinhos são comercializados a um patamar de preço bastante favorável.
Quando o consumidor compra uma garrafa, mas não gosta, não compra a segunda. Mas se há um crescimento, quer dizer que ele está gostando. Em 2024, eram vendidos vinhos de 40 vinícolas no Brasil. Durante 2025, tivemos mais 12, agora são 52 com presença aqui.
Ribera del Duero: maior parte da produção é de vinhos tintos
Divulgação / CRDO Ribera del Duero
Foco na harmonização
A forma que nós planejamos chegar ao mercado brasileiro é, em 2026 e 2027, centrar a nossa atividade nos profissionais. Pode ser a imprensa, podem ser influencers do mundo do vinho, podem ser importadores, os vendedores, os sommeliers, os chefs etc. E também aproveitar para dar formação. Fizemos no Rio um evento com menu harmonizado com vinhos de Ribera del Duero. Acreditamos que é muito importante essa vinculação pelas características dos vinhos de Ribeira do Duero. Eles têm uma boa estrutura, cor intensa, um bom nível de tanicidade, mas, ao mesmo tempo, elegância. São vinhos que acompanham muito bem muitos tipos de comida.
Acredito que há dois mercados que são especialmente importantes na gastronomia, que são Dinamarca e México.Toda a comida mexicana, com todos os temperos que utilizam, com todos os picantes, vai muito bem com o nosso vinho. É verdade que a ligação em todo o México com a Espanha é muito elevada em todos os sentidos, tem o idioma etc. Mas todo o tema da comida é muito importante.
A Dinamarca é um país europeu do Norte que não tem nada a ver com a Espanha. Eles comem muitos pratos muito intensos de caça, e, de novo, os vinhos de Ribera do Duero faz harmonizações magníficas. Queremos ter essa proximidade com a gastronomia. Então, os dois primeiros anos de trabalho no Brasil serão focados em profissionais e depois buscaremos chegar aos consumidores.
Uma vez que nós decidimos começar a fazer uma campanha para a Ribera del Duero em um mercado, ficamos a longo prazo nele. Atualmente, são 12 mercados. Em todos seguimos fazendo campanha, não os abandonamos.
Vinhos singulares
Nossos vinhos são singulares, muito distintos dos vinhos argentinos ou chilenos. Nossa oferta é bastante diversificada: há opções de alto valor, mas também rótulos mais acessíveis, adequados tanto para o dia a dia quanto para ocasiões especiais. Você encontrará vinhos com uma estrutura robusta — bem elaborados, elegantes e com um toque amadeirado — mas também opções mais leves, frescas, com maior presença de fruta e uma acidez vibrante. Como seres humanos, tendemos a categorizar e simplificar tudo; no entanto, a realidade é mais complexa: existem vinhos tradicionais, clássicos e modernos — e até mesmo estilos que remetem ao passado.
Temos vinhos modernos — alguns produzidos por vinícolas novas ou que seguem novas propostas —, mas as vinícolas tradicionais também elaboram esse tipo de vinho. Elas mantêm seus estilos clássicos, que continuam sendo produzidos.
Rigor com tempos de envelhecimento do vinho
Vale ressaltar que, na Espanha, há um rigor muito grande quanto aos tempos de envelhecimento. Se um vinho é classificado como “reserva”, é porque ele realmente atende a esses critérios. Tudo é rigorosamente verificado. A categoria “gran reserva”, por exemplo, é muito importante e significativa na Espanha. Para se ter uma ideia, existem quatro tipos de classificações em Ribera del Duero, que são indicadas no contrarrótulo: crianza, reserva e gran reserva.
Essas categorias definem o tempo de envelhecimento, entre outros aspectos. Existe também a classificação “Cosecha”. O termo “Cosecha” pode significar duas coisas: pode referir-se a um vinho jovem — que pode ou não ter passado por barrica —, mas, de modo geral, indica que o vinho não segue estritamente os parâmetros exigidos para as categorias crianza, reserva ou gran reserva. Isso permite maior flexibilidade quanto ao tempo de elaboração e ao tamanho das barricas utilizadas na produção do vinho.
Vinha velha de Ribera del Duero, na Espanha
Divulgação / CRDO Ribera del Duero
Uma Denominação de Origem muito jovem
A região de Ribera del Duero, na Espanha, é uma região muito jovem — tem apenas 44 anos. A região foi criada em 1982, a partir de cinco vinícolas e cinco cooperativas; mas possui uma longa história na produção de vinhos. Recentemente, em Padilla — perto de Peñafiel —, foi encontrado um recipiente contendo vestígios de vinho, datado de cinco séculos antes de Cristo. Além disso, foi descoberto um mosaico — datado do século IV ou V depois de Cristo — que retrata Baco, o deus do vinho.
Já no século XIII, surgiram as primeiras regulamentações para o comércio de vinhos. Em Peñafiel, durante o século XIV, foram estabelecidas as primeiras normas para a comercialização de vinhos. Desde o século XII, foram construídas adegas subterrâneas em muitas das localidades que integram a denominação de origem original. Nós ainda as utilizamos: preparamos o vinho e o enviamos para essas adegas subterrâneas — situadas nas partes mais escuras e profundas — em muitas das vilas ou povoados que compõem a denominação de origem.
Nos anos 80, havia um grupo de pessoas com muita iniciativa, vasta experiência e grande coragem, que possuía um vinho excepcional e de altíssima qualidade. Elas decidiram fazer todo o possível para estabelecer uma Denominação de Origem. É o que acontece em 1982.
O vinho tinto espanhol Vega Sicilia Único: ícone de Ribera del Duero
Divulgação / Tempos Vega Sicilia
Após a criação da Denominação de Origem, a vinícola Vega Sicilia passou a integrar o Conselho Regulador — um marco de extrema importância para nós. Outra marca icônica de Ribera del Duero, a Tinto Pesquera, também se juntou ao Conselho Regulador. E, quando Robert Parker afirmou que a Tinto Pesquera era o “novo Petrus” espanhol, houve um verdadeiro boom tanto para a Tinto Pesquera quanto para a região de Ribera del Duero, naturalmente.
Embora existam muitos séculos de história por trás, chega um momento em que esse grupo de pessoas consegue, de fato, estabelecer uma Denominação de Origem. Porque se vivêssemos em 1940 ou durante esses anos, em Ribera del Duero, eram feitos principalmente claretes, vinho rosado e pouco evoluído. O clarete era feito há 100 anos e não era engarrafado. Agora, na Denominação de Oriegem, só se vende vinho engarrafado. Grande parte do volume é de vinho tinto, mas também temos rosés e, desde 2019, vinho branco.
A adega da Tinto Pesquera
Divulgação / Tinto Pesquera
A Tempranillo é a rainha
A Tempranillo — também conhecida como Tinta del País — é a variedade predominante, ocupando 96% da nossa área de vinhedos. Além dela, outras quatro variedades tintas são autorizadas: Cabernet Sauvignon, Merlot, Malbec e Garnacha Tinta.
Existe também uma variedade branca, cultivada na região há muito tempo, chamada Albillo Mayor. Ela é nativa, autóctone. O Conselho Regulador autorizou a produção de vinhos brancos com Albillo Mayor em 2019. Antes disso, algumas vinícolas já produziam vinhos com essa uva, mas não podiam comercializá-los sob a denominação Ribera del Duero, sendo classificados apenas como vinhos de Castilla y León. Atualmente, existem 70 vinícolas na região, sendo que algumas delas produzem vinhos brancos.
Dos 27.470 hectares totais, 96% são ocupados pela Tempranillo. A área dedicada à Albillo Mayor mas deve girar em torno de 500 hectares — é bastante limitada. A produção é pequena. Ficou estabelecido que a totalidade da produção de uvas brancas deve ser destinada exclusivamente à elaboração de vinhos brancos. Portanto, o volume de vinhos brancos — e também de rosés — que podemos oferecer ao mercado é muito reduzido. A produção compreende vinhos brancos, tintos e rosés, sendo a grande maioria composta por tintos, enquanto 1,3% é rosé; e 0,7% é vinho branco.
Nossa principal uva é a Tempranillo, e o regulamento permite a produção de vinhos que podem ser 100% Tempranillo ou uma mistura com outras variedades especificadas. No entanto, é obrigatório que 75% da produção seja composta pela uva Tempranillo. É possível, por exemplo, ter uma composição de 75% Tempranillo e 25% Malbec. Ou, ainda, 90% Tempranillo e 10% Cabernet Sauvignon, ou até mesmo 100% Tempranillo.
Produzimos vinhos tintos excepcionais, autênticos, singulares, de excelente nível e que oferecem uma ampla variedade de estilos.
Ribera del Duero: única uva permitida para vinho branco é a Albillo Mayor
Divulgação / CRDO Ribera del Duero
Tamanho da área plantada
Não é permitido aumentar a área de cultivo, embora isso possa vir a mudar. Isso porque o consumo está em queda no mundo. Em Bordeaux, foram arrancados vinhedos. Graças a Deus, no dia de hoje, Ribera del Duero é uma região onde a atividade do viticultor é reconhecida.
Acredito que, nos últimos anos, não houve aumento na área plantada; pelo contrário, o rendimento máximo autorizado para vinhos tintos — que era de 7.000 quilos por hectare — foi reduzido para 6.300 quilos, uma diminuição de 10%. Na verdade, mesmo que se tente atingir o limite de 7.000 quilos, não é possível chegar a esse patamar; o limite prático é de 6.300 quilos, portanto, não precisamos nos preocupar com uma oferta excessiva.
Se você valoriza a qualidade dos vinhos que oferecemos, concordará com essa limitação dos rendimentos. A média por hectare na região de Ribera del Duero, nos últimos 10 anos, tem sido de 4.300 quilos. É claro que existem plantações e vinhedos que chegam aos 7.000 quilos, mas há muitos outros — incluindo vinhas antigas e até centenárias em Ribera del Duero — que produzem, talvez, 1.500, 1.000 ou 2.000 quilos por hectare. No fim das contas, a média geral é de 4.300 quilos por hectare.
Não podemos simplesmente focar em aumentar a oferta, pois isso seria muito arriscado; afinal, o vinho não é como a Coca-Cola, em que a produção é ajustada diretamente conforme a demanda. A cada ano, o volume total varia: em um determinado ano, a colheita chegou a 129 milhões de quilos, e este ano estimamos 124 milhões de quilos. Logicamente, não temos um controle absoluto, já que tudo depende das condições climáticas, mas também não precisamos de uma produção excessiva.
Em 2017, no final de abril — mais precisamente nos dias 28 ou 29 —, a região registrou uma geada de mais de 6 horas, durante a noite, com temperaturas muito baixas. Em vez de 110, 120 ou 130 milhões de quilos, naquele ano, colhemos 55 milhões de quilos, o equivalente a 60% da produção.
Somos uma região de clima extremo. No estágio final do ciclo da planta, durante o amadurecimento das uvas, ocorre uma oscilação térmica entre o dia e a noite — que pode chegar a 20 graus.
Mudanças climáticas
As mudanças climáticas são uma preocupação. Temos uma circunstância que nos favorece: estamos em altitude. Mas não queremos decidir que as mudanças climáticas não nos afetam. Um exemplo é que a vindima (colheita) pode durar seis semanas, mas menos ou menos, dependendo do ano.
O maior volume da vindima será em meados de outubro. O dia 12 é o dia da hispanidade e todos os viticultores tinham isso como o momento com mais colheitas. Mas agora se adiantou um mês. Não estamos mais falando de 12 de outubro, mas estamos falando de 12 de setembro. Logicamente, um viticultor pode começar a colher muito cedo se quiser. Este ano, a vinícola que começou mais cedo foi no dia 18 de agosto. E com uvas tintas. Mas cada vinícola decide, na hora da vindima, o ponto de maturação: mais verde, menos verde, onde está adiantando a colheita.
Tempranillo: identidade de Ribera del Duero
Divulgação / CRDO Ribera del Duero
O terroir de Ribera del Duero
Quando você fala dos elementos importantes da região, fala-se do conhecimento, da dedicação dos viticultores. Você tem uma experiência gigantesca ao longo dos anos, um conhecimento enorme. Tentam trabalhar para combater esta mudança climática. Se você plantar vinhas novas, estudam bastante a orientação das vinhas. Se você tem a planta, é preciso fazer com que uma maior parte da sua superfície fique exposta ao sol. Por outro lado, não há necessário um excesso, já que a própria planta acaba protegida pelas suas folhas. Ou seja, desenvolvem-se estratégias para combater as mudanças climáticas, mas, sem dúvida, as mudanças climáticas já são uma realidade.
Ali chove muito pouco. Foram 370 milímetros este ano, isso não é nada, é muito pouco. Por isso, é muito importante todo o vinhedo velho que temos porque a raiz fica muito profunda para encontrar a água e os nutrientes. É um patrimônio.
Temos uma complexidade de solos impressionante. São 33 tipos , com quatro principais: argiloso, calcário, pedregoso e arenoso. E se você se aprofundar, pode mudar o tipo de solo. Isso implica que há diferentes tipologias de nutrientes, que chegam à planta e, portanto, à uva, dando extrema complexidade.
Nossa altitude é muito interessante. No Hemisfério Norte, provavelmente é onde as vinhas estão em maior altitude. Estamos entre 720 e chegamos a mais de 1.100 metros de altitude. Não vejo comparação com a altitude dos vinhedos da Argentina, por esse motivo. No entanto, temos alguns vinhedos de grande altitude que apotam muito frescor ao vinho. Agora, nossa identidade própria vem com a Tempranillo.
Outro ponto que percebi é o vasto conhecimento, o cuidado e a dedicação com que tantos viticultores trabalham, demonstrando uma determinação incrível para produzir vinhos de qualidade. Pouco tempo depois de chegar a Ribera del Duero — devia ser julho ou agosto, no verão —, estava caminhando por um vinhedo com um viticultor e vi cachos de uva que haviam sido cortados e deixados no chão, já secos.
Isso acontece aqui, sim; é uma prática chamada aclareo (desbaste). O que isso significa? Significa que, na fase final de maturação, o viticultor reduz o número de cachos para que toda a energia da planta se concentre naqueles que permanecem, garantindo que recebam todos os nutrientes necessários. Trata-se, claramente, de uma redução de volume visando ao ajuste da qualidade.
De fato, a combinação de todos esses fatores — o clima, as condições ambientais, a altitude, a temperatura e as técnicas de cultivo — é o que permite ao consumidor encontrar vinhos que nunca decepcionam. É uma região pequena — tem cerca de 115 quilômetros de extensão —, mas a grande diferença reside na altitude e também na complexidade dos solos. Assim, o Tempranillo pode apresentar diferentes perfis, dependendo de fatores como o tipo de solo, a altitude do plantio ou a orientação do vinhedo.
Ribera del Duero: quatro tipos de solos principais
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Veja a relação de vinhos de Ribera del Duero apresentados no Brasil:
Melior de Matarromera Albillo Mayor Cuvée 2023
Félix Callejo El Lebrero de Callejo 2024
Martín Berdugo Primera Fruta 2021
Matarromera Crianza 2022
Bodegas Santa Eulalia Conde de Siruela 2024
Protos ’27 2022
Condado de Haza Reserva 2020
Tinto Pesquera Reserva 2020
Dominio de Atauta 2021
Bodegas Pinea del Duero “17” 2021
Região espanhola de Ribera del Duero quer que o Brasil conheça seus vinhos tintos únicos, potentes e premiados
