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‘Rei do Gás’ é o maior doador pessoa física das eleições até agora e distribui R$ 5,7 milhões entre seis partidos

Conhecido como “Rei do Gás”, o empresário Carlos Seabra Suarez, de 74 anos, é, até agora, o maior doador pessoa física das eleições de 2026 na primeira prestação parcial de contas apresentada à Justiça Eleitoral. Ele desembolsou R$ 5,7 milhões, mas não destinou nenhum centavo diretamente a candidatos: todo o dinheiro foi distribuído entre as […]

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Conhecido como “Rei do Gás”, o empresário Carlos Seabra Suarez, de 74 anos, é, até agora, o maior doador pessoa física das eleições de 2026 na primeira prestação parcial de contas apresentada à Justiça Eleitoral. Ele desembolsou R$ 5,7 milhões, mas não destinou nenhum centavo diretamente a candidatos: todo o dinheiro foi distribuído entre as direções nacionais de seis partidos — PSD, PP, União Brasil, MDB, PSDB e PSB. Mesmo sendo um rosto difícil de encontrar na internet, Suarez é figura conhecida nos bastidores de grandes negócios e das articulações políticas. Em 2024, ele já havia doado cerca de R$ 1,2 milhão em campanhas eleitorais.
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A maior parte dos recursos foi dividida igualmente. PSD, PP, União Brasil, MDB e PSDB receberam R$ 1 milhão cada, enquanto o PSB ficou com R$ 700 mil, entre os dias 8 e 10 de setembro. Como as doações foram feitas aos partidos, e não diretamente às campanhas, caso os recursos sejam posteriormente repassados a candidatos, Suarez não aparecerá como doador direto na prestação de contas deles. As contribuições às legendas são registradas nas contas partidárias, que seguem calendário próprio de prestação de contas e podem ser apresentadas à Justiça Eleitoral apenas no ano seguinte.
O valor coloca o empresário no topo do ranking nacional de doadores individuais. Ao todo, pessoas físicas destinaram R$ 368,7 milhões às campanhas nesta primeira prestação parcial. Sozinho, Suarez responde por cerca de 1,5% de todo o dinheiro doado por pessoas físicas.
O segundo maior doador pessoa física até aqui é o empresário Alexandre Grendene, que injetou R$ 3,6 milhões em quatro candidaturas. A maior parte, R$ 2,5 milhões, foi para Luciano Lorenzini Zucco (PL), candidato ao governo do Rio Grande do Sul. Grendene também destinou R$ 500 mil a Ciro Ferreira Gomes (PSDB), candidato ao governo do Ceará, e outros R$ 500 mil a Cid Ferreira Gomes (PSB), candidato ao Senado pelo estado. A quarta beneficiária foi Regina Maria Becker (PDT), candidata a deputada estadual no Rio Grande do Sul, que recebeu R$ 100 mil.
A mulher de Suarez , Abigail Silva Suarez, também aparece entre os doadores desta eleição, mas seguiu um caminho diferente. Enquanto o empresário fez aportes aos partidos, deixando às legendas a definição sobre o destino final dos recursos, Abigail direcionou R$ 620 mil diretamente a três candidatos, todos na Bahia, estado de origem e principal base empresarial da família.
Foram R$ 300 mil para Ewerton Carneiro da Costa, candidato a deputado estadual, R$ 220 mil para Carlos Felipe Vazquez de Souza Leão, candidato a deputado federal, e R$ 100 mil para Juvenilson Passos dos Santos, também candidato à Assembleia Legislativa.
A possibilidade de acompanhar quem financia as campanhas foi ampliada pela Justiça Eleitoral ao longo das últimas eleições. Em 2014, o Tribunal Superior Eleitoral passou a disponibilizar na internet dados detalhados sobre receitas, despesas, doadores e fornecedores. A partir de 2016, candidatos e partidos passaram a ter de informar à Justiça Eleitoral, em até 72 horas, o recebimento de doações em dinheiro. Atualmente, todos os dados podem ser consultados no site DivulgaCandContas.
Doador contumaz
Baiano, Suarez é praticamente ausente dos holofotes, mas aparece com frequência nos bastidores de grandes negócios e das articulações políticas. Em 2024, o lobista baiano doou cerca de R$ 1,2 milhão. Naquele ano, a maior fatia, de R$ 250 mil, foi destinada ao PSB da Bahia. Também recebeu R$ 200 mil o PRD de Salvador e R$ 170 mil o PSDB da capital baiana. O empresário ainda financiou candidatos a prefeito em São Miguel dos Campos (AL) e Maués (AM), com cerca de R$ 120 mil para cada um, além de candidatos do União no interior do Amazonas.
Dois anos antes, nas eleições de 2022, Suarez havia destinado R$ 750 mil. Foram R$ 500 mil para a direção nacional do Republicanos e outros R$ 250 mil divididos entre dois candidatos a deputado estadual na Bahia.
Do setor imobiliário ao gás
Um dos fundadores da empreiteira OAS, Suarez iniciou sua trajetória empresarial no setor imobiliário em Salvador. O “S” da OAS vem justamente de seu sobrenome. A empresa foi fundada na capital baiana nos anos 1970 por Suarez e pelos então sócios Durval Oliveri, o “O”, e César Araújo Mata Pires, o “A”.
Depois, o empresário diversificou os negócios e passou a investir no setor de gás natural. O apelido “Rei do Gás” se consolidou a partir do controle de oito empresas distribuidoras, com atuação em estados do Nordeste, Norte e Centro-Oeste, além do Distrito Federal. Entre os estados citados estão Piauí, Maranhão, Amazonas, Pará, Rondônia, Amapá e Goiás.
A atuação no setor também colocou Suarez no centro de debates sobre a política energética do país. Em 2022, por exemplo, seu nome apareceu nas discussões que antecederam a escolha da nova cúpula da Petrobras. Rodolfo Landim e Adriano Pires, cotados respectivamente para a presidência do conselho e da estatal, haviam prestado serviços ao empresário. Relatórios do Comitê de Pessoas da Petrobras apontaram a relação como um dos problemas para a indicação dos dois, que acabaram desistindo dos cargos.
No Amazonas, Suarez travou ainda uma disputa pública com o então deputado estadual Josué Neto. O parlamentar o acusou de suspeitas de pagamento de propina para interferir na votação de uma nova legislação sobre gás natural no estado. Suarez entrou com uma ação no Superior Tribunal de Justiça contra o deputado por injúria e difamação, mas o processo foi rejeitado em março de 2021.
Outro episódio relacionado aos negócios do empresário envolveu uma conta na Suíça da Termogás Internacional, empresa de Suarez. A conta foi bloqueada pelas autoridades suíças em uma investigação do Ministério Público Federal de Brasília por suspeita de ter sido usada em operações de lavagem de dinheiro detectadas na Lava-Jato. Segundo a apuração à época, a conta teria recebido repasses de contas também utilizadas para pagamentos de propina a agentes públicos da Petrobras. O advogado de Suarez afirmou que o empresário não era investigado por crimes e que o bloqueio havia sido feito preventivamente pelas autoridades suíças.

‘Rei do Gás’ é o maior doador pessoa física das eleições até agora e distribui R$ 5,7 milhões entre seis partidos

Autor

BRCOM