Foi dada a largada na primeira fase da integração entre o Hospital Federal da Lagoa (HFL) e o Instituto Fernandes Figueira (IFF/Fiocruz). Com a presença do ministro da Saúde, Alexandre Padilha, foram assinados ontem acordos para a unificação das duas unidades — que serão administradas pela Fundação Oswaldo Cruz — e para a reestruturação dos Institutos nacionais do Câncer (Inca), Traumatologia e Ortopodia (Into) e de Cardiologia (INC). Serão investidos R$ 170 milhões nos dois projetos que fazem parte do Agora Tem Especialistas, programa federal que visa a agilizar o atendimento nas filas do SUS.
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A junção das duas unidades faz parte de um plano de reorganização da rede federal de saúde no Rio. Os hospitais de Bonsucesso e dos Servidores, por exempo, foram transferidos para empresaa públicas. Já Andaraí e o Cardoso Fontes estão sendo geridos pela Prefeitura do Rio.
Embora iniciada a fusão entre HFL e IFF/Fiocruz, relatório elaborado pelo Ministério da Saúde, em conjunto com a Fiocruz, conclui que não basta a união administrativa para que as duas unidades funcionem adequadamente. O documento, apresentado em audiência pública solicitada pela Defensoria Pública da União (DPU), no último dia 20, aponta sérias deficiências em infraestrutura, além da necessidade de melhorias na gestão de insumos e medicamentos, nos contratos, na destinação orçamentária e na reorganização no quadro de funcionários.
Para a defensora federal Taísa Bittencourt, representante do órgão na audiência, ainda é necessário detalhar como serão ampliados os leitos no HFL. Segundo ela, o texto do relatório, por exemplo, não apresenta garantias do aumento de cirurgias ortopédicas. Taísa ainda manifesta preocupação com o risco de superlotação do prédio do Lagoa, que funciona sem alvará do Corpo de Bombeiros.
O Sindicato dos Médicos do Rio de Janeiro também expressa preocupação.
— Não sabemos para onde irão os usuários das especialidades que deixarão de existir no Lagoa. São perfis diferentes. A preocupação é que haja redução no atendimento oncológico, entre outros, numa cidade que já sofre com o déficit de unidades de alta complexidade — afirmou Alexandre Telles, presidente do sindicato.
No entanto, o ministro da Saúde demonstra otimismo com a integração. Para Padilha, esta será a maior ampliação de cuidado e atendimento da história da rede federal de saúde em território fluminense:
— Ninguém ficará para trás ou deixará de ser atendido. Estamos falando de ampliação do atendimento, não de fechamento. É qualificação de cada um dos hospitais, não destruição. Nosso compromisso, é atender a todos os pacientes dessas unidades, inclusive os que aguardam em filas internas à espera desse serviço.
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Durante a assinatura do acordo, foi citado que serão abertos 166 leitos nas duas unidades, mas não foi informado quantos em cada uma. O Lagoa tem 248 leitos. Ontem, tinha 152 ocupados e 66 impedidos.
O relatório do Ministério da Saúde cita a necessidade de um robusto pacote de obras nas duas unidades. “A avaliação realizada revelou uma estrutura hospitalar com potencial para oferecer um atendimento de alta qualidade em uma futura integração, desde que haja dinheiro para isso”, diz um trecho do documento.
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De 1959, o edifício do Hospital da Lagoa, tem problemas estruturais graves. O texto aponta a necessidade de reforma da fachada e das redes de água e esgoto; de impermeabilização; e de modernização do sistema elétrico, de telefonia e de combate a incêndios. Fotos anexadas mostram, entre outros problemas, o piso da sala de direção, no décimo andar, com infiltrações; o centro cirúrgico, no nono andar, com piso e paredes danificados; e alas fechadas.
Já o prédio do Fernandes Figueira é centenário e limitado. Os leitos de maternidade e das enfermarias pediátricas “não estão em conformidade com as normas e recomendações técnicas”. Tais unidades carecem de espaço para acompanhantes legais, distância adequada entre os leitos, rotas de fuga e acessibilidade. O documento, cita ainda que faltam UTI materna e salas de recuperação pós anestésica, nos três centros cirúrgicos.
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Segundo o levantamento, o orçamento das duas unidades é quase todo voltado para o custeio. São destinados ao custeio 96,9% no Lagoa e 95,2% no Fernandes Figueira. “Estes números evidenciam que ambas as instituições recebem recursos para cobrir despesas correntes, majoritariamente relacionadas à manutenção das operações, enquanto os investimentos em infraestruturas e investimentos ocupam um papel secundário”.
O estudo ainda revela que o Lagoa possui 1.967 funcionários, entre efetivos, temporários, terceirizados e residentes, enquanto o Fernandes Figueira tem 2.048. Grande parte desses profissionais são terceirizados, e o custo com contratos é alto: por ano, R$ 61,6 milhões no Lagoa e R$ 77,9 milhões no Fernandes Figueira. “Parte destes contratos tem sobreposição de objeto”, alerta o documento.
Conforme nota do Ministério da Saúde, as contratações dos profissionais serão realizadas pela Fundação de Apoio à Fiocruz (Fiotec), mas não são quantificadas. A integração será em duas etapas. A primeira, iniciada nesta terça-feira, prevê a criação de um canal de comunicação com pacientes do SUS e trabalhadores das duas unidades, bem como a contratação de profissionais para gestão de recursos humanos. Segundo Teresa Navarro, diretora do departamento de gestão hospitalar no Rio, haverá reformas emergenciais e mutirões para resolver problemas internos. Nessa fase, que deve ser concluída no fim do ano, ainda está prevista a reabertura gradual de cerca de 62 leitos.
A segunda fase, que deve começar no início em 2026, prevê a ampliação e a diversificação dos serviços, com foco na saúde da mulher, da criança e do adolescente.
Nesta quinta-feira, haverá nova audiência pública para tratar da integração.
INSTITUTO NACIONAL DE CARDIOLOGIA
Estão previstos 470 novos profissionais para a unidade em Laranjeiras, na Zona Sul, além de terem anunciado a ampliação para 164 leitos e o aumento nos investimentos em medicamentos e materiais. Ontem, o hospital tinha 124 dos seus 160 leitos ocupados.
INSTITUTO DE TRAUMATOLOGIA E ORTOPEDIA (Into)
A capacidade cirúrgica deve aumentar em 28,5% em seis meses e em mais 17% em um ano.
INSTITUTO NACIONAL DO CÂNCER (Inca)
Serão mais 784 profissionais distribuídos entre os quatro hospitais que compõem a unidade.
Para a unidade da Praça da Cruz Vermelha, estão previstas três novas salas cirúrgicas, o que permitirá ampliar em 30% o número de procedimentos. Haverá ainda a reabertura da Unidade de Pós-Operatório, a reativação de 30 leitos de enfermaria — oito deles direcionados para oncologia pediátrica — e o reforço nas equipes de anestesiologia, radiologia, endoscopia e ecocardiograma.
A unidade no Santo Cristo, onde são atendidos os casos de câncer ginecológico, deve ganhar uma nova sala cirúrgica e reforço da equipe de enfermaria cirúrgica e dos setores de farmácia e radiologia.
Com mais um centro cirúrgico na unidade de Vila Isabel, o número de procedimentos deve aumentar 25%. Estão previstas a abertura da central de quimioterapia aos sábados e a ampliação do serviço de tomografias.
A capacidade ambulatorial na unidade, que também fica em Vila Isabel, terá aumento de 42%, e o atendimento domiciliar crescerá cerca de 40%.