BRcom - Agregador de Notícias
No Result
View All Result
No Result
View All Result
BRcom - Agregador de Notícias
No Result
View All Result

relembre essa história com o Acervo O GLOBO

BRCOM by BRCOM
agosto 1, 2025
in News
0
Reconstituição da cena do crime na Barra da Tijuca em 1975. Uma testemunha aponta o local onde viu duas pessoas matarem Vantuil — Foto: Jose Vidal / Agência Globo

Movidos pela informação de que havia um homem baleado na orla da Barra da Tijuca, na Zona Oeste do Rio, os policiais chegaram ao local indicado, perto do antigo quiosque Via 11, e encontraram Almir da Silva Rodrigues estirado na praia, próximo à pista de trânsito, coberto com o próprio sangue. “Foi a Lou”, disse o motorista de táxi de 25 anos, agonizando. “Foi a Lou”, repetiu ele, antes de não conseguir mais falar, devido aos tiros na garganta. Em estado grave, a vítima foi levada para o Hospital Miguel Couto, na Zona Sul.

  • Amado e temido: o Bonequinho do GLOBO fez história
  • Blog do Acervo: como milhares de latas de maconha foram parar nas praias do Rio

Na época, a Barra da Tijuca era uma região pouco habitada. Naquela noite de terça-feira, dia 3 de dezembro de 1974, não havia quase ninguém no cruzamento da Avenida Sernambetiba (atual Lúcio Costa) com a Via 11 (atual Avenida Ayrton Senna), agora um ponto bastante movimentado.

Dias depois, o detetive Ubirajara dos Santos encontrou, na casa de Almir, uma gaveta com cartas e fotos de Maria de Lourdes Leite, estudante da Uerj que tinha sido namorada dele. O policial, então, levou o material ao quarto do taxista no hospital. O rapaz não podia falar, mas, gesticulando, contou que, após ser convidado por Lou para um encontro, os dois foram de carro até a Praia da Barra. Lá, pararam ao lado de um Volkswagen, de onde saiu um homem que atirou nele juntamente com a moça. Almir morreria no dia seguinte a esse relato.

Quando Maria de Lourdes foi chamada à 16ª DP (Barra da Tijuca) para depor, houve uma surpresa. Ao se identificar, a mãe da estudante perguntou se a filha tinha sido convocada para falar sobre a morte de Vantuil, outro ex-namorado da moça. Imediatamente, os policiais se lembraram de Vantuil de Matos Lima, assassinado 13 dias antes de Almir. O corpo dele fora encontrado no dia 20 de novembro, a cem metros do local onde, no dia 3 de dezembro, Almir seria baleado. Não foi difícil para os detetives imaginarem que os casos estavam ligados.

Reconstituição da cena do crime na Barra da Tijuca em 1975. Uma testemunha aponta o local onde viu duas pessoas matarem Vantuil — Foto: Jose Vidal / Agência Globo

Maria de Lourdes tentou negar a participação nos crimes, mas as versões dela dando conta de onde estava nos momentos dos assassinatos foram desmentidas pelas investigações. Até mesmo a cobertura da imprensa, que se debruçou sobre o caso, revelava testemunhas e pistas que apontavam a moça como a principal suspeita. Em entrevista ao GLOBO, dois amigos de Almir relataram que, horas antes de morrer, ele disse que sairia com a “filha do coronel”, referindo-se a Maria de Lourdes, cujo pai era do Exército.

O GLOBO contratou até o detetive particular Bechara Jalkh, um dos investigadores mais conhecidos do país, para levantar informações. Foi ele quem achou uma testemunha chave do primeiro assassinato. Nelson do Espírito Santo trabalhava e dormia num trailer na Avenida Sernambetiba. Nelson contou que ouviu os tiros e que, ao abrir a janela, um homem de arma em punho olhou para ele e gritou: “Quer morrer também?!”. Era Vanderley Gonçalves, cartógrafo do Observatório Nacional e noivo de Maria de Lourdes, que tinha acabado de matar Vantuil.

No início das investigações, o casal Van-Lou mantinha versões combinadas. De acordo com os relatos, eles estavam em outros locais nos momentos dos crimes. Mas, diante de furos nos depoimentos, os dois romperam a relação e passaram a trocar acusações. A moça entregou à polícia o revólver calibre 32 do pai usado nos crimes. Ela disse que a arma fora emprestada a Vanderley. De acordo com a estudante, o cartógrafo de 33 anos decidira matar seus ex-namorados por ciúmes. Lourdes contou que ele falava o tempo todo em “limpar o passado” dela.

Na versão da “filha do coronel”, Vanderley queria se casar com ela, mas ficara decepcionado quando soube que Lou não era virgem. Segundo ela, o namorado não admitia que outros homens pudessem dizer por aí que já haviam dormido com a sua mulher. Por isso, disse a moça, o cartógrafo decidiu matar os dois.

Vanderley negava a participação nos crimes. Mas o depoimento de Nelson do Espírito Santo o desmentiu.

Lourdes confessou ter atraído as vítimas, mas alegava que tinha sido enganada. O namorado teria dito que queria “conversar” com os dois e que, apenas por isso, a moça concordara em chamá-los para sair.

A investigação, porém, mostrou como, além de levar os ex-namorados para o encontro com a morte, ela atirou em ambos (duas armas foram usadas nos crimes).

Maria de Lourdes (Lou), durante o julgamento em 1979, afirma que Vanderley (Van) a coagiu a participar dos assassinatos de Almir e Vantuil — Foto: Anibal Philot / Agência O Globo
Maria de Lourdes (Lou), durante o julgamento em 1979, afirma que Vanderley (Van) a coagiu a participar dos assassinatos de Almir e Vantuil — Foto: Anibal Philot / Agência O Globo

Van e Lou só foram julgados em janeiro de 1979. A estudante foi condenada a 20 anos de prisão, enquanto Vanderley recebeu pena de 18 anos de cadeia. Os dois conseguiram liberdade condicional em 1982.

O crime foi reconstruído no livro “O caso Lou”, de Carlos Heitor Cony, lançado em 1975. O episódio também inspirou o filme “Beijo na boca” (1982), dirigido por Paulo Sérgio Almeida. E, em 2003, foi tema de uma edição do programa “Linha Direta Justiça”, da Rede Globo.

relembre essa história com o Acervo O GLOBO

Previous Post

BioParque ainda não tem previsão de reabertura, após mortes de mais aves por suspeita de gripe aviária

Next Post

Antonio Maria no GLOBO: leia uma crônica do compositor e cronista

Next Post
Antonio Maria no GLOBO: leia uma crônica do compositor e cronista

Antonio Maria no GLOBO: leia uma crônica do compositor e cronista

  • #55 (sem título)
  • New Links
  • newlinks

© 2026 JNews - Premium WordPress news & magazine theme by Jegtheme.

No Result
View All Result
  • #55 (sem título)
  • New Links
  • newlinks

© 2026 JNews - Premium WordPress news & magazine theme by Jegtheme.