O senador Renan Calheiros (MDB) negou nesta quinta-feira que tenha traído o governo Lula e votado contra a indicação de Jorge Messias ao Supremo Tribunal Federal (STF). A declaração ocorre após especulação de que parlamentares do MDB e do PP, partidos ao centro que tiveram cargos na Esplanada nos últimos três anos, teriam votado pela rejeição do Advogado-Geral da União (AGU).
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“São improcedentes as ilações sobre o MDB e mentirosas as especulações sobre o meu voto, dos senadores Renan Filho e Eduardo Braga. Trabalhamos e votamos em Jorge Messias. Derrotas devem ensinar e não gerar efeitos lisérgicos vindos do cavalo de Tróia dentro do governo”, escreveu Calheiros.
Messias teve 34 votos a favor da indicação e 42 contrários na noite de quarta-feira. Ele precisava do apoio de ao menos 41 dos 81 senadores, a maioria absoluta — faltaram 7 votos para que a indicação fosse aprovada.
Em relatos ao GLOBO, parlamentares lembraram a proximidade de nomes da bancada do MDB com o ministro do Tribunal de Contas da União (TCU) Bruno Dantas, que também buscava ser indicado a uma vaga no STF.
Auxiliares de Lula creditam a derrota no Senado a uma articulação do presidente do Senado Davi Alcolumbre (União) contra Messias. Inicialmente considerado um dos pontos de governabilidade de Lula 3, o senador se afastou do Planalto e passou a criticar publicamente o governo federal após o chefe do Executivo indicar Messias para a vaga no Supremo — e não Rodrigo Pacheco (PSB-MG), aliado de primeira hora do presidente do Senado.
Quatro senadores afirmaram ao GLOBO, sob reserva, que o movimento de Alcolumbre foi em cima de parlamentares do centro, da oposição e indecisos. Segundo eles, o presidente do Senado teria procurado esses nomes e estimulado o voto contrário ao chefe da AGU. A assessoria de imprensa de Alcolumbre foi procurada e negou qualquer atuação do senador nesse sentido.
Messias foi indicado por Lula para ocupar uma vaga na Corte há mais de cinco meses, mas enfrentou resistências da oposição e, principalmente, da cúpula do Senado, sobretudo de Alcolumbre (União Brasil-AP). Mais cedo, na Comissão de Constituição e Justiça (CCJ), Messias teve 16 votos em sabatina que foi marcada por um clima de apreensão de governistas diante da falta de segurança se ele seria aprovado.

