Depois de rodar o mundo com o seu talento e se firmar como nome internacional da dança, o bailarino, diretor e coreógrafo Thiago Soares apresenta o seu novo projeto esta semana, no Teatro Multiplan. A Cia de Dança Thiago Soares encenará o seu primeiro espetáculo, “Gala brusco”, em únicas apresentações na terça e na quarta.
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— Teremos obras neoclássicas que usam a base do clássico como DNA da técnica, mas se permitem movimentações modernas, e obras ligadas às danças populares brasileiras e às danças urbanas, que é de onde eu venho — destaca Soares, animado com os dez bailarinos que reuniu há quatro meses para criar sua própria companhia, com sede no Link Office Mall, na Barra.
Ele realmente não se esquece de onde vem. Nascido em São Gonçalo e criado em Vila Isabel, já havia voltado ao Rio de Janeiro no início de 2020, logo depois de se desligar do Royal Ballet de Londres, onde foi o primeiro bailarino por vários anos. Nesta ocasião, criou o seu próprio estúdio, o TS+Dança, também na Barra, com aulas para o público em geral. A quarentena provocada pela pandemia de Covid veio pouco depois, suspendendo as atividades no local, que sobreviveu e funciona até hoje. O bailarino, no entanto, voltou a morar fora do país, e acabou assumindo o cargo de diretor artístico do Ballet de Monterrey, no México. Há um ano, voltou para o Rio e para a Barra da Tijuca, disposto a tirar do papel os planos de montar sua própria companhia.
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— Nos três anos que fiquei no México, percebi que havia algumas coisas que gostaria de fazer no meu formato, com o meu método. Quero colocar para a frente a carreira de outros artistas jovens. Acredito que eu possa contribuir com a gestão e profissionalização deles — avalia.
Instalado por aqui, ele chamou profissionais para compor a companhia, encontrou a sede e abriu uma audição para selecionar os dez bailarinos, jovens entre 18 e 28 anos, que participarão da estreia do grupo nesta terça. Além de implementar um repertório autoral de coreografias, Soares quer apostar num método que desenvolva a capacidade individual de cada artista e numa carga de ensaios intensa, mas mais curta, de segunda a quinta, que permita aos bailarinos terem um ganho na qualidade de vida, além de poderem estudar, por exemplo. Aos jovens que sonham com uma oportunidade, ele deixa o recado.
—Quem quiser fazer parte do nosso time pode mandar uma mensagem para o nosso perfil de Instagram, solicitar uma audição ou apenas ficar atento nas nossas redes, porque vamos abrir seletivas em breve, para aumentar o grupo — anuncia.
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Sua história é inspiração para novos talentos e já virou até filme, “Um lobo entre os cisnes”, dirigido por Helena Varvaki e Marcos Schechtman, que estreou este ano nos cinemas e mostra justamente sua relação com seu mestre da dança na adolescência, o coreógrafo cubano Dino Carrera (1948-2006). Outro sonho de Soares é proporcionar um caminho possível para bailarinos no Brasil, agora que, aos 44 anos, finalmente está de volta à sua cidade.
— Para mim, o caminho profissionalmente era fora (do país). A vontade de crescer depois de ganhar medalhas foi inevitável. Mas quem me conhece sabe que eu sempre fui um amante do Brasil. Acho que se eu tivesse tido opções que realmente me acolhessem aos 20 anos, talvez não tivesse ido. É importante não deixar de incentivar os sonhos dos jovens que querem ter essa experiência internacional, mas também podemos cultivar o nosso sonho nacional — argumenta.
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Atualmente, Thiago Soares mantém a companhia com doações de apoiadores que reconhecem seu talento e legado. Mas ele almeja que o grupo consiga um patrocinador em breve, além de cobrar mais incentivos dos governos à cultura. Na Cia de Dança Thiago Soares, são quase 40 profissionais atuando direta ou indiretamente. Os bailarinos recebem salário fixo e tratamentos como fisioterapia. Para a região e para o país, ele destaca o impacto que a cultura provoca.
— Quando nasce uma companhia, começa a formação de uma plateia. As famílias desta região vão lá no teatro para nos assistir, compram um ingresso, podem talvez gostar e recomendar. Ou seja, é óbvio que é um veículo para esses artistas, que se desenvolvem, mas é também um estado político, social e de trabalho. Quando nasce uma companhia, nasce um pouco de futuro também, para a cidade e, definitivamente, para o país— completa.

