Após a decisão do Progressistas de vetar a senadora Tereza Cristina (PP-MS) como candidata a vice na chapa de Flávio Bolsonaro à presidência da República, o senador afirmou que respeita a decisão do partido, mas “não desiste nunca”. Instantes antes do PP confirmar que ficará neutro na disputa federal, Flávio havia dito que ainda estava negociando com o partido.
— A nota deixou bem claro que o partido tinha por maioria decidido pela neutralidade. Óbvio que eu respeito, mas eu sou brasileiro e não desisto nunca. Então, vamos continuar nas conversas com demais partidos que nós já viemos conversando também, mas podem ter certeza que a gente vai ter a melhor chapa para poder oferecer à população brasileira — falou.
Flávio participou de uma reunião com 20 vereadores de São Paulo, organizada pelo prefeito da capital, Ricardo Nunes (MDB). O encontro reuniu parlamentares de partidos como PL, MDB, União Brasil, PP, Republicanos e Podemos, e foi realizado no comitê de campanha do candidato em São Paulo, ao lado do Parque Ibirapuera. O governador Tarcísio de Freitas (Republicanos) também esteve presente.
Antes do evento começar, Flávio havia demonstrado otimismo em relação a ter Tereza como sua vice, mas minutos depois o partido anunciou que ficaria neutro na eleição federal e que, portanto, a senadora não iria compor a chapa do filho do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL).
Apesar da negativa do partido, o senador elogiou Tereza, disse que ficou “honrado” por ela ter aceitado o seu convite e minimizou qualquer atrito com a sigla.
— É o partido (PP) onde eu iniciei a minha carreira política, em que eu me sinto bastante em casa e me relaciono bem com seus presidentes. Até o dia 5 tudo pode acontecer. Independente de qualquer coisa, eu já quero aqui deixar o meu agradecimento ao Progressistas e ao União Brasil, porque as conversas continuam em vários estados do Brasil. Nós vamos estar juntos em diversos palanques, como aqui em São Paulo – disse.
O PL tem até dia 5 de agosto para definir a chapa de Flávio, mas até o momento não conseguiu firmar aliança com partidos do Centrão, e corre o risco de ter que adotar uma solução “caseira”, com um vice também do PL. Outro nome que vem sendo citado como uma possibilidade de vice é o de Daniella Marques, ex-presidente da Caixa Econômica Federal. Sua indicação, entretanto, depende de um acerto com o Republicanos, legenda à qual é filiada.
Um eventual acordo com o PP faria com que o PL reforçasse também a campanha com o União Brasil, uma vez que o partido chefiado pelo senador Ciro Nogueira (PP-PI) compõe uma federação com a sigla de Antônio Rueda (União Brasil-RJ) nas eleições deste ano. A aliança elevaria o tempo de propaganda em rádio e TV a que Flávio teria direito a partir de agosto.
Tereza Cristina foi ministra da Agricultura no governo de Jair Bolsonaro e poderia exercer um contraponto a Ronaldo Caiado (PSD), ex-governador de Goiás e conhecido pela atuação como ruralista, que disputa votos contra Flávio na direita. Ela recusou a indicação na semana passada, em conversas com o presidente do PL, Valdemar Costa Neto, mas admitiu a possibilidade esta semana, delegando a decisão final ao seu partido.

