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outubro 4, 2026
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'Responsabilidade com os descendentes': eleitores com mais de 70 anos vão às urnas mesmo sem obrigatoriedade de voto

Por · outubro 4, 2026


Podendo aproveitar o domingo de sol, idosos com mais de 70 anos, que não têm mais a obrigação de votar (a obrigatoriedade vai dos 18 aos 70 anos), decidiram exercer o direito de cidadania e chegaram antes da abertura dos portões na manhã deste domingo em vários locais de votação do Rio.
Segundo o Tribunal Regional do Rio de Janeiro, o estado tem 1,8 milhão eleitores com mais de 70 anos, número que aumentou 14,3% das últimas eleições nacionais até agora. Em 2022, o contingente de idosos com voto facultativo em solo fluminense era de 1,6 milhão.
Os eleitores chegaram antes mesmo da abertura dos portões do Centro de Convenções Sul América, o sexto maior local de votação da cidade do Rio. O aposentado João Batista Cordeiro, de 76 anos, que mora em Jacarepaguá, chegou meia hora antes da abertura dos portões para votar no local:
— Eu venho votar mais por conta da prova de vida da minha aposentadoria. Mas, além disso, acho importante exercer o meu dever como cidadão. Enquanto eu tiver vida, vou votar para ver se o país melhora um pouco.
João Batista Cordeiro, 76 anos , Centro de convenções Sul America
Ana Branco
A vontade por mudança também se manifesta no casal de aposentados Eduardo Vitorino, de 75 anos, e Sandra de Oliveira, de 71. Moradores do Catumbi, eles foram acompanhados da filha, Isabel Cristina de Oliveira, de 34 anos.
— Voto para o Brasil melhorar, porque nada está bom, principalmente a economia e a segurança. Penso que meu voto pode fazer diferente para os meus filhos, netos e bisnestos— diz o idoso.
Já para Sandra de Oliveira, “tudo precisa mudar”.
— Vou votar até o dia que Papai do Céu me levar. Quero ajudar a deixar um futuro melhor para os meus filhos.
Já no Catete, Zona Sul do Rio, no Colégio Zacarias, a aposentada Neomir Oliveira, de 81 anos, decidiu votar usando uma camisa de Nossa Senhora Aparecida e um adesivo de Lula, explicitando seu voto:
— Não gosto que ninguém resolva por mim, eu tenho que vir votar. E mais tarde a apuração vai ser lá em casa, com minhas amigas, com uísque, cerveja e vinho. Se Deus quiser, vai ser para comemorar.
A escolha da camisa foi intencional. Após a polêmica de que o presidenciável Flávio Bolsonaro iria retirar Nossa Senhora Aparecida do posto de padroeira do Brasil, muitos eleitores e fiéis se revoltaram. Flávio Bolsonaro negou veementemente a acusação, classificando como “ fake news”:
— Eu não tenho religião, mas, quando surgiu essa história absurda de retirar a santa como padroeira, resolvi me manifestar. Minha filha que me deu de presente.
Neusa de Jesus Sá, aposentada de 85 anos que também votou no mesmo local, fez um apelo aos jovens para que exerçam o direito ao voto:
— Enquanto eu puder andar e enxergar, eu vou votar. Eu sou livre. E digo para os jovens fazerem a mesma coisa. Temos que lutar, abrir a boca quando precisa.
Neusa não estava com a blusa de Nossa Senhora Aparecida, mas também comentou a polêmica:
— Ainda vem um querer tirar o título da nossa senhora da padroeira? É o fim da picada. Todo mundo pode seguir a religião que seguir. O filho é pior que o pai.
Presença grande de idosos na Uerj
Os eleitores com mais de 70 também tiveram presença notória na abertura das votações no segundo maior local de votação da cidade, a Universidade Estadual do Rio de Janeiro (Uerj), localizada no Maracanã.
— Eu tenho 73 anos, vivi na Ditadura Militar e passei perrengue para burro. Se você tem alguma responsabilidade com o futuro dos seus descendentes, venha votar — afirmou o professor aposentado Paulo César Almeida, que, mesmo sem ter obrigatoriedade, foi até a universidade votar.
Luis Carlos, aposentado, 70 anos
Amanda Rosa
O aposentado Luis Carlos entrou para o grupo neste ano, mas acredita que é um “dever cidadão” continuar indo às urnas. Aos 70 anos, ele esteve entre os primeiros a votar na Zona Norte do Rio.
– Eu só não viria se eu estivesse muito doente, mas, enquanto eu estiver passando bem, com saúde, eu venho – afirmou.
O mesmo pensamento é endossado pela trabalhadora doméstica Rosa Aragão, de 71 anos. Por volta de 8h40, 40 minutos após o início das eleições, ela descia os elevadores da Uerj com sensação de dever cumprido.
— Eu voto pelas minhas filhas e minhas netas. Eu tenho artrite, psoríase, problemas nas pernas, mas eu quis vir para deixar um legado para os meus familiares mais novos — disse Rosa, que deixou ainda um recado para outros idosos que não precisam mais votar.
— Faça uma força, peça para os seus netos e filhos te conduzirem às urnas. Faça isso por eles para quando “papai do céu chamar” a gente ir feliz.

'Responsabilidade com os descendentes': eleitores com mais de 70 anos vão às urnas mesmo sem obrigatoriedade de voto