A resposta dos Estados Unidos ao pedido de consulta feito pelo governo brasileiro à Organização Mundial do Comércio (OMC), para discutir as duas sobretaxas impostas pelo governo americano, é uma vitória do Brasil.
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Há especialistas que consideram a decisão apenas protocolar, já que, normalmente, o país questionado aceita a abertura de consultas. Mas os Estados Unidos não são mais um país normal. O governo de Donald Trump não segue praxes ou regras que costumavam orientar as relações comerciais e diplomáticas.
Com esse movimento, o Brasil reafirma que acredita no multilateralismo e continua apostando nele, mesmo que a OMC seja hoje, como todos sabem, uma instituição esvaziada. Isso ocorreu, em grande medida, porque os Estados Unidos bloquearam a recomposição do órgão responsável por julgar as disputas comerciais, impedindo que a instituição tome decisões de forma plena.
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Ainda assim, o Brasil fez o certo ao recorrer à OMC. E agora obteve uma pequena, mas importante, vitória: os Estados Unidos aceitaram conversar. Mais do que isso, a China informou que pretende participar do debate ao lado do Brasil.
É fato que dificilmente haverá uma decisão da OMC sobre as tarifas. Mas há, nesse movimento, a defesa de um princípio pela diplomacia brasileira e a abertura de um espaço de diálogo pelos Estados Unidos — que, até agora, não têm se mostrado dispostos a conversar sobre nada.

