O Rio de Janeiro passou a contar, a partir deste domingo (28), com a primeira trilha insular aberta à visitação dentro de uma unidade de conservação. Inaugurada pelo Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio), a Trilha da Comprida está localizada na Ilha Comprida, uma das ilhas que integram o Monumento Natural das Ilhas Cagarras (MONA Cagarras), a cerca de cinco quilômetros da Praia de Ipanema. O novo atrativo também marca a chegada da Trilha Transcarioca ao oceano, incorporando pela primeira vez um trecho marítimo ao percurso de 180 quilômetros que liga Barra de Guaratiba ao Morro da Urca.
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A visitação estará disponível diariamente, das 7h às 17h, sem possibilidade de pernoite. O percurso foi sinalizado com placas de orientação e interpretação ambiental e poderá ser feito em três modalidades: um trajeto de 400 metros, em formato de bate-volta; outro de 800 metros, que percorre as faces sul e norte da ilha; e um circuito completo de 1,2 quilômetro, que inclui também a face leste.
Caminhada pela Trilha da Comprida revela um dos ângulos mais privilegiados da orla carioca
Custódio Coimbra
Segundo a chefe do MONA Cagarras, Tatiana Ribeiro, a abertura da trilha representa um novo momento para a unidade de conservação, criada em 2010 para proteger um dos mais importantes ecossistemas marinhos do litoral fluminense.
— O MONA Cagarras ainda é uma unidade jovem e poder abrir esse atrativo é motivo de orgulho. Além de proporcionar uma experiência inédita para cariocas e turistas, a trilha aproxima o público da importância da conservação da biodiversidade marinha e insular — afirmou.
Grande parte do percurso da Trilha da Comprida é feita sobre rochas naturais
Custódio Coimbra
Um dos principais atrativos do percurso é justamente a vista privilegiada da cidade a partir do mar. Ao longo da caminhada, os visitantes têm um ângulo pouco conhecido da orla carioca, com panoramas para o Parque Nacional da Tijuca, os morros Dois Irmãos e Pão de Açúcar, além das praias de Ipanema, Copacabana e da Pedra do Arpoador. Durante a temporada migratória, entre junho e agosto, também há possibilidade de avistar baleias-jubarte no oceano.
Além da paisagem, a trilha permite contato direto com a biodiversidade preservada do arquipélago. A vegetação reúne espécies típicas da Mata Atlântica insular e da restinga, como cactos, bromélias e clúsias, que servem de abrigo para animais como a pererequinha-de-bromélia. Também é possível observar aves como o tiê-sangue e, no entorno das ilhas, fragatas e atobás-marrons, que utilizam o arquipélago como área de reprodução.
Embora não exista restrição legal de idade, o ICMBio recomenda que a atividade seja realizada por pessoas com mais de 12 anos e sem limitações de mobilidade. O acesso à ilha exige o chamado “desembarque molhado”, quando o visitante precisa nadar cerca de 30 metros entre a embarcação e o costão rochoso antes de iniciar a caminhada. Como parte do percurso também é feito sobre rochas úmidas e irregulares, o trajeto é classificado como de dificuldade moderada a alta.
Por questões de segurança, o instituto orienta que a visita seja realizada com empresas de transporte aquaviário e condutores credenciados. Cada guia poderá acompanhar grupos de até cinco pessoas, embora o acesso por embarcação própria também seja permitido. Antes da visita, os interessados devem consultar o Guia do Visitante, o protocolo operacional da unidade e o termo de ciência dos riscos, disponíveis no site, nas redes sociais do ICMBio e por meio de QR Codes instalados na própria ilha.
A implantação da trilha começou a ser planejada em 2012, a partir de uma proposta apresentada por pesquisadores da Universidade Federal do Estado do Rio de Janeiro (Unirio). O projeto passou a integrar o Plano de Uso Público da unidade em 2021 e, desde então, recebeu investimentos em sinalização, infraestrutura de segurança, capacitação de condutores e instalação de placas interpretativas. Parte dos recursos foi executada pelo Fundo Brasileiro para a Biodiversidade (Funbio), com verbas provenientes de termos de ajustamento de conduta firmados após incidentes ambientais envolvendo empresas do setor de petróleo e gás.
Com cerca de 91 hectares de área protegida, o Monumento Natural das Ilhas Cagarras abriga espécies marinhas e terrestres ameaçadas de extinção e uma das maiores colônias reprodutivas de fragatas do Atlântico Sul, além de ser área de alimentação e descanso para baleias, golfinhos e outras espécies que utilizam a costa carioca durante suas migrações.
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