O senador Renan Calheiros (MDB) disse que o presidente nacional do PL, Valdemar Costa Neto, sabia da “proximidade tóxica” com o deputado federal Arthur Lira (PP), cuja ex-assessora Mariângela Fialek, conhecida como Tuca, é acusada pela Polícia Federal (PF) de operar um esquema de repasses irregulares de emendas parlamentares. O dirigente do partido do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) teve R$ 119 bloqueados pelo ministro Flávio Dino, do Supremo Tribunal Federal, na semana passada por suspeita de ter indicado o destino de verbas mesmo sem mandato.
Entrevista: ‘Não gosto de ser chamada de Paulo Guedes de saia’, diz Daniella Marques, cotada para vice de Flávio Bolsonaro
Disputa no bolsonarismo: Em carta lida por Flávio, Bolsonaro reforça apoio ao filho: ‘Momento de deixar de lado as diferenças’
Em um post no X, Calheiros, que é rival de Lira e deverá disputar com ele uma vaga no Senado por Alagoas neste ano, afirmou que Valdemar “não é o primeiro, nem será o último que entra pelo cano com os malfeitos no orçamento” e que “muita gente está sem dormir.” O senador também descreveu Tuca como “nitroglicerina”, composto químico explosivo. “Não foi falta de aviso”, acrescentou o parlamentar.
Como mostrou o GLOBO, a ex-assessora de Lira foi apontada por Dino como responsável por atuar em favor de Valdemar na indicação de emendas parlamentares. Servidora na Câmara, ela também foi alvo de uma operação da PF em dezembro do ano passado, após ser acusada de trabalhar “sem preocupação” ou “interesse republicano” para o encaminhamento de emendas de comissão, um novo flanco de investigação sobre o mau uso de verbas por congressistas. Funcionária importante também para a gestão de Hugo Motta (Republicanos-PB), Tuca dizia a pessoas próximas que tinha registro de tudo o que fazia, desde conversas presenciais até ligações e anotações do dia a dia.
O nome dela voltou à tona neste domingo, após o Dino autorizar o bloqueio de R$ 6 milhões em bens de Eduardo Cunha, ex-presidente da Câmara e pré-candidato a deputado federal por Minas neste ano. Ele também é acusado de ser beneficiado pelas indicações irregulares de emendas sem exercer um mandato.
Em uma conversa interceptada pela PF no celular da ex-assessora, Cunha chegou a pedir a troca de uma emenda que seria enviada para a cidade de Governador Valadares (MG). “Boa tarde, desculpa, mas eu não aguento mais esses mineiros enrolados”, escreveu.
Ainda segundo a PF, Tuca teria o aval de Motta para os desvios de emenda para Cunha. Em nota, a defesa do ex-deputado negou que ele tenha exercido um “mandato clandestino”, afirmou que ele não participou formalmente da apresentação das emendas investigadas e disse que buscará acesso integral aos autos para contestar as medidas.

