Rodrigo Pitta caiu no choro quando testou uma ferramenta de inteligência artificial pela primeira vez. Ao pedir que o programa fizesse algo sobre uma sinopse, ele se assustou com os resultados. “Assim como os motoristas de aplicativo impactaram os taxistas, chegou a nossa vez”, diz o diretor artístico paulistano radicado no Rio, onde mora no Bairro Peixoto, na companhia de Maria, uma cadela da raça africana basenji. Passados alguns meses, fez do limão uma limonada. Escreveu, em apenas quatro semanas, a peça “Alice”, que aborda o impacto desse tipo de tecnologia em nossas vidas.
Com previsão de estreia em outubro, o espetáculo conta a história de um jornalista que, após ser “cancelado” nas redes, recebe um pacote misterioso em casa. Dentro dele, está um equipamento de inteligência artificial que o ajuda a superar a crise e criar um avatar pelo qual volta à ativa. Tal caminho, entretanto, lhe traz uma série de implicações éticas e conflitos. “Há uma hora em que a tecnologia diz: ‘Meu prato preferido é alma humana. Depois, as ideias’”, conta o diretor.
Ao contrário do personagem, Rodrigo segue com a própria mente como principal ferramenta de trabalho. Aos 49 anos, tem no currículo a criação e a direção de uma das turnês internacionais de Anitta, a concepção de espaços de grandes marcas em festivais como o Rock in Rio e a participação no time de diretores do “Big Brother Brasil”, da TV Globo, em 2023. “Eu me considero um globetrotter do show business, porque já passei por muitas áreas diferentes”, diz o diretor, que ganhou notoriedade ao conceber, em 2000, a ópera rock “Cazas de Cazuza”.
Agora, segundo ele, é chegada a hora de a carreira ficar “mais cinematográfica”. Depois de concluir, no ano passado, um curso na New York Film Academy, o diretor tem se debruçado sobre os projetos de duas séries e dois filmes. Um dos longas, “Realidade mortal”, tem como enredo um assassinato que ocorre dentro de um reality show, durante um apagão. O projeto é tocado em parceria com o ator Cauã Reymond, um amigo de longa data e entusiasta da produção do colega. “O que mais admiro no Pitta é o nível de criatividade”, afirma o parceiro. “É sempre muito aberto e, ao mesmo tempo, decidido sobre o que quer.”