Cristian “Pity” Álvarez, o roqueiro argentino que já liderou as bandas Viejas Locas e Intoxicados, entrou em julgamento na última segunda-feira (10), em Buenos Aires, por conta de um crime do qual é réu confesso. Em 2018, ele matou seu vizinho com quatro tiros após uma discussão. Identificada como Cristian Díaz, de 36 anos, a vítima morreu na hora.
O julgamento de Pity ainda divide opiniões na Argentina. Mesmo diante do ocorrido, o músico, que passou anos preso preventivamente, ainda mantém uma numerosa base de fãs. Em 2022, ele passou para a prisão domiciliar. Durante todo esse tempo, o julgamento foi adiado diante do quadro de saúde de Pity, que tem problemas psiquiátricos e está em tratamento por conta do vício em drogas. Sua defesa sustentava a ideia de que ele não tinha condições mentais de assimilar o julgamento. Quem pôs o roqueiro diante dos juízes no tribunal, desta vez, foi ele mesmo. Depois de um show para 35 mil pessoas no fim do ano passado, apresentação que marcou seu retorno aos palcos, os promotores do caso insistiram que ele estava em plenas condições de encarar o julgamento.
Segundo a imprensa argentina, Pity chegou ao Tribunal Criminal Oral nº 29, em Buenos Aires, usando um chapéu de pelúcia preto, óculos escuros e uma camiseta preta com a frase “If you wait, you’ll understand” (“se você esperar, você entenderá”, na tradução). Trata-se de um verso da canção “Nunca quise”, uma das mais famosas da sua banda Intoxicados.
A reportagem do La Nacion, que acompanhou o primeiro dia do julgamento, destacou o comportamento errático do músico no tribunal. “Pity mantinha os lábios cerrados e mexia nervosamente as mãos”, diz uma das matérias publicadas sobre o caso. “Ele permanecia reclinado, com os braços abertos e apoiados nas cadeiras ao lado, a cabeça encostada na parede e os olhos fechados”, continua.

