O desvio que moldou a internet brasileira
Desde que o Brasil se conectou à internet mundial, boa parte do tráfego destinado à Europa seguia primeiro para os Estados Unidos, reflexo de uma geografia de cabos submarinos historicamente concentrada na costa leste americana. Segundo o NIC.br, entidade que administra o IX.br, o conjunto de pontos de troca de tráfego do país, o tráfego agregado nesses pontos, atingiu em 2026 um pico recorde de 55 Tbps, dos quais cerca de 36 Tbps passaram apenas pelo IX.br São Paulo. Quanto mais distante o caminho até o destino final, maior o tempo de resposta e maior o número de pontos onde a conexão pode falhar, um problema que ganha peso à medida que empresas e serviços públicos dependem cada vez mais de infraestrutura digital contínua.
Fortaleza, Portugal, Frankfurt
Foi nesse cenário que a empresa brasileira Huge Networks contratou capacidade no sistema de cabo submarino EllaLink, que liga Fortaleza, no Ceará, a Sines, em Portugal. Segundo dados da própria EllaLink, a latência no trecho Fortaleza-Sines é inferior a 60 milissegundos. A partir de Portugal, o tráfego segue por infraestrutura terrestre até o ponto de presença da Huge Networks em Frankfurt, na Alemanha, completando o trajeto Fortaleza, Portugal, Frankfurt e aproximando a rede brasileira de um dos principais polos de troca de tráfego, nuvem e conteúdo da Europa. “Contratar capacidade no EllaLink foi uma decisão de engenharia com objetivo de negócio. Nossos clientes trocam cada vez mais tráfego com a Europa, e queríamos dar a eles o caminho mais curto e, principalmente, um segundo caminho”, afirma Erick Nascimento, CEO e CTO da Huge Networks.
Duas rotas, um anel
A nova conexão não substitui a rota tradicional pelos Estados Unidos, ela se soma a ela. O resultado é um anel de redundância dentro da rede autônoma AS264409 da Huge Networks, com dois caminhos independentes até a Europa. Se um deles falhar, o tráfego segue pelo outro, sem que o usuário final perceba a diferença. “O ganho de latência é o que aparece primeiro, mas o que sustenta a operação é a redundância. Hoje temos duas rotas independentes para a Europa, uma pelos Estados Unidos e outra por Portugal. Se uma delas tiver um problema, o tráfego segue pela outra e o cliente nem percebe”, explica o executivo. O backbone global de alta performance da Huge Networks conta hoje com pontos de presença em Miami, Los Angeles, Nova York, Frankfurt, Londres e diversas localidades do Brasil.
Quem sente a diferença
A rota beneficia diretamente empresas brasileiras com operação ou clientes na Europa, de plataformas digitais a grupos com filiais no continente, e também empresas europeias que atendem usuários no Brasil e dependem de baixa latência para manter a experiência do cliente. Provedores de internet e operadoras regionais que contratam trânsito IP da Huge Networks passam a entregar aos assinantes finais conteúdo hospedado na Europa por um caminho mais curto, com uma rota alternativa disponível em caso de falha, o que se traduz em mais estabilidade para o assinante final, independentemente do porte da operação.
Uma rede que não para de crescer
A rota europeia é parte de um movimento mais amplo de expansão da rede. Em agosto, a Huge Networks ativou quatro novas interconexões em São Paulo e Miami e adicionou mais 2 Tbps de capacidade de trânsito com os provedores GTT, Cogent e Cirion, alcançando mais de 18 mil redes por meio de uma única interconexão em ponto de troca de tráfego. “A rede cresce em capacidade, em alcance e agora em diversidade de caminhos”, resume Erick Nascimento. A expansão também reforça a relação entre infraestrutura e segurança: a Huge Networks é conhecida pela proteção contra ataques DDoS com a linha HugeGuard, e trata a nova rota como parte da mesma promessa de disponibilidade que sustenta esse serviço.
Ao encurtar a distância entre o Brasil e a Europa e criar uma alternativa real ao caminho tradicional, a Huge Networks reforça um movimento maior de diversificação das rotas que sustentam a internet no país. Conheça a rede da Huge Networks e as rotas que conectam o Brasil ao mundo.
Sobre a Huge Networks
A Huge Networks é uma empresa brasileira de infraestrutura digital e cibersegurança. Opera a rede AS264409, com pontos de presença no Brasil e em Miami, Los Angeles, Nova York, Frankfurt e Londres, e oferece proteção contra ataques DDoS com a linha HugeGuard (Cloud, Wall e Hybrid), nuvem com o HugeCloud e trânsito IP. A empresa é certificada ISO 27001 e foi reconhecida no ISG Provider Lens 2026. Mais informações em
Rota da Huge Networks via Fortaleza liga internet do Brasil à Europa sem escala nos EUA
