O candidato ao governo do Rio Douglas Ruas (PL) afirmou neste domingo que pode “inaugurar um novo tempo para o Rio de Janeiro”. Apoiado pelo ex-governador Cláudio Castro (PL-RJ), o presidente da Assembleia Legislativa do Rio (Alerj) discursou no ato em Copacabana convocado pelo correligionário Flávio Bolsonaro (PL), que disputa a presidência, mas teve pouco espaço no evento. A campanha de Ruas argumenta que o lançamento oficial da postulação ao Palácio Guanabara será apenas no próximo dia 22, no Maracanãzinho.
— Hoje, nós estamos aqui para dar um novo passo numa caminhada que começou em 2018, quando um homem humilde e simples levantou uma nação, abriu nossos olhos, despertou a nação brasileira. Estou falando de Jair Messias Bolsonaro, que, com sua maneira simples de se comunicar, mostrou o que precisamos pra ser uma nação próspera: Deus, Pátria, Família e Liberdade. Eu recebi a missão de ser candidato a governador do Rio pelo nosso presidente Bolsonaro, recebi com orgulho e muito senso de responsabilidade. Juntos, podemos inaugurar um novo tempo para o Rio de Janeiro — declarou o candidato assim que ganhou o microfone.
Ruas é o principal adversário de Eduardo Paes (PSD), que tenta, pela terceira vez, assumir a governança do estado. Segundo a última Quaest, de 27 de julho, o candidato do PL é a intenção de voto de 10% dos fluminenses, enquanto o ex-prefeito da capital é liderança com 38% na projeção. Segundo apoiadores de Ruas, o principal desafio da campanha é fazê-lo ser conhecido pelo eleitorado.
A primeira menção a Ruas foi feita pelo deputado estadual Alexandre Knoploch, às 10h52, que pediu votos ao correligionário. O mesmo foi feito, brevemente, pelos deputados Fred Pacheco, Filippe Poubel e Alan Lopes.
Ruas subiu ao trio elétrico junto a Flávio Bolsonaro e só discursou às 12h23, quando fez uma apresentação de cerca de sete minutos. Antes, só havia sido destaque na fala de Fernanda Louback, sua vice na chapa e vereadora em Niterói.
Disputa na Baixada
Apesar da abertura das campanhas neste domingo, os dois candidatos já realizavam agendas em cidades do estado. Na quarta-feira, por exemplo, Ruas esteve num encontro com mulheres em Queimados, na Baixada Fluminense, ao lado do deputado federal Max Lemos (PL), prefeito desse município por duas vezes.
Nesse mesmo dia, Paes foi à Nova Iguaçu, também na Baixada, para encontro com Dudu Reina (PP), prefeito vigente, e o correligionário Rogério Lisboa, que comandou a cidade de 2017 a 2024. Lisboa, inclusive, era aliado de Ruas e chegou a ser cotado como vice na chapa ao governo, mas declinou da indicação em 20 de julho, quando aproveitou a neutralidade de seu partido para apoiar a candidatura de Paes.
Desaprovação a Castro
Ruas, que já foi secretário das Cidades durante o governo Castro, tem buscado se descolar do antigo chefe, alvo, pela segunda vez, de uma operação da Polícia Federal na última sexta-feira. Nesse dia, o deputado participou de uma sabatina organizada pela Folha de S. Paulo e o UOL e afirmou desaprovar a gestão do correligionário, principalmente devido aos resultados da Segurança Pública e da Educação no estado.
Antes do posicionamento, no entanto, Ruas havia se esquivado de avaliações sobre Castro, chegando a afirmar que não havia tido tempo de acompanhar as notícias sobre a operação, que investiga suspeitas de fraudes na concessão de licenças ambientais para favorecer o grupo Refit, dono da antiga Refinaria de Manguinhos — apontado como um dos maiores sonegadores do estado e do Brasil. Além de Castro, o ex-secretário de Ambiente e Sustentabilidade Bernardo Rossi também foi alvo de buscas e apreensões.
— Eu não vi nenhum noticiário hoje. Acordei bem cedo, já estava gravando programa de TV junto à equipe de comunicação. Então, não tenho as informações da mencioanada operação da data de hoje. Agora, qualquer atitude ou prática ilícita que tire dinheiro dos cofres públicos, com certeza, terá meu total repúdio e apoio a todas as instâncias de Justiça para que sejam punidas — declarou Ruas na sabatina.
O candidato também afirmou que Castro não subirá em palanques durante a sua campanha ao governo.

