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— Nossa delegação está agora em Istambul e estamos preparados para tomar as medidas necessárias para a paz. Naturalmente, um ponto de partida seria um cessar-fogo e ações humanitárias, a libertação dos prisioneiros e o retorno das crianças sequestradas — disse Zelensky durante viagem oficial à Lituânia.
Diplomatas de Kiev e Moscou se dirigiram à Istambul para uma segunda rodada de negociações de paz, um dia após trocarem alguns dos ataques aéreos mais intensos desde o começo da guerra no Leste Europeu. Espera-se que os dois lados troquem formalmente suas respectivas condições para um acordo, após uma recusa russa em entregar de forma antecipada o memorando com seus termos.
Autoridades ucranianas se encontraram com representantes da Alemanha, Itália e Reino Unido antes do encontro com os delegados russos para “coordenaram suas posições”, segundo o Ministério das Relações Exteriores da Ucrânia. O encontro direto entre as duas delegações deve ocorrer pela tarde em Istambul (manhã em Brasília) — embora a expectativa de assinatura de um acordo seja baixa.
Apesar da pressão do presidente americano, Donald Trump, que tem alternado entre apelos e críticas aos líderes de ambos os países, Kiev e Moscou têm mantido suas posições firmes, e não se espera que nenhuma das partes apresente condições consideradas aceitáveis para a outra.
Enquanto as negociações patinam, os ataques no campo de batalha se intensificaram. O Exército russo parece ter lançado uma nova ofensiva, avançando no ritmo mais rápido desde o outono passado e abrindo uma nova frente na região de Sumy, no norte da Ucrânia. Também bombardeou cidades ucranianas com alguns dos maiores ataques com drones e mísseis do ano, incluindo uma ofensiva de 500 drones e iscas no domingo.
A Ucrânia, por sua vez, tem se adaptado e evoluído diante de um inimigo militarmente muito maior e com mais recursos. Drones ucranianos, em um ataque ambicioso e coordenado, atingiram bases aéreas dentro da Rússia neste fim de semana. O ataque, que Moscou afirmou ter danificado várias aeronaves, foi descrito por um proeminente blogueiro militar pró-Kremlin como “um dia sombrio para a aviação de longo alcance russa”.
A extensão total dos danos ainda não foi avaliada, mas alvos russos foram atacados de leste a oeste do país, incluindo a Sibéria. A mídia ucraniana relatou que mais de 40 aviões russos foram abatidos no território inimigo, incluindo aeronaves de guerra como bombardeiros Tu-95 e Tu-22. A operação, que está sendo chamada de “Teia de Aranha”, teria sido programada por 18 meses e conduzida com o uso de 117 drones. Uma estimativa aponta US$ 7 bilhões (R$ 40 bilhões) em danos.
Na madrugada do sábado para o domingo, a Rússia disparou 472 drones e sete mísseis contra o território ucraniano, segundo militares de Kiev, que o classificaram como o maior desde o início do conflito.
Durante a primeira rodada de conversas em Istambul, em meados de maio, altos funcionários dos EUA se reuniram separadamente com ucranianos e russos, mas deixaram para a Turquia a mediação das conversas diretas, em uma dança diplomática complicada.
Os ucranianos acusaram os russos de fazer ameaças e provocações, dizendo que estavam prontos para lutar por muitos anos e invadir mais regiões ucranianas. A delegação russa demonstrou confiança, dizendo estar “satisfeita com os resultados” das negociações, que descreveram como “organizadas por iniciativa do presidente da Rússia”.
Nos últimos dias, Zelensky, da Ucrânia, reduziu as expectativas, confirmando apenas na tarde de domingo que uma delegação ucraniana viajaria a Istambul. “Mesmo assim, tentaremos alcançar ao menos algum progresso no caminho para a paz”, afirmou algumas horas depois.
Na primeira reunião em Istambul, ambos os lados concordaram em redigir e compartilhar suas condições para um possível cessar-fogo.
O objetivo de Kiev continua sendo garantir primeiro um cessar-fogo, antes de avançar para negociações por um acordo de paz mais amplo. Um alto funcionário ucraniano, sob condição de anonimato devido à sensibilidade das negociações, disse que as propostas incluíam disposições para um cessar-fogo em terra, no mar e no ar, com monitoramento feito por parceiros internacionais.
A Rússia sinalizou que não está interessada em um cessar-fogo temporário, mas sim em resolver as “causas raízes” da guerra — linguagem do Kremlin para exigências amplas, como o compromisso formal de não expandir a OTAN para o leste, o reconhecimento de seus ganhos territoriais e outras condições que Kiev rejeita categoricamente.
Ao contrário da Ucrânia, a Rússia não compartilhou suas propostas com antecedência, dizendo que só o faria diretamente na reunião de Istambul. Autoridades ucranianas criticaram esse arranjo, dizendo que ele impediria um diálogo significativo.
Zelensky aprovou uma delegação de 14 membros liderada pelo ministro da Defesa ucraniano, Rustem Umerov, incluindo altos funcionários do governo e vice-chefes das Forças Armadas e dos serviços de segurança da Ucrânia.
A delegação russa é liderada por Vladimir Medinsky, assessor de Putin. Após a rodada anterior de conversas, Medinsky, um historiador conservador, disse à televisão estatal russa que “como regra, como disse Napoleão, guerra e negociações acontecem ao mesmo tempo.”
Keith Kellogg, enviado especial de Trump para a Ucrânia, disse que conselheiros de segurança dos Estados Unidos, Reino Unido, França e Alemanha também participariam das conversas desta segunda-feira, mas não especificou quem exatamente. (Com AFP e NYT)

