
A Rússia vai enviar um segundo petroleiro a Cuba, submetida a um bloqueio de combustível imposto pelos Estados Unidos, afirmou nesta quinta-feira o ministro da Energia russo, Serguêi Tsivilev. Na última terça-feira, após o sinal verde do presidente americano, Donald Trump, o navio-tanque russo Anatoly Kolodkin, com 730 mil barris de petróleo, atracou no porto de Matanzas, a leste de Havana.
Desde 6 de janeiro, quando o México entregou um carregamento após a queda de Nicolás Maduro na Venezuela, Cuba não recebia carga de petróleo, o que afundou o país em uma crise econômica e energética. Com a chegada do Kolodkin, especialistas avaliam que o carregamento pode oferecer apenas um alívio temporário.
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— Um navio da Federação Russa atravessou o bloqueio. Agora, está sendo indo um segundo. Não deixaremos os cubanos em dificuldades — afirmou Tsivilev, citado pela mídia estatal, em unidade com declarações recentes do Kremlin e do Ministério das Relações Exteriores da Rússia.
Antes da chegada do primeiro petroleiro, o porta-voz do Kremlin, Dmitry Peskov, disse que o tema já havia sido discutido previamente com Washington e, por isso, Trump autorizou a entrega, sem que isso representasse uma mudança formal na política de sanções americanas contra o país caribenho.
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Em visita à Rússia, na quarta-feira, o vice-primeiro-ministro cubano, Oscar Pérez-Oliva, afirmou que Havana e Moscou iniciaram negociações “para alcançar estabilidade no fornecimento de combustível” à ilha e exploraram oportunidades de cooperação no setor energético.
— Avançamos nas conversas para ampliar a participação de empresas russas na exploração e produção de petróleo em nosso país e em projetos de geração de eletricidade com fontes renováveis — disse Pérez-Oliva ao canal RT, após reunião com autoridades e empresários russos em São Petersburgo.
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No último domingo, Trump afirmou que não via “nenhum problema” no envio de petróleo russo à ilha, após ter impedido a chegada de combustível venezuelano e também de outros países, como o México, sob ameaça de tarifas.
— Cuba está acabada, tem um regime ruim, líderes muito ruins e corruptos, e conseguir ou não um navio com petróleo não vai fazer diferença — disse o presidente americano.
Cuba, de fato, atravessa uma profunda crise energética, que provocou apagões frequentes, racionamento severo de combustível e redução do transporte público. A crise já provocou apagões prolongados, escassez de transporte público e aumento da inflação. Desde o fim de 2024, Cuba enfrentou ao menos sete blecautes nacionais, incluindo dois apenas neste mês.
