A Sabesp contratou o banco Bradesco para preparar uma potencial oferta pela Copasa, estatal de saneamento de Minas Gerais, segundo fontes. O governo mineiro vai privatizar a Copasa e deu prazo aos interesados para entregar a documentação necessária até 8 de maio. O investidor de referência deve adquirir 30% do capital da empresa, segundo regras já divulgadas. A data para a oferta da companhoa mineira ainda não foi definida.
O movimento da Sabesp, companhia de saneamento de São Paulo, sinaliza o interesse da empresa em expandir além de seu estado de origem após o processo de privatização. A Aegea Saneamento também avalia entrar na oferta, segundo as fontes.
Procurados, Sabesp e Aegea não fizeram comentários, e o Bradesco não respondeu ao contato da Bloomberg.
A privatização da Copasa não será feita por meio de um leião clássico, com apresentação de propostas de interessados. O governo de Minas Gerais decidiu fazer uma oferta subsequente de ações (follow-on).
Uma fatia de 45% da Copasa será ofertada ao mercado. Dessa participação, 30% são destinados a um acionista de referência, que é uma espécie de sócio estratégico. Outros 15% serão oferecidos ao mercado via Bolsa de Valores, que indicam o volume de papéis que querem comprar.
Os interessados devem encaminhar suas ofertas à Bolsa até a próxima sexta-feira. A B3 vai verificar se eles atendem aos requisitos para classificação para a fase seguinte do processo. Eles precisam, por exemplo, comprovar regularidade fiscal e trabalhista.
Os investidores elegíveis deverão, na etapa seguinte, fazer o pedido oficial de investimento, isto é, oferecer um preço por ação. Aquele que propuser o maior valor será selecionado.
Eles também precisam cumprir outras exigências, como:
apresentar carta de fiança de no mínimo R$ 7 bilhões, emitida por banco autorizado a funcionar no Brasil pelo Banco Central (a carta é um instrumento que garante que o investidor tem condições de cumprir suas obrigações financeiras);
firmar um termo de compromisso assegurando, entre outros pontos, o cumprimento de metas de universalização do saneamento, a modicidade tarifária e a manutenção dos contratos de trabalho dos empregados por 18 meses.
O investidor de referência deverá adquirir, sozinho, a fatia de 30%. Pelas regras, as empresas interessadas devem comprovar ter realizado investimentos em infraestrutura (como saneamento, energia ou rodovias) no valor mínimo de R$ 6,3 bilhões nos últimos 20 anos.
A privatização da Copasa e as parcerias estratégicas têm sido o centro das discussões no governo local. Minas Gerais busca atrair capital para cumprir as metas de universalização do saneamento estabelecidas pelo Marco Legal do setor, de 2020. Também visa reduzir sua dívida com a venda de uma fatia da empresa.
A Copasa cuida do abastecimento de água de 637 municípios mineiros, e em 308 deles também fornece serviços de esgoto — os números incluem municípios atendidos pela Copanor, subsidiária responsável pelos serviços de saneamento nas regiões Norte e Nordeste de MG.
Com informações do g1

