Em um momento em que o Sistema Cantareira atingiu o menor nível em quase uma década, a Companhia de Saneamento Básico do Estado de São Paulo (Sabesp) está implementando ações para remediar as medidas operacionais emergenciais em vigência. A baixa pressão durante a madrugada, por exemplo, deve afetar pelo menos 2.500 imóveis que vão ter caixas d’água instaladas gratuitamente em bairros altos de São Paulo e da região metropolitana.
- Saiba quais: Um a cada oito municípios do Brasil está em situação de emergência por seca ou estiagem
- COP30: Crise de hospedagem, metas abrangentes e ‘herança maldita’ travam definição de pauta prioritária
Segundo a Sabesp, esse número inicial de clientes aptos inclui os cadastrados nas tarifas sociais (Vulnerável, Social e Social 2) e poderá ser expandido conforme a identificação de novos moradores que cumpram os critérios estabelecidos. Atualmente o estado vive uma redução de pressão de 10 horas por dia, que pode subir para 12h diárias se os reservatórios seguirem em queda.
Para ter direito ao benefício, é preciso morar em cidades da região metropolitana atendidas pela Sabesp; estar cadastrado nas tarifas sociais da companhia (tarifa vulnerável, social ou social 2); e residir em locais mais altos ou distantes, onde o retorno da água costuma demorar mais após a redução da pressão.
Os imóveis que ficam em bairros altos e não têm caixa d’água acabam enfrentando intervalos de escassez maiores por conta da recuperação lenta do fornecimento após manutenções e, sobretudo, pela redução da pressão noturna no sistema de abastecimento, adotada pela Companhia desde agosto.
Cada residência beneficiada receberá, após uma vistoria técnica, uma caixa-d’água com capacidade de até 500 litros, que passará a ser propriedade do cliente mediante a assinatura de um termo. Para acessar o programa “Reserva Certa” é necessário entrar com uma solicitação pelos canais de atendimento da Sabesp.
Para os clientes elegíveis, é agendada uma vistoria técnica, com prazo de até sete dias, para avaliar a segurança e as condições estruturais do imóvel. Confirmada a viabilidade, a instalação é programada para ocorrer em até vinte dias corridos.
O pano de fundo desta medida é o nível baixo de alguns reservatórios que abastecem São Paulo. O Sistema Cantareira, principal manancial da região, registrou recentemente seu nível mais baixo em dez anos, operando nesta quarta-feira em 23,3% de seu volume útil.
O Cantareira não é o único sistema de mananciais no abastecimento da região metropolitana, mas é o maior, sendo responsável por mais de metade da água consumida na área. Outros sistemas menores, porém, como Alto Tietê e Guarapiranga, não estão conseguindo dar conta do consumo, e também seguem se esvaziando.
/i.s3.glbimg.com/v1/AUTH_da025474c0c44edd99332dddb09cabe8/internal_photos/bs/2025/x/j/qkONBQTaAABkgQPHaRtg/bra-22-10-sistema-cantareira.png)
O baixo índice se deve a um período chuvoso insuficiente, que falhou em recarregar adequadamente o sistema. Em resposta a este cenário de “seca moderada”, a Agência de Águas do Estado de São Paulo (SP Águas) impôs restrições, levando a Sabesp a diminuir a velocidade de retirada de água.
Adicionalmente, a Agência Reguladora de Serviços Públicos (Arsesp) determinou a redução da pressão nas tubulações durante a madrugada, inicialmente por oito horas e, desde setembro, por dez horas (das 19h às 5h). Embora a empresa assegure que a medida não cause desabastecimento persistente, a oscilação de pressão impacta diretamente as casas sem reservatório em regiões elevadas.
A última vez que o sistema atingiu um nível tão baixo foi em 1º de março de 2016, num período do ano em que estava se recuperando com chuvas, a 24,0%. Na crise que durou de 2014 a 2016, o Cantareira secou a ponto de bater no “volume morto”, quando a água fica abaixo do nível mínimo de captação e não pode ser retirada pelas estruturas disponíveis de bombeamento e adução.
O mês de outubro, oficialmente, marcou a entrada do período chuvoso, mas as chuvas que efetivamente conseguem elevar o nível dos reservatórios estão demorando a aparecer. O Centro Nacional de Monitoramento e Alertas de Desastres Naturais (Cemaden), está trabalhando com cenário de “seca moderada” para o final deste ano.

