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Saiba como aproveitar o sol sem prejudicar a sua saúde

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abril 23, 2026
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Daniel Coimbra, dermatologista — Foto: Arquivo pessoal

A geração que hoje ultrapassa os 50 anos não cresceu sob a lógica da proteção solar. Na juventude, era comum passar horas à beira do mar ou da piscina ao meio-dia sem cogitar proteger a pele. Acreditava-se que rugas, manchas e doenças surgiriam apenas décadas depois.

Hoje, a ciência mostra que esse processo começa muito antes do envelhecimento visível. A pele jovem já acumula alterações provocadas pela radiação ultravioleta, em um movimento contínuo que só se torna perceptível com o passar do tempo.

Estimativas frequentemente citadas por entidades como a Organização Mundial da Saúde indicam que uma parcela significativa da exposição à radiação UV ocorre nas primeiras décadas de vida, quando a proteção ainda é irregular. É nesse período que hábitos se consolidam e o dano começa a se acumular.

— Mesmo sem sinais aparentes, a pele já está sofrendo alterações importantes. A radiação ultravioleta provoca danos ao DNA das células, degrada fibras de colágeno e elastina e ativa mecanismos que aceleram o envelhecimento cutâneo — afirma o dermatologista Daniel Coimbra.

Segundo ele, o caráter silencioso desse processo ajuda a explicar por que a exposição precoce costuma ser subestimada.

— A pele jovem consegue compensar esses danos, mas eles vão se acumulando. Manchas, flacidez e rugas muitas vezes aparecem como consequência de exposições bem anteriores — pontua Coimbra.

A literatura dermatológica já estabeleceu que até 80% do envelhecimento visível da pele está relacionado à radiação UV — fenômeno conhecido como fotoenvelhecimento, amplamente descrito em publicações do Journal of Investigative Dermatology. Nesse processo, diferentes tipos de radiação atuam de forma complementar.

— A radiação UVB está mais relacionada aos efeitos imediatos, como a queimadura solar, e causa dano direto ao DNA. Já a UVA penetra mais profundamente e é a principal responsável pelo envelhecimento precoce — explica Daniel.

A ideia de que apenas exposições intensas são relevantes também não se sustenta. Parte importante do dano ocorre de forma cotidiana, em situações aparentemente inofensivas.

Daniel Coimbra, dermatologista — Foto: Arquivo pessoal

“A pele jovem consegue compensar parte dos danos, mas eles vão se acumulando. Manchas, flacidez e rugas aparecem como consequência de exposições bem anteriores”

— Daniel Coimbra, dermatologista

— A radiação UVA atravessa não só as nuvens, mas também o vidro de carros e janelas. Isso significa que, mesmo sem exposição direta ao sol, a pele continua em risco. A exposição diária, aparentemente leve, é constante e, por isso, tem grande impacto cumulativo — diz o especialista.

Outro ponto que persiste no imaginário coletivo é a ideia de “bronzeado saudável”. Do ponto de vista biológico, no entanto, não há ambiguidade.

— Isso não existe. O bronzeado é uma resposta de defesa da pele a uma agressão. Quando a pele escurece, significa que houve estímulo para produção de melanina após dano ao DNA celular — explica Daniel.

O caráter cumulativo e parcialmente irreversível dessas alterações reforça o peso das escolhas feitas ainda na juventude. Cada exposição deixa uma marca que se soma às anteriores.

— Os danos se acumulam e podem ultrapassar a capacidade de reparo do organismo. Muitas alterações que aparecem aos 50 ou 60 anos começaram a se formar décadas antes — destaca Daniel.

Mesmo diante dessas evidências, o uso regular de protetor solar ainda é irregular entre jovens adultos e, não raro, fica restrito a momentos de lazer. Para o dermatologista, essa é uma das principais distorções de comportamento:

— Muitas pessoas acreditam que usar protetor apenas em dias de praia ou piscina é suficiente. Na prática, a proteção diária é o que realmente faz diferença no longo prazo.

A adoção precoce desse hábito está associada a melhores desfechos, tanto do ponto de vista estético quanto de saúde.

— Os ganhos não são apenas na aparência, mas também na redução do risco de desenvolver câncer de pele.

Em um cenário de maior expectativa de vida e de mudanças climáticas, que ampliam o tempo de exposição ao sol, a relação com a radiação UV deixa de ser pontual e passa a integrar a discussão sobre longevidade.

A questão não é apenas evitar danos futuros, mas incorporar um cuidado contínuo capaz de impactar a saúde ao longo da vida.

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  • O que a radiação UV faz com a pele
      • Saiba como aproveitar o sol sem prejudicar a sua saúde

O que a radiação UV faz com a pele

  • Parte importante da exposição ocorre nas primeiras décadas de vida.
  • Alterações celulares antes de qualquer sinal visível.
  • A radiação UVB está ligada a queimaduras e danos diretos ao DNA.
  • A UVA penetra mais profundamente e está associada ao envelhecimento precoce.
  • Até 80% do envelhecimento visível da pele está relacionado à exposição solar acumulada.
  • A exposição cotidiana — inclusive através de nuvens e vidros — também contribui para o dano cumulativo.

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